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Curau de milho verde

Posted in Receitas with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on 29/03/2014 by Joe

Curau

O milho é um dos ingredientes mais usado no Brasil, principalmente nos pratos típicos das festas juninas. Servido como curau, pamonha ou apenas cozido, o grão agrada ao público de todo o país. Mas de onde ele veio e como chegou ao nosso país?

Descoberta em ilhas próximas ao litoral mexicano, há mais de 7 mil anos, a planta silvestre recebeu o nome de “milho”, de origem indígena caribenha, com o significado de “sustento da vida”. Muito usado pelos incas, maias e astecas, o grão foi a base da alimentação das sociedades antigas e todas as atividades em grupo eram feitas em função de seu plantio. Com o período de colonização do continente americano e as grandes navegações, o alimento ganhou o mundo e se tornou um dos primeiros itens de cultura mundial, perdendo apenas para o trigo e o arroz.

A facilidade de cultivo e a variedade de formas de consumo do produto – que pode ser ingerido cru, cozido, seco ou transformado em farinha – garantiram seu sucesso em diferentes regiões do planeta, entre elas o México, que utilizava o farelo para preparar pequenos bolos, chamados de tortillas, e parte do cardápio tradicional nativo até os dias de hoje.

No Brasil, o milho já fazia parte do dia-a-dia dos índios antes mesmo da chegada dos colonizadores, que aproveitavam todas as partes do vegetal. Com a chegada dos portugueses, surgiram novos pratos à base de milho e seu consumo aumentou significativamente.

O milho é uma planta presente em diversos lugares do mundo e usado tanto para a alimentação humana como para a produção de ração animal. Apesar de bastante conhecido na mesa brasileira, o cereal tem apenas 5% de sua produção direcionada para o consumo humano; a maior parte vai para a alimentação de animais criados em grande escala.

Espigas de milhoA cultura do milho – um dos primeiros alimentos domesticados pelo homem – tinha como objetivo aproveitar os grãos e o suco proveniente de seu talo. Alguns povos produziam açúcar e mel a partir do líquido extraído.

Atualmente, existem diversos tipos de milho: o milho verde, o doce, o farinhoso, o pipoca, o duro, o macio e o dentado. Além de servir de base para diversos pratos da culinária, o vegetal também está na raiz da produção de amido, azeite, bebidas alcoólicas, combustíveis e corantes alimentícios.

Não é apenas pelo prazer do paladar que o milho deve aparecer com mais frequência na dieta alimentar. O grão tem fibras e nutrientes que auxiliam no bom funcionamento do organismo. Porém, para um consumo saudável do milho, é recomendado não adicionar muita gordura ou açúcar durante o preparo dos alimentos.

A receita deste sábado tem o milho como ingrediente principal e é bem simples e rápido de se preparar: o curau.

Curau de milho verde

Ingredientes

8 espigas de milho verde
2 xícaras (chá) de leite
1 vidro de leite de coco
1 colher (sopa) de manteiga
1 lata de leite condensado
Canela em pó a gosto para polvilhar

Modo de preparo

Passe o milho em um ralo grosso ou retire os grãos com uma faca. Em seguida, bata os grãos no liquidificador, depois passe em uma peneira para obter somente a polpa, descartando o bagaço.

Coloque a polpa, já peneirada, em uma panela e junte o leite, o leite condensado e a manteiga. Leve ao fogo por cerca de 10 minutos e mexa sem parar até formar um creme grosso.

Coloque em uma tigela e, por cima, polvilhe a canela em pó. Leve à geladeira até que adquira a consistência de um pudim.

By Joemir Rosa.

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Tempos de violência

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Tempos de violência

Estamos vivendo tempos de muita violência, de pouco amor e respeito ao próximo. E, principalmente, de poucos exemplos também.

Ver noticiário na televisão hoje em dia é submeter-se a uma verdadeira lavagem cerebral onde somos anestesiados pela violência, pouco a pouco, diariamente, e vamos nos acostumando com as barbáries que só víamos em filmes policiais. Hoje elas estão bem aqui do lado de fora de nossas portas.

E, não bastasse a realidade, ainda somos bombardeados constantemente por filmes, jogos, novelas, onde o que vale é matar, roubar, trair, levar vantagem em tudo, etc. Ótimos exemplos de que a vida não vale mais nada!

Crimes hediondos, assassinatos a sangue frio, pais e mãe matando filhos, filhos matando avós, bebês abandonados, estupros, racismo, homofobia, violência doméstica contra a mulher e a criança, tráfico de drogas e seres humanos, vandalismo, violência desmesurada em estádios de futebol, roubos, assaltos, acidentes nas estradas e ruas das cidades causados pelo excesso de bebidas e drogas, corrupção ativa e passiva, crimes políticos… a lista é enorme!

Valores que mudaram de rumo, falta deles, exemplos que deveriam vir da família, a falta dela, falta de amor e de respeito pelo próximo, por si próprio…

A pergunta que faço é: em que ponto da escalada da humanidade nos desviamos da verdadeira evolução? Em que momento se deu o u-turning?

Outro dia vi um desenho onde um filhotinho de macaco perguntava a seu pai:

– “Papai, o que são humanos?”

E o pai, com um olhar triste, respondeu:

– “São macacos sem rabos que pensam que são donos de tudo que existe na floresta. Constroem cavernas de pedras que quase chegam ao céu. Seus egos, sua ambição, não têm limites… Tomam mais terra do que precisam para viver, destroem as florestas, sujam os mares, poluem o ar…”

À medida que ia explicando, seu filhote ia ficando aterrorizado. E o pai continuava:

– “Humanos escravizam humanos e deixam parte da manada morrer de fome para que poucos tenham muito e sejam ricos. Constroem máquinas para matar humanos. Um dia, meu filho, os humanos se exterminarão… eles são macacos loucos…”

O filhote, olhar perdido e triste, olhou para o pai e disse:

– “Pai… não me deixe jamais ser humano, por favor!”

Talvez o ponto da virada tenha sido aí, quando os macacos começaram a evoluir para algo pior que a sua própria espécie. Talvez a fórmula tenha dado errado. Talvez o mundo teria sido bem melhor só com os macacos…

São muitos “talvez” que não nos respondem o que queremos saber: tem volta?

Eu, particularmente, acho que tem volta, sim, mas não sem antes passarmos por uma terrível peneira que irá separar o joio do trigo. E essa peneira será longa, terrível, violenta e levará ao quase extermínio dessa raça de macacos que não deu certo!

Um dia, num futuro longínquo, talvez um filho de ser humano, talvez conhecido por um outro nome qualquer, irá perguntar a seu pai:

– “Papai, o que são humanos?”

A resposta só o tempo dirá….

O vídeo abaixo é uma produção mexicana e foi veiculado nas TVs daquele país como uma forma de alerta para o que as crianças estão fazendo, seus comportamentos e atitudes, muito parecidos aos de adultos.

Serve também para percebermos que o que está realmente faltando… são bons exemplos!

By Joemir Rosa.

Pastiera di grano

Posted in Receitas with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on 28/12/2013 by Joe

Pastiera di grano

“La Pastiera di Grano”, ou a torta de trigo, na tradução do dialeto napolitano, tem sua origem mais ligada à Páscoa, pois é quando se colhe o trigo na Europa e ele está mais novo e mole para ser cozido. Porém, as famílias italianas que vieram para o Brasil, também a preparavam no Natal, para celebrar o nascimento do menino Jesus e enfeitar suas mesas de Natal.

Esta receita é tipicamente mediterrânea, feita com grãos de trigo cozidos e saborizados com ricota, leite e frutas cristalizada, e tem sua origem na cucina casalinghe della campagna (cozinha caseira do campo), pois é feita com os ingredientes produzidos por uma família camponesa.

Sou neto de italiano imigrante direto e soube de uma lenda que explicaria a origem da Pastiera di Grano…

“Contam que a sereia Paternope encantou-se com a beleza do Golfo, entre Posillipo e Vesúvio, onde acabou fixando seu domicílio.

Na primavera, a bela sereia emergia das águas para saudar as felizes pessoas que povoavam o Golfo, encantando-os com canções de amor e alegria. Uma vez, sua voz foi tão melodiosa e suave que todos os habitantes ficaram fascinados e comovidos com a doçura do canto e das palavras de amor que a sereia tinha dedicado a eles.

Em agradecimento, decidiram então lhe oferecer aquilo que lhes era mais precioso. Assim, chamaram sete ninfas do vilarejo, as quais lhe ofereceram primeiramente a farinha, simbolizando a força e riqueza dos campos; depois, a ricota, em agradecimento dos pastores; os ovos, símbolo da vida que sempre se renova; o trigo tenro fervido no leite, como prova dos dois estados da natureza; água da flor de laranjeira, porque também o perfume da terra queria homenageá-la; as especiarias, representando os povos distantes; e, por último, o açúcar, para propagar a doçura do canto de Paternope no céu e na terra e em todo o universo.

A sereia, então, feliz com tantos presentes, voltou para as profundezas cristalinas do mar e depositou suas preciosas ofertas aos pés dos deuses que, por sua vez, também eram encantados com o suave canto da sereia.

Assim, reuniram e misturaram com a arte divina, todo os ingredientes, transformando-os na primeira Pastiera di Grano, que superava a doçura do canto da sereia.”

A receita de hoje é exatamente a Pastiera di Grano, uma torta deliciosa, de sabor único que vai bem na ceia de reveillon.

Pastiera di grano

Ingredientes

Massa

3/4 de xícara (chá) de açúcar
4 xícaras (chá) de farinha de trigo
2 ovos
1 xícara (chá) de manteiga sem sal

Recheio

250 g de trigo em grãos
1/2 litro de leite integral
1 pitada de sal
raspas de limão verde
1 colher (sopa) de açúcar
500 g de ricota fresca
3 gemas
1½ xícaras de açúcar
1 colher (chá) de baunilha
1 colher (chá) de canela em pó
200 g de frutas cristalizadas
200 g de uvas passas escuras
3 claras em neve

Modo de preparo

Massa

Junte todos os ingredientes e misture bem. Não trabalhe demais a massa. Deixar descansar por 30 minutos, envolta em filme plástico, na geladeira.

Recheio

Deixe os grãos de trigo de molho na véspera e depois cozinhe por uns 25 minutos na panela de pressão. Em uma panela em fogo brando, coloque o trigo, uma colher de açúcar, meio litro de leite, as raspas de limão, a pitada de sal e deixe ferver, mexendo de vez em quando, até quase secar o leite. Reserve.

Hidrate as frutas secas e as uvas passas em um pouco de água morna, deixe uns minutos e depois escorra bem.

Em uma vasilha funda, misture bem a ricota esfarelada, as gemas bem batidas, o açúcar, a baunilha e a canela em pó. Junte a esta mistura o trigo apurado no leite, as frutas cristalizadas, as uvas passas e misture com cuidado.

Unte uma forma redonda, de fundo destacável, e forre o fundo e lateral com a massa. Reserve um pouco da massa para fazer o xadrez de cobertura.

Pastiera di grano trançadaBata as claras em ponto de neve e misture no recheio. Despeje esse recheio na forma, faça o xadrez com a massa reservada e leve ao forno a 180º C por 45 minutos ou até que esteja levemente dourada. Na hora de servir, pode pulverizar um pouco de açúcar fino de confeiteiro.

Caso prefiram, troquem as frutas cristalizadas por damasco seco.

Espero que gostem da receita e deixem seus comentários!

By Joemir Rosa.

Bolinhos de chuva

Posted in Receitas with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on 06/07/2013 by Joe

Bolinhos de chuva

A receita original do bolinho, lá pelo final do século XVIII, levava mandioca ou cará em sua composição. O trigo era um pouco caro, pois vinham de Portugal e raras eram as receitas com a “farinha do Reino”.

Em compensação, o bolinho era feito com muitos ovos, açúcar, leite e frito em gordura de porco. Recebia nomes um tanto curiosos, como “Quero Mais”, “Quero Quero”, “Desmamados”, entre outros.

Ele nunca teve a pretensão de ser doce de Sinhá, nem ter a delicadeza dos complicados pontos de caldas, das massas moldadas durante horas por mãos finas e delicadas. Sua vocação sempre foi o sabor e o encanto dos olhos das crianças, que ansiavam pela hora em que eles saíam dos tachos dos fogões de lenha, quando eram generosamente polvilhados com açúcar e canela perfumada.

Descontraídos, afetivos, leves, por muito tempo foram a comida do entrudo, do carnaval de então. Eram chamados de “Filós de Carnaval”, assim, com sotaque português. Levavam o sabor de mãos escravas e, talvez por isso, alguma sinhazinha ciumenta tenha lhes apelidado de Bolinhos de Negra.

Muitas escravas saíram do anonimato para ligar seus nomes a essa receita, homenagem que atravessou os séculos: ainda se encontram cadernos de receitas onde ele é chamado de “Bolinhos da Negra Ambrósia” ou da “Negra Marcionila”. Porém, a mais famosa entre as autoras do bolinho foi, sem dúvida, criada por Monteiro Lobato. Não há episódio entre as histórias do Sítio do Picapau Amarelo que não termine com Narizinho, Emília e Pedrinho comendo os “Bolinhos de Tia Nastácia”. Lembra infância.

Porque bolinho de chuva? Alguém, em alguma tarde de chuva já no século XX, disse que os bolinhos traziam a alegria às horas em que não se podia correr ou brincar nos quintais por causa do tempo chuvoso. Daí o novo nome que pegou e perdura até hoje!

Como sempre, versões da receita existem várias. Basta uma rápida pesquisa na própria internet ou nos cadernos de receitas de nossas avós e tias para descobrirmos algum detalhe diferente ou um ingrediente diferente.

Optei pela receita mais básica que conheço, praticada pela minha família há anos. Espero que gostem!

Bolinhos de chuva

Ingredientes

3 xícaras de farinha de trigo
2 ovos
1 xícara de leite
1 xícara de açúcar
1 pitada de sal
3 colheres (chá) de fermento em pó químico
óleo para fritar
açúcar e canela para polvilhar

Modo de preparo

Misture a farinha, os ovos, o leite, açúcar, sal e fermento. Misture bem e vá batendo a massa até que fique bem lisa e homogênea.

Aqueça o óleo em uma frigideira funda e vá colocando a massa às colheradas. Antes de colocar a colher na massa, molhe-a no óleo para que ela escorregue mais fácil para a frigideira. Faça bolinhos pequenos para que não fiquem crus por dentro.

Misture o açúcar e a canela em pó e passe por uma peneira fina. Depois de fritos os bolinhos, polvilhe-os nessa mistura de açúcar e canela. Sirva em seguida, ainda quentinhos.

By Joemir Rosa.

A cidade dos resmungos

Posted in Inspiração with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on 20/02/2012 by Joe

Era uma vez um lugar chamado Cidade dos Resmungos, onde todos resmungavam, resmungavam, resmungavam. No verão resmungavam que estava muito quente. No inverno, que estava muito frio. Quando chovia, as crianças choramingavam porque não podiam sair. Quando fazia sol reclamavam que não tinham o que fazer. Os vizinhos queixavam-se uns dos outros, os pais queixavam-se dos filhos, os irmãos das irmãs.

Todos tinham um problema e todos reclamavam que alguém deveria fazer alguma coisa.

Um dia chegou à cidade um mascate carregando um enorme cesto às costas. Ao perceber toda aquela inquietação e choradeira, colocou o cesto no chão e gritou:

– “Ó, cidadãos deste belo lugar! Os campos estão abarrotados de trigo, os pomares carregados de frutas. As cordilheiras estão cobertas de florestas espessas, e os vales banhados por rios profundos. Jamais vi um lugar abençoado por tantas conveniências e tamanha abundância. Por que tanta insatisfação? Aproximem-se, e eu lhes mostrarei o caminho para a felicidade”.

Ora, o povo olhava a camisa do mascate, que estava rasgada e puída. Havia remendos nas calças e buracos nos sapatos.

As pessoas riram que alguém como ele pudesse mostrar-lhes como ser feliz. Mas enquanto riam, ele puxou uma corda comprida do cesto e a esticou entre dois postes na praça da cidade. Então, segurando o cesto diante de si, gritou:

– “Povo desta cidade! Aqueles que estiverem insatisfeitos escrevam seus problemas em um pedaço de papel e ponham dentro deste cesto. Trocarei seus problemas por felicidade!”

A multidão, então, se aglomerou ao seu redor. Ninguém hesitou diante da chance de se livrar dos problemas. Todo homem, mulher e criança da vila rabiscou sua queixa num pedaço de papel e jogou no cesto.

Eles observaram o mascate pegar cada problema e pendurá-lo na corda. Quando ele terminou, havia problemas tremulando em cada polegada da corda, de um extremo a outro.

Então, ele disse:

– “Agora cada um de vocês deve retirar desta linha mágica o menor problema que puder encontrar”.

Todos correram para examinar os problemas.

Procuraram, manusearam os pedaços de papel e ponderaram, cada qual tentando escolher o menor problema.

Depois de algum tempo a corda estava vazia.

Eis que cada um segurava o mesmíssimo problema que havia colocado no cesto. Cada pessoa havia escolhido os seu próprio problema, julgando ser ele o menor da corda.

Daí por diante, o povo daquela cidade deixou de resmungar o tempo todo.

E sempre que alguém sentia o desejo de resmungar ou reclamar, pensava no mascate e na sua corda mágica.

By William J. Bennett, do livro “O Livro das virtudes II – O Compasso Moral.

Pizza enrolada

Posted in Receitas with tags , , , , , , , , , , , , , , on 18/02/2012 by Joe

Dizem que a história da pizza começa com os egípcios. Eles teriam sido os primeiros a misturar farinha com água. Outros afirmam que os pioneiros foram os gregos, que faziam massas a base de farinha de trigo, arroz ou grão-de-bico e assavam em tijolos quentes.

Ao contrário do conhecimento popular, apesar de tipicamente italiana, os babilônios, hebreus e egípcios já misturavam o trigo e amido e a água para assar em fornos rústicos há mais de 5000 anos. A massa era chamada de “pão-de-Abraão”, muito parecida com os pães árabes atuais e a ele eram acrescidos ervas e alho.

Os fenícios, sete séculos antes de Cristo, costumavam acrescentar coberturas de carne e cebola ao pão; os turcos muçulmanos adotaram esse costume durante a Idade Média e, por causa das cruzadas, essa prática chegou à Itália pelo porto de Nápoles, sendo em seguida incrementada em suas coberturas, dando origem à pizza que conhecemos hoje.

No início de sua existência, somente as ervas regionais e o azeite de oliva eram os ingredientes típicos da pizza, comuns no cotidiano da região. Os italianos foram os que acrescentaram o tomate, descoberto na América e levado a Europa pelos conquistadores espanhóis. Porém, nessa época a pizza ainda não tinha a sua forma característica, redonda, como a conhecemos hoje, mas sim dobrada ao meio, feito um sanduíche ou um calzone.

A pizza era um alimento de pessoas humildes do sul da Itália, quando, próximo do início do primeiro milênio, surge o termo “picea”, na cidade de Nápoles, considerada o berço da pizza. “Picea” indicava um disco de massa assada com ingredientes por cima. Servida com ingredientes baratos, por ambulantes, a receita objetivava “matar a fome”, principalmente da parte mais pobre da população. Normalmente a massa de pão recebia, como cobertura, o toucinho, peixes fritos e queijo.

Dizem que a fama da receita alastrou-se por toda a Itália e logo correu o mundo e fez surgir a primeira pizzaria que se tem notícia, a Port’Alba, ponto de encontro de artistas famosos da época, tais como Alexandre Dumas, que inclusive citou variações de pizzas em suas obras.

Chegou ao Brasil da mesma forma, por meio dos imigrantes italianos, e hoje pode ser encontrada facilmente na maioria das cidades brasileiras. Até meados de 1950 era muito mais comum ser encontrada em meio à colônia italiana, tornando-se logo em seguida parte da cultura deste país.

Receitas de pizzas existem aos montes, basta dar uma olhada rápida no Google. E cada um pode criar a sua própria, variando a combinação de ingredientes na cobertura.

Então, não serei eu quem vai sugerir alguma receita das já tradicionais pizzas tão consumidas em quase todo o país, principalmente nos sábados à noite.

A receita de hoje foge um pouco da pizza tradicional, principalmente no que diz respeito ao formato da pizza. Tenho certeza que todos vão curtir a ideia e, principalmente, a combinação de ingredientes do recheio. Saborosíssima!

Pizza enrolada

Ingredientes

Massa

2 tabletes de fermento biológico
3 colheres de sopa de açúcar
1 colher de chá de sal
3 ½ xícaras de chá de farinha de trigo
1 xícara de chá de água morna
1/2 xícara de chá de óleo de soja

Recheio

1 embalagem de requeijão cremoso
1 embalagem de linguiça fina cortada em rodelas
2 tomates picados sem pele e sem sementes
10 azeitonas pretas picadas
3 ramos de tomilho picados
1 colher de chá de sal
1 colher de sopa de azeite de oliva
1 gema de ovo batida

Modo de preparo

Numa vasilha dissolva o fermento com o açúcar, junte o sal e o óleo. Junte a farinha de trigo aos poucos, alternando com a água morna. Misture bem e amasse com as pontas dos dedos até obter uma massa homogênea e lisa. Cubra e deixe crescer até dobrar de volume.

Pré-aqueça o forno em temperatura média (180 ºC). Com ajuda de um rolo, abra os discos de massa em uma superfície polvilhada com farinha.

Cubra a superfície da massa com o requeijão. Numa vasilha à parte, misture a linguiça, os tomates, as azeitonas, o tomilho, o sal e regue com o azeite. Espalhe o recheio sobre o requeijão, enrole a pizza como rocambole e pincele com a gema.

Leve para assar em uma assadeira untada com margarina e polvilhada com farinha de trigo por, aproximadamente, 25 minutos ou até dourar.

Sirva quente, acompanhada por um bom vinho tinto ou … guaraná!

Bom apetite!

By Joemir Rosa.

A cidade dos resmungos

Posted in Inspiração with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on 29/06/2010 by Joe

Era uma vez um lugar chamado Cidade dos Resmungos, onde todos resmungavam, resmungavam, resmungavam. No verão, resmungavam que estava muito quente. No inverno, que estava muito frio. Quando chovia, as crianças choramingavam porque não podiam sair. Quando fazia sol, reclamavam que não tinham o que fazer. Os vizinhos queixavam-se uns dos outros, os pais queixavam-se dos filhos, os irmãos das irmãs.

Todos tinham um problema e todos reclamavam que alguém deveria fazer alguma coisa.

Um dia chegou à cidade um mascate carregando um enorme cesto às costas. Ao perceber toda aquela inquietação e choradeira, pos o cesto no chão e gritou :

– “Ó cidadãos deste belo lugar! Os campos estão abarrotados de trigo, os pomares carregados de frutas. As cordilheiras estão cobertas de florestas espessas, e os vales banhados por rios profundos. Jamais vi um lugar abençoado por tantas conveniências e tamanha abundância. Por que tanta insatisfação ? Aproximem-se, e eu lhes mostrarei o caminho para a felicidade”.

Ora, o povo olhava a camisa do mascate, que estava rasgada e puída. Havia remendos nas calças e buracos nos sapatos.

As pessoas riram que alguém como ele pudesse mostrar-lhes como ser feliz. Mas, enquanto riam, ele puxou uma corda comprida do cesto e a esticou entre dois postes na praça da cidade. Então segurando o cesto diante de si, gritou:

– “Povo desta cidade! Aqueles que estiverem insatisfeitos, escrevam seus problemas num pedaço de papel e ponham dentro deste cesto. Trocarei seus problemas por felicidade!”

A multidão se aglomerou ao seu redor. Ninguém hesitou diante da chance de se livrar dos problemas. Todo homem, mulher e criança da vila rabiscou sua queixa num pedaço de papel e jogou no cesto.

Eles observaram o mascate pegar cada problema e pendurá-lo na corda. Quando ele terminou, havia problemas tremulando em cada polegada da corda, de um extremo a outro.

Então, ele disse :

– “Agora cada um de vocês deve retirar desta linha mágica o menor problema que puder encontrar”.

Todos correram para examinar os problemas.

Procuraram, manusearam os pedaços de papel e ponderaram, cada qual tentando escolher o menor problema.

Depois de algum tempo a corda estava vazia.

Eis que cada um segurava o mesmíssimo problema que havia colocado no cesto. Cada pessoa havia escolhido os seu próprio problema, julgando ser ele o menor da corda.

Daí por diante, o povo daquela cidade deixou de resmungar o tempo todo.

E sempre que alguém sentia o desejo de resmungar ou reclamar, pensava no mascate e na sua corda mágica.

By William J. Bennett, do livro “O Livro das virtudes II – O Compasso Moral.

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