Arquivo para Tato

Sexo

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Sexo

– “Mestre, por que o sexo se transformou em um tabu?”

– “Porque é um processo de alquimia: ele transforma em um gesto físico toda uma gigantesca manifestação de energia espiritual chamada amor. Não podemos entender o sexo como o vemos hoje – uma simples resposta a alguns estímulos físicos.

Na verdade, ele é muito mais que isso e carrega consigo toda a carga cultural do homem e da humanidade. Cada vez que estamos diante de uma nova experiência, trazemos todas as nossas experiências passadas – boas ou más – e os conceitos que a civilização transformou em regras. Não pode ser assim, é preciso descondicionar o cérebro para que cada experiência sexual seja única, assim como cada experiência amorosa é única.”

– “Muito difícil!”

– “Muito. Mas é preciso tentar porque a quase totalidade dos seres humanos necessita manter esta energia em movimento. Então, a primeira coisa é entender que ela é composta de dois extremos, que vão caminhar juntos durante todo o ato: relaxamento e tensão. Como colocar estes dois estados opostos em sintonia? Só existe uma maneira: através da entrega. Como entregar-se? Esquecendo os traumas do passado e não tentando criar expectativas sobre o futuro – ou seja, o orgasmo. Como fazer isso? Muito simples: não tendo medo de errar.

Na verdade, na maioria das vezes, já entramos numa relação sexual pensando que tudo pode dar errado. Mesmo que fosse assim, que importância tem isso? Basta você estar consciente de que precisa dar o melhor de si e o errado se transforma em certo.

À medida que a busca do prazer é feita com entrega, com sinceridade, sentimos que o corpo vai ficando tenso como a corda de um arqueiro, mas a mente vai relaxando, como a flecha que se prepara para ser disparada. O cérebro já não governa o processo, que passa a ser guiado pelo coração. E o coração utiliza os cinco sentidos para mostrar-se ao outro”.

– “Os cinco sentidos?”

– “Tato, olfato, visão, audição e paladar, todos estão envolvidos. É engraçado que, na maioria das relações sexuais, as pessoas tentam usar apenas o tato e a visão; agindo assim, empobrecem a plenitude da experiência”.

– “Os dois parceiros precisam saber isso tudo?”

– “Se um parceiro se entrega por completo, ele quebra o bloqueio do outro, por mais forte que seja. Porque o ato da entrega significa: ‘eu confio em você’. O outro, que a princípio está um pouco intimidado, querendo provar coisas que não estão em jogo, fica desarmado com a espontaneidade de tal atitude e relaxa. Neste momento, a verdadeira energia sexual entra em jogo.

E esta energia não está apenas nas partes que chamamos de “erógenas”. Ela se espalha pelo corpo inteiro, por cada fio de cabelo, pedaço de pele. Cada mílimetro está agora emanando uma luz diferente, que é reconhecida pelo outro corpo e se combina com ele.

Quando isso acontece, entramos numa espécie de ritual ancestral, que é uma oportunidade de transformação. Um ritual, seja ele qual for, exige que você esteja pronto para deixar-se conduzir a uma nova percepção do mundo. É essa vontade que faz com que o ritual tenha sentido.”

– “Não é muito complicado tudo isso?”

– “É muito mais complicado fazer sexo como o vemos ser feito hoje, um simples ato mecânico, que provoca tensão durante o ato e um vazio no final. Tudo o que é espiritual se manifesta de forma visível, tudo que é visível se transforma em energia espiritual… não creio que seja complicado entender isso. Afinal, já nascemos sabendo que possuimos um corpo e uma alma: porque não entender que o sexo também as possui?”

– “Já que precisamos mudar nossa atitude com relação ao sexo, qual o primeiro passo?”

– “Eu já disse: a entrega. As pessoas pensam que, antes de se permitirem qualquer prazer, precisam resolver todos os seus problemas e não é bem assim. As pessoas só resolvem os seus problemas se se permitirem ser elas mesmas.

Existe, porém, uma coisa muito curiosa: no ato sexual somos extremamente generosos e a maior preocupação é justamente com o parceiro. Pensamos que não vamos conseguir dar o prazer que ele merece – e a partir daí nosso prazer também diminui, ou desaparece por completo”.

– “Não é um ato de amor, como você dizia?”

– “Depende. Na verdade, é um ato de culpa, de achar-se sempre aquém das expectativas dos outros. Numa situação como essa, a palavra ‘expectativa’ precisa ser banida por completo. Se estamos dando o melhor de nós mesmos, não há por que se preocupar.

É preciso ter consciência que, quando dois corpos se encontram, eles estão entrando juntos num território desconhecido. Transformar isso numa experiência cotidiana é perder a maravilha da aventura. Se, entretanto, nos deixamos guiar nesta viagem, terminaremos descobrindo horizontes que nunca podíamos imaginar que existissem”.

– “Existe alguma chave?”

– “A primeira é: você não está sozinho. Se outra pessoa o ama, está sentindo as mesmas dúvidas, por mais segura que possa parecer.

A segunda: abra a caixa secreta de suas fantasias e não tenha medo de aceitá-las. Não existe um padrão sexual e você precisa encontrar o seu, respeitando apenas uma proibição: jamais fazer algo sem o consentimento do outro.

A terceira: dê ao sagrado o sentido do sagrado. Para isso é preciso ter a inocência de uma criança e aprender a aceitar o milagre como uma bênção. Seja criativo, purifique sua alma através de rituais que você mesmo inventa – como criar um espaço sagrado, fazer oferendas, aprender a rir junto com o outro para quebrar as barreiras da inibição. Entenda que o que está fazendo é uma manifestação da energia de Deus.

A quarta: explore o seu lado oposto. Se voce é um homem, procure às vezes pensar e agir como uma mulher – e vice versa.

A quinta: entenda que o orgasmo físico não é exatamente o único objetivo de uma relação sexual, mas uma consequência, que pode ou não acontecer. O prazer nada tem a ver com o orgasmo, mas com o encontro.

A sexta: seja como um rio, fluindo entre duas margens opostas, como montanha e areia. De um lado está a tensão natural, do outro está o relaxamento completo.

A sétima: identifique seus medos e compartilhe com o seu parceiro.

E, finalmente, a oitava: permita-se ter prazer! Assim como você está ansioso para dar prazer, a outra pessoa também quer fazer o mesmo. Se, quando dois corpos se encontram, ambos querem dar e receber, os problemas desaparecem.

Diz Alexander Lowen que o comportamento natural do ser humano é estar aberto à vida e ao amor. Entretanto, nossa cultura nos fez acreditar que não é assim, que devemos estar fechados e desconfiados. Pensamos que, agindo desta maneira, não seremos feridos pelas surpresas da vida, quando, na verdade, o que acontece é que não estamos aproveitando nada.”

By Paulo Coelho, da série “Diálogos com o Mestre”.

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Pilates para o cérebro

Posted in Ciência with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on 14/03/2012 by Joe

Está esquecido?

“Como se chama aquele filme no qual a artista que aparece é belíssima? Sim, homem, ela é alta, de cabelos negros, trabalhou algumas vezes com aquele ator maravilhoso que se chama… que trabalhou numa peça de teatro muito famosa. Já sabe de quem estou falando, não?”

Assim começamos …

A partir dos trinta anos, em geral, começamos notar que temos pequenos esquecimentos:

– “Como se chama aquele menino? Eu o conheço muito bem…”

– “A que horas era o encontro, às 5:00 ou 5:30?”

– “Este aparelho, como é mesmo que me disseram que funcionava?”

– “Puxa, onde mesmo que deixei as minhas chaves?”

– “Caramba! Em que andar estacionei meu carro?”

Mas nada é pior como quando exclamamos:

– “Roubaram meu carro!”, sem nos darmos conta de que saimos por outra porta do shopping center…

Ainda que estes pequenos esquecimentos não afetem nossa vida, nos causam ansiedade. Com um certo terror começamos a achar que nosso cérebro está começando a converter-se em gelatina e começamos a nos preocupar se vamos ficar como aquela tia idosa que recorda com pequenos detalhes tudo sobre sua infância, mas não pode lembrar-se do que fez ontem ou mesmo esta manhã.

Se isto lhe parece familiar, não se preocupe, há esperança!

Existem muitos mitos em que as pessoas, equivocadamente, relacionam a idade com a falta de memória. Os neurocientistas têm comprovado que a perda de memória de curto prazo não se deve à idade ou à morte dos neurônios – que realmente morrem, mas se regeneram – mas sim à redução do número de conexões entre si, dos neurônios ou dentritas (ramos dos neurônios).

Isto acontece por uma simples razão: falta de uso. É muito simples: assim como se atrofia um músculo sem uso, as dentritas também atrofiam se não se conectam com frequência, e a habilidade do cérebro para receber nova informação se reduz.

É certo, o exercício ajuda muito a alertar a mente; também há vitaminas e remédios que aumentam e fortalecem a memória. Entretanto, nada como fazer com que nosso cérebro fabrique seu próprio alimento: as neurotrofinas.

As neurotrofinas são moléculas que produzem e secretam as células nervosas e atuam como alimento para manterem-se saudáveis. Quanto mais ativas estejam as células do cérebro, mais quantidade de neurotrofinas produzem e isto gera mais conexões entre as distintas áreas do cérebro.

O que necessitamos é fazer Pilates com os neurônios: esticá-los, surpreendê-los, sair de sua rotina, apresentar-lhes novidades inesperadas e divertidas através das emoções, do olfato, da visão, do tato, do paladar e da audição. O resultado? O cérebro se torna mais flexível, mais ágil e sua capacidade de memória aumenta.

Provavelmente está pensando: “eu leio, trabalho, faço exercícios e mil coisas mais durante o dia, assim minha mente deve estar muito estimulada”.

A verdade é que a vida da maioría de nós converte-se numa série de rotinas. Pense num dia ou semana comum e corrente. O que há de diferente na sua rotina diária? O caminho para o trabalho, a hora que almoça ou regressa para sua casa, o tempo que passa no carro, o tempo e os programas que vê na televisão?

As atividades rotineiras são inconscientes e fazem com que e cérebro funcione automaticamente e que requeira um mínimo de energia. As experiências passam pelas mesmas estradas neuronais já formadas. Não há produção de neurotrofinas.

É preciso fazer alguns exercícios que expandem substancialmente as dentritas e a produção de neurotrofinas.

– Tente, pelos menos uma vez por semana, tomar uma ducha com os olhos fechados. Só com o tato, localizar as torneiras, ajustar a temperatura da água, pegar o sabonete, o shampoo ou creme condicionador. Verá como as suas mãos notarão texturas que nunca havia percebido antes.

– Utilize a mão não-dominante. Coma, escreva, abra as pastas, escove os dentes, abra a gaveta com a mão que mais trabalho te custe usar. Leia em voz alta: distintos circuitos serão ativados, além dos que usa para ler em silêncio.

– Troque as suas rotas ao sair de casa, passe por diferentes caminhos para ir ao trabalho ou na volta para casa. Altere suas rotinas. Faça coisas diferentes. Saia, conheça e fale com pessoas de diferente idades, trabalhos e ideologias. Experimente o inesperado.

– Use as escadas ao invés do elevador. Saia para o campo, caminhe, ouça-o. Troque a localização de algumas coisas. Saber onde tudo está significa que o cérebro já construiu um mapa. Mude, por exemplo, o recipiente de lixo de lugar, e você vai ver o número de vezes que vai atirá-lo no antigo local.

– Aprenda uma habilidade, qualquer coisa: pode ser fotografia, culinária, yoga, estude um novo idioma. Se você gosta de quebra-cabeças ou figuras, cubra um olho para perder a percepção de profundidade, de modo que o cérebro tenha que confiar e buscar outras rotas. Identifique objetos. Coloque no carro uma xícara com várias moedas diferentes e tateie a mão para que, enquanto esteja parado em um semáforo, com os dedos tente identificar cada uma.

Porque não abrimos a mente e provamos esses exercicios tão simples que, de acordo com os estudos de Neurobiologia do Duke University Medical Center, ampliam nossa memória?

Com sorte, nunca mais voltaremos a perguntar:

Onde dexei minhas chaves?

Desconheço a autoria.

Sexo

Posted in Sexo with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on 30/11/2011 by Joe

– “Mestre, por que o sexo se transformou em um tabu?”

– “Porque é um processo de alquimia: ele transforma em um gesto físico toda uma gigantesca manifestação de energia espiritual, chamada amor. Não podemos entender o sexo como o vemos hoje – uma simples resposta a alguns estímulos físicos.

Na verdade, ele é muito mais que isso e carrega consigo toda a carga cultural do homem e da humanidade. Cada vez que estamos diante de uma nova experiência, trazemos todas as nossas experiências passadas – boas ou más – e os conceitos que a civilização transformou em regras. Não pode ser assim, é preciso descondicionar o cérebro para que cada experiência sexual seja única, assim como cada experiência amorosa é única.”

– “Muito difícil…”

– “Muito. Mas é preciso tentar porque a quase totalidade dos seres humanos necessita manter esta energia em movimento. Então, a primeira coisa é entender que ela é composta de dois extremos, que vão caminhar juntos durante todo o ato: relaxamento e tensão. Como colocar estes dois estados opostos em sintonia? Só existe uma maneira: através da entrega. Como entregar-se? Esquecendo os traumas do passado e não tentando criar expectativas sobre o futuro – ou seja, o orgasmo. Como fazer isso? Muito simples: não tendo medo de errar.

Na verdade, na maioria das vezes, já entramos numa relação sexual pensando que tudo pode dar errado. Mesmo que fosse assim, que importância tem isso? Basta você estar consciente de que precisa dar o melhor de si e o errado se transforma em certo.

À medida que a busca do prazer é feita com entrega, com sinceridade, sentimos que o corpo vai ficando tenso como a corda de um arqueiro, mas a mente vai relaxando, como a flecha que se prepara para ser disparada. O cérebro já não governa o processo, que passa a ser guiado pelo coração. E o coração utiliza os cinco sentidos para mostrar-se ao outro”.

– “Os cinco sentidos?”

– “Tato, olfato, visão, audição e paladar, todos estão envolvidos. É engraçado que, na maioria das relações sexuais, as pessoas tentam usar apenas o tato e a visão; agindo assim, empobrecem a plenitude da experiência”.

– “Os dois parceiros precisam saber isso tudo?”

– “Se um parceiro se entrega por completo, ele quebra o bloqueio do outro, por mais forte que seja. Porque o ato da entrega significa: “eu confio em você”. O outro, que a princípio está um pouco intimidado, querendo provar coisas que não estão em jogo, fica desarmado com a expontaneidade de tal atitude, e relaxa. Neste momento, a verdadeira energia sexual entra em jogo.

E esta energia não está apenas nas partes que chamamos de “eróticas”. Ela se espalha pelo corpo inteiro, por cada fio de cabelo, pedaço de pele. Cada mílimetro está agora emanando uma luz diferente, que é reconhecida pelo outro corpo e se combina com ele.

Quando isso acontece, entramos numa espécie de ritual ancestral, que é uma oportunidade de transformação. Um ritual, seja ele qual for, exige que você esteja pronto para deixar-se conduzir a uma nova percepção do mundo. É essa vontade que faz com que o ritual tenha sentido.”

– “Não é muito complicado tudo isso?”

– “É muito mais complicado fazer sexo como o vemos ser feito hoje, um simples ato mecânico, que provoca tensão durante o ato e um vazio no final. Tudo o que é espiritual se manifesta de forma visível, tudo que é visível se transforma em energia espiritual… não creio que seja complicado entender isso. Afinal, já nascemos sabendo que possuimos um corpo e uma alma: por que não entender que o sexo também as possui?”

– “Já que precisamos mudar nossa atitude com relação ao sexo, qual o primeiro passo?”

– “Eu já disse: a entrega. As pessoas pensam que, antes de se permitirem qualquer prazer, precisam resolver todos os seus problemas e não é bem assim. As pessoas só resolvem os seus problemas se se permitirem ser elas mesmas.

Existe, porém, uma coisa muito curiosa: no ato sexual somos extremamente generosos e a maior preocupação é justamente com o parceiro. Pensamos que não vamos conseguir dar o prazer que ele merece – e a partir daí nosso prazer também diminui, ou desaparece por completo”.

– “Não é um ato de amor, como você dizia?”

– “Depende. Na verdade, é um ato de culpa, de achar-se sempre aquém das expectativas dos outros. Numa situação como essa, a palavra “expectativa” precisa ser banida por completo. Se estamos dando o melhor de nós mesmos, não há por que se preocupar.

É preciso ter consciência que, quando dois corpos se encontram, eles estão entrando juntos num território desconhecido. Transformar isso numa experiência cotidiana é perder a maravilha da aventura. Se, entretanto, nos deixamos guiar nesta viagem, terminaremos descobrindo horizontes que nunca podíamos imaginar que existissem”.

– “Existe alguma chave?”

– “A primeira é: você não está sózinho. Se outra pessoa o ama, está sentindo as mesmas dúvidas, por mais segura que possa parecer!

A segunda: abra a caixa secreta de suas fantasias e não tenha medo de aceitá-las. Não existe um padrão sexual e você precisa encontrar o seu, respeitando apenas uma proibição: jamais fazer algo sem o consentimento do outro!

A terceira: dê ao sagrado o sentido do sagrado. Para isso é preciso ter a inocência de uma criança e aprender a aceitar o milagre como uma benção. Seja criativo, purifique sua alma através de rituais que você mesmo inventa – como criar um espaço sagrado, fazer oferendas, aprender a rir junto com o outro para quebrar as barreiras da inibição. Entenda que o que está fazendo é uma manifestação da energia de Deus!

A quarta: explore o seu lado oposto. Se voce é um homem, procure às vezes pensar e agir como uma mulher – e vice versa!

A quinta: entenda que o orgasmo físico não é exatamente o único objetivo de uma relação sexual, mas uma consequência, que pode ou não acontecer. O prazer nada tem a ver com o orgasmo, mas com o encontro!

A sexta: seja como um rio, fluindo entre duas margens opostas, como montanha e areia. De um lado está a tensão natural, do outro está o relaxamento completo!

A sétima: identifique seus medos e compartilhe com o seu parceiro!

E, finalmente, a oitava: permita-se ter prazer! Assim como você está ansioso para dar prazer, a outra pessoa também quer fazer o mesmo. Se, quando dois corpos se encontram, ambos querem dar e receber, os problemas desaparecem!

Diz Alexander Lowen que o comportamento natural do ser humano é estar aberto à vida e ao amor. Entretanto, nossa cultura nos fez acreditar que não é assim, que  devemos estar fechados e desconfiados. Pensamos que, agindo desta maneira, não seremos feridos pelas surpresas da vida, quando, na verdade, o que acontece é que não estamos aproveitando nada.”

By Paulo Coelho, da série “Diálogos com o Mestre”. 

Dança de salão

Posted in Relacionamentos with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on 30/06/2011 by Joe

Há trinta anos os adolescentes encontravam o sexo oposto em bailes de salão organizados por clubes, igrejas ou pais responsáveis, preocupados com o sucesso reprodutivo de seus rebentos.

Na dança de salão o homem tem uma série de obrigações, como cuidar da mulher, planejar o rumo, variar os passos, segurar com firmeza e orientar delicadamente o corpo de uma mulher.

Homens levam três vezes mais tempo para aprender a dançar do que mulheres. Não que eles sejam menos inteligentes, mas porque têm muito mais funções a executar.

Essa sobrecarga em cima do homem permite à mulher avaliar rapidamente a inteligência do seu par, sua capacidade de planejamento, a sua reação em situações de estresse.

A mulher só precisa acompanhá-lo. Ela pode dedicar seu tempo única e exclusivamente à tarefa de avaliação do homem.

Uma mulher precisa de muito mais informações do que um homem para se apaixonar, e a dança permitia a ela avaliar o homem na delicadeza do trato, na firmeza da condução, no carinho do toque, no companheirismo e no significado que ele dava ao seu par.

Ela podia analisar como o homem lidava com o fracasso, quando, inadvertidamente, dava uma pisada no seu pé. Podia ver como ele se desculpava, se é que se desculpava, ou se era do tipo que culpava os outros.

Essa convenção social de antigamente permitia ao sexo feminino avaliar, numa única noite, vinte rapazes entre os 500 presentes num grande baile.

As mulheres faziam um verdadeiro teste psicológico, físico e social de um futuro marido e obtinham o que poucos testes psicológicos revelam.

Em poucos minutos conseguiam ter uma primeira noção de inteligência, criatividade, coordenação, tato, carinho, cooperação, paciência, perseverança e liderança de um futuro par.

Infelizmente perdemos esse costume porque se começou a considerar a dança de salão uma submissão da mulher ao poder do homem, porque era o homem quem convidava e conduzia a mulher.

Criaram o disco dancing, em que homem e mulher dançam separados; o homem não mais conduz, nem sequer toca no corpo da mulher. O som é tão elevado que nem dá para conversar; os usuais 130 decibéis nem permitem algum tipo de interação entre os sexos.

Por isso, os jovens criaram o costume de “ficar”, o que permite a uma garota conhecer, pelo menos, um homem por noite sem compromisso, em vez de conhecer vinte rapazes numa noite, também sem compromissos maiores.

Pior: hoje o primeiro contato de fato de um rapaz com o corpo de uma mulher é no ato sexual, o que, no início, é um desastre. Acabam fazendo sexo mecanicamente, em vez de romanticamente, feito a extensão natural de um tango ou bolero.

Grandes dançarinos são grandes amantes, e não é por coincidência que mulheres adoram homens que realmente sabem dançar e se apaixonam facilmente por eles.

Masculinizamos as mulheres no disco dancing, em vez de tornar os homens mais sensíveis, carinhosos e preocupados com o trato do corpo da mulher.

Não é por acaso que aumentou a violência no mundo, especialmente a violência contra as mulheres. Não é à toa que perdemos o romantismo, o companheirismo e a cooperação entre os sexos.

Hoje uma garota ou um rapaz tem de escolher o seu par num grupo muito restrito de pretendentes, e com pouca informação de ambas as partes, ao contrário de antigamente.

Eu não acredito que homens virem monstros e mulheres virem megeras depois de casados. As pessoas mudam muito pouco ao longo da vida; na realidade, elas continuam a ser o que eram antes de se casar.

Você é que não percebeu, ou não soube avaliar, porque perdemos os mecanismos de antigamente, de seleção a partir de um grupo enorme de possíveis candidatos.

Fico feliz ao notar a volta da dança de salão, dos cursos de forró, tango e bolero, em que novamente os dois sexos dançam juntos, colados e em harmonia.

Entre o olhar interessado e o “ficar” descompromissado, eliminamos, infelizmente, uma importante etapa social, que era dançar, costume de todos os povos desde o início dos tempos.

Se você for mãe de um filho, ajude a reintroduzir a dança de salão nos clubes, nas festas e nas igrejas, para que homens aprendam a lidar com carinho com o corpo de uma mulher.

Se você for mãe de uma filha, devolva a ela a oportunidade que seus pais lhe deram, em vez de deixar sua filha surda, casada com um brutamontes, confuso e insensível idiota.

By Stephen Kanitz.

“A educação pode tudo: ela faz dançar os ursos” (by Leibniz).

Pilates para o cérebro

Posted in Ciência with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on 08/06/2010 by Joe

“Como se chama aquele filme no qual a artista que aparece é belíssima? Sim, homem, ela é alta, de cabelos negros, trabalhou algumas vezes com aquele ator maravilhoso que se chama… que trabalhou numa peça de teatro muito famosa. Já sabe de quem estou falando, não?”

Está esquecido? Assim começamos …

A partir dos trinta anos, em geral, começamos notar que temos pequenos esquecimentos:

– “Como se chama aquele menino? Eu o conheço muito bem…”

– “A que horas era o encontro, às 5:00 ou 5:30?”

– “Este aparelho, como é mesmo que me disseram que funcionava?”

– ‘Puxa, onde mesmo que deixei as minhas chaves?”

– “Puxa! Em que andar estacionei meu carro?”

Mas nada é pior como quando exclamamos:

– “Roubaram meu carro!”, sem nos darmos conta de que saimos por outra porta do shopping center …

Ainda que estes pequenos esquecimentos não afetem nossa vida, nos causam ansiedade. Com um certo terror começamos a achar que nosso cérebro está começando a converter-se em gelatina e começamos a nos preocupar se vamos ficar como aquela tia idosa, que recorda com pequenos detalhes tudo sobre sua infância, mas não pode lembrar-se do que fez ontem ou mesmo esta manhã.

Se isto lhe parece familiar, não se preocupe, há esperança!

Existem muitos mitos em que as pessoas, equivocadamente, relacionam a idade com a falta de memória. Os neurocientistas têm comprovado que a perda de memória de curto prazo não se deve à idade ou à morte dos neurônios, que realmente morrem, mas se regeneram, mas sim à redução do número de conexões entre si, dos neurônios ou dentritas (ramos dos neurônios).

Isto acontece por uma simples razão: falta de uso. É muito simples. Assim como se atrofia um músculo sem uso, as dentritas também atrofiam se não se conectam com frequência, e a habilidade do cérebro para receber nova informação se reduz.

É certo, o exercício ajuda muito a alertar a mente; também há vitaminas e remédios que aumentam e fortalecem a memória. Entretanto, nada como fazer com que nosso cérebro fabrique seu próprio alimento:  as neurotrofinas.

As neurotrofinas são moléculas que produzem e secretam as células nervosas e atuam como alimento para manterem-se saudáveis. Quanto mais ativas estejam as células do cérebro, mais quantidade de neurotrofinas produzem e isto gera mais conexões entre as distintas áreas do cérebro.

O que necessitamos é fazer Pilates com os neurônios: esticá-los, surpreendê-los, sair de sua rotina, apresentar-lhes novidades inesperadas e divertidas através das emoções, do olfato, da visão, do tato, do paladar e da audição. O resultado? O cérebro se torna mais flexível, mais ágil e sua capacidade de memória aumenta.

Provavelmente está pensando: “eu leio, trabalho, faço exercícios e mil coisas mais durante o dia, assim minha mente deve estar muito estimulada”.

A verdade é que a vida da maioría de nós converte-se numa série de rotinas. Pense num dia ou semana comum e corrente. O que há de diferente na sua rotina diária? O caminho para o trabalho, a hora que almoça ou regressa pra sua casa, o tempo que passa no carro, o tempo e os programas que vê na televisão?

As atividades rotineiras são inconscientes e fazem com que e cérebro funcione automaticamente e que requeira um mínimo de energia. As experiências passam pelas mesmas estradas neuronais já formadas. Não há produção de neurotrofinas.

É preciso fazer alguns exercícios que expandem substancialmente as dentritas e a produção de neurotrofinas.

Tente, pelos menos uma vez por semana, tomar uma ducha com os olhos fechados. Só com o tato, localizar as torneiras, ajustar a temperatura da água, pegar o sabonete, o shampoo ou creme condicionador. Verá como as suas mãos notarão texturas que nunca havia percebido antes.

Utilize a mão não-dominante. Coma, escreva, abra as pastas, escove os dentes, abra a gaveta com a mão que mais trabalho te custe usar. Leia em voz alta: distintos circuitos serão ativados, além dos que usa para ler em silêncio.

Troque as suas rotas ao sair de casa, passe por diferentes caminhos para ir ao trabalho ou na volta para casa. Altere suas rotinas. Faça coisas diferentes. Saia, conheça e fale com pessoas de diferente idades, trabalhos e ideologias. Experimente o inesperado. Use as escadas ao invés do elevador. Saia para o campo, caminhe, ouça-o. Troque a localização de algumas coisas. Saber onde tudo está significa que o cérebro já construiu um mapa. Mude, por exemplo, o recipiente de lixo de lugar, e você vai ver o número de vezes que vai atirá-lo no antigo local.

Aprenda uma habilidade, qualquer coisa: pode ser fotografia, culinária, yoga, estude um novo idioma. Se você gosta de quebra-cabeças ou figuras, cubra um olho para perder a percepção de profundidade, de modo que o cérebro tenha que confiar e buscar outras rotas. Identifique objetos. Coloque no carro uma xícara com várias moedas diferentes e tateie a mão para que, enquanto esteja parado em um semáforo, com os dedos tente identificar cada uma.

Porque não abrimos a mente e provamos esses exercicios tão simples que, de acordo com os estudos de Neurobiologia do Duke University Medical Center, ampliam nossa memória?

Com sorte, nunca mais voltaremos a perguntar:

Onde dexei minhas chaves?

Autoria desconhecida.

Sexo

Posted in Reflexão with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on 30/03/2010 by Joe

– “Mestre, por que o sexo se transformou em um tabu?”

– “Porque é um processo de alquimia: ele transforma em um gesto físico toda uma gigantesca manifestação de energia espiritual, chamada amor. Não podemos entender o sexo como o vemos hoje – uma simples resposta a alguns estímulos físicos.

Na verdade, ele é muito mais que isso e carrega consigo toda a carga cultural do homem e da humanidade. Cada vez que estamos diante de uma nova experiência, trazemos todas as nossas experiencias passadas – boas ou más – e os conceitos que a civilização transformou em regras. Não pode ser assim, é preciso descondicionar o cérebro para que cada experiência sexual seja única, assim como cada experiência amorosa é única.”

– “Muito difícil!”

– “Muito. Mas é preciso tentar porque a quase totalidade dos seres humanos necessita manter esta energia em movimento. Então, a primeira coisa é entender que ela é composta de dois extremos, que vão caminhar juntos durante todo o ato: relaxamento e tensão. Como colocar estes dois estados opostos em sintonia? Só existe uma maneira: através da entrega. Como entregar-se? Esquecendo os traumas do passado e não tentando criar expectativas sobre o futuro – ou seja, o orgasmo. Como fazer isso? Muito simples: não tendo medo de errar.

Na verdade, na maioria das vezes, já entramos numa relação sexual pensando que tudo pode dar errado. Mesmo que fosse assim, que importância tem isso? Basta você estar consciente de que precisa dar o melhor de si e o errado se transforma em certo.

À medida que a busca do prazer é feita com entrega, com sinceridade, sentimos que o corpo vai ficando tenso como a corda de um arqueiro, mas a mente vai relaxando, como a flecha que se prepara para ser disparada. O cérebro já não governa o processo, que passa a ser guiado pelo coração. E o coração utiliza os cinco sentidos para mostrar-se ao outro”.

– “Os cinco sentidos?”

– “Tato, olfato, visão, audição e paladar, todos estão envolvidos. É engraçado que, na maioria das relações sexuais, as pessoas tentam usar apenas o tato e a visão; agindo assim, empobrecem a plenitude da experiência”.

– “Os dois parceiros precisam saber isso tudo?”

– “Se um parceiro se entrega por completo, ele quebra o bloqueio do outro, por mais forte que seja. Porque o ato da entrega significa: ‘eu confio em você’. O outro, que a princípio está um pouco intimidado, querendo provar coisas que não estão em jogo, fica desarmado com a expontaneidade de tal atitude, e relaxa. Neste momento, a verdadeira energia sexual entra em jogo.

E esta energia não está apenas nas partes que chamamos de “eróticas”. Ela se espalha pelo corpo inteiro, por cada fio de cabelo, pedaço de pele. Cada mílimetro está agora emanando uma luz diferente, que é reconhecida pelo outro corpo e se combina com ele.

Quando isso acontece, entramos numa espécie de ritual ancestral, que é uma oportunidade de transformação. Um ritual, seja ele qual for, exige que você esteja pronto para deixar-se conduzir a uma nova percepção do mundo. É essa vontade que faz com que o ritual tenha sentido.”

– “Não é muito complicado tudo isso?”

– “É muito mais complicado fazer sexo como o vemos ser feito hoje, um simples ato mecânico, que provoca tensão durante o ato e um vazio no final. Tudo o que é espiritual se manifesta de forma visível, tudo que é visível se transforma em energia espiritual … não creio que seja complicado entender isso. Afinal, já nascemos sabendo que possuimos um corpo e uma alma: porque não entender que o sexo também as possui?”

– “Já que precisamos mudar nossa atitude com relação ao sexo, qual o primeiro passo?”

– “Eu já disse: a entrega. As pessoas pensam que, antes de se permitirem qualquer prazer, precisam resolver todos os seus problemas e não é bem assim. As pessoas só resolvem os seus problemas se se permitirem ser elas mesmas.

Existe, porém, uma coisa muito curiosa: no ato sexual somos extremamente generosos e a maior preocupação é justamente com o parceiro. Pensamos que não vamos conseguir dar o prazer que ele merece – e a partir daí nosso prazer também diminui, ou desaparece por completo”.

– “Não é um ato de amor, como você dizia?”

– “Depende. Na verdade, é um ato de culpa, de achar-se sempre aquém das expectativas dos outros. Numa situação como essa, a palavra ‘expectativa’ precisa ser banida por completo. Se estamos dando o melhor de nós mesmos, não há por que se preocupar.

É preciso ter consciência que, quando dois corpos se encontram, eles estão entrando juntos num território desconhecido. Transformar isso numa experiência cotidiana é perder a maravilha da aventura.

Se, entretanto, nos deixamos guiar nesta viagem, terminaremos descobrindo horizontes que nunca podíamos imaginar que existissem”.

– “Existe alguma chave?”

– “A primeira é: você não está sózinho. Se outra pessoa o ama, está sentindo as mesmas dúvidas, por mais segura que possa parecer.

A segunda: abra a caixa secreta de suas fantasias e não tenha medo de aceitá-las. Não existe um padrão sexual e você precisa encontrar o seu, respeitando apenas uma proibição: jamais fazer algo sem o consentimento do outro.

A terceira: dê ao sagrado o sentido do sagrado. Para isso é preciso ter a inocência de uma criança e aprender a aceitar o milagre como uma benção. Seja criativo, purifique sua alma através de rituais que você mesmo inventa – como criar um espaço sagrado, fazer oferendas, aprender a rir junto com o outro para quebrar as barreiras da inibição. Entenda que o que está fazendo é uma manifestação da energia de Deus.

A quarta: explore o seu lado oposto. Se voce é um homem, procure às vezes pensar e agir como uma mulher – e vice versa.

A quinta: entenda que o orgasmo físico não é exatamente o único objetivo de uma relação sexual, mas uma consequência, que pode ou não acontecer. O prazer nada tem a ver com o orgasmo, mas com o encontro.

A sexta: seja como um rio, fluindo entre duas margens opostas, como montanha e areia. De um lado está a tensão natural, do outro está o relaxamento completo.

A sétima: identifique seus medos e compartilhe com o seu parceiro.

E, finalmente, a oitava: permita-se ter prazer! Assim como você está ansioso para dar prazer, a outra pessoa também quer fazer o mesmo. Se, quando dois corpos se encontram, ambos querem dar e receber, os problemas desaparecem.

Diz Alexander Lowen que o comportamento natural do ser humano é estar aberto à vida e ao amor. Entretanto, nossa cultura nos fez acreditar que não é assim, que  devemos estar fechados e desconfiados. Pensamos que, agindo desta maneira, não seremos feridos pelas surpresas da vida, quando, na verdade, o que acontece é que não estamos aproveitando nada.”

By Paulo Coelho, da série “Diálogos com o Mestre”.

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