Arquivo para Sentir

Alma com fome

Posted in Inspiração with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on 15/06/2015 by Joe

Alma com fome

Quer saber o que eu penso? Você aguentaria conhecer minha verdade?

Pois, tome. Prove. Sinta. Eu tenho preguiça de quem não comete erros. Tenho profundo sono de quem prefere o morno. Eu gosto do risco. Dos que arriscam. Tenho admiração nata por quem segue o coração.

Eu acredito nas pessoas livres. Liberdade de ser. Coragem boa de se mostrar. Dar a cara a tapa! Ser louca, estranha, chata! Eu sou assim. Tenho um milhão de defeitos. Sou volúvel. Sou viciada em gente. Adoro ficar sozinha. Mas eu vivo para sentir.

Por isso, eu te peço. Me provoque. Me beije a boca. Me desafie. Me tire do sério. Me tire do tédio. Vire meu mundo do avesso! Mas, pelo amor de Deus, me faça sentir… Um beliscãozinho que for, me dê.

Eu quero rir até a barriga doer. Chorar e ficar com cara de sapo. Este é o meu alimento: palavras para uma alma com fome.

By Clarice Lispector.

O coração como método

Posted in Reflexão with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on 07/05/2015 by Joe

O coração como método

O homem pode funcionar a partir de três centros: um é a cabeça, outro é o coração e o terceiro é o umbigo!

Quando você funciona a partir da cabeça, você produz pensamentos e pensamentos e pensamentos. Eles são muito insubstanciais, da matéria dos sonhos – eles prometem muito e não entregam nada.

A mente é uma tremenda trapaceira, tem uma grande capacidade de iludir porque ela pode projetar. Ela pode lhe dar grandes utopias, grandes desejos e vai sempre dizendo: “Amanhã vai acontecer…” e nunca acontece. Nada acontece na cabeça – a cabeça não é o lugar para as coisas acontecerem.

O segundo centro é o coração. É o centro do sentir – sentimos através do coração. Você está mais perto de casa – não ainda em casa, mas mais próximo. Quando você sente, você é mais substancial, você tem mais solidez. Quando você sente há a possibilidade de algo acontecer.

Não há nenhuma possibilidade com a cabeça, mas há uma pequena possibilidade com o coração!

A coisa real não é o coração ainda. A coisa real é mais profunda que o coração – é o umbigo. É o centro do ser.

Pensar, sentir e ser – esses são os três centros. Mas, certamente, o sentir está mais próximo do ser do que o pensar, e o sentir funciona como um método.

Se você quiser descer da cabeça, precisará passar pelo coração – esse é o ponto de cruzamento onde as estradas se separam. Você não pode ir diretamente ao ser, não é possível; você precisará passar pelo coração. Assim, o coração deve ser usado como um método.

Sinta mais e você pensará menos. Não lute contra os pensamentos, porque lutar contra os pensamentos significa, novamente, criar outros pensamentos de luta. Então, a mente nunca é derrotada. Se você ganhar, foi a mente que venceu; se você for derrotado, você é o derrotado.

Nunca lute contra os pensamentos; isso é inútil. Em vez de lutar contra os pensamentos, mova a sua energia para o sentir. Cante em vez de pensar, ame em vez de filosofar, leia poesia em vez da prosa. Dance, olhe a natureza, e tudo o que você fizer, faça-o através do coração.

Por exemplo, quando você tocar alguém, toque com o coração, toque sentindo, deixe seu ser vibrar. Quando olhar para alguém, não olhe simplesmente com olhos mortos como pedra. Deixe sua energia verter através dos olhos e, imediatamente, você sentirá que algo está acontecendo no coração. É apenas uma questão de experimentar.

O coração é o centro negligenciado. Quando você começa a prestar atenção nele, ele começa a funcionar. Quando ele começa a funcionar, a energia que estava automaticamente indo para a mente, começa a se mover através do coração. E o coração está mais próximo do centro de energia. O centro de energia está no umbigo. Assim, bombear energia para a cabeça é, na verdade, um trabalho árduo.

É para isso que existem todos os sistemas educacionais: para ensiná-lo a bombear energia do centro, diretamente para a cabeça. De fato, todo o sistema educacional desenvolvido em todo o mundo é para ensiná-lo a evitar o coração, a como tornar-se mais e mais mental e a como bombear a energia diretamente para a cabeça.

Assim, o amor é negado, o sentimento é negado, condenado – é quase um pecado sentir. A pessoa tem de ser lógica e racional, não emocional. Se você for emocional, as pessoas dirão que você é infantil – de certa forma, eles estão literalmente certos, porque só uma criança sente.

Uma pessoa adulta instruída, culta, condicionada, para de sentir. Ela se torna quase seca, madeira morta – não flui mais nenhum sumo dali. Daí haver tanto sofrimento: o sofrimento é por causa da cabeça.

A cabeça não pode celebrar, não há nenhuma celebração possível através da cabeça – ela pode pensar sobre e sobre e sobre, mas ela não pode celebrar. A celebração acontece através do coração.

Assim, a primeira coisa é começar a sentir cada vez mais e mais. Torne-se uma morada de amor, um santuário de amor; este é o primeiro passo. Uma vez que você dê este primeiro passo, o segundo será muito, muito fácil.

Primeiro, você ama – a metade da jornada está completa. E, assim como é fácil mover-se da cabeça para o coração, é ainda mais fácil mover-se do coração para o umbigo. No umbigo você é simplesmente um ser, puro ser.

By Osho, da obra “For Madmen Only”.

Comece a agir que a vontade aparece

Posted in Reflexão with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on 11/10/2013 by Joe

Comece a agir...

Você começa a agir e a vontade aparece! Essa é a descoberta científica mais importante no campo do desenvolvimento humano.

Se uma dona de casa está com preguiça de arrumar a gaveta, quando ela começa a fazer esse serviço dá vontade de arrumar todo o armário. Ela arruma o armário e dá vontade de arrumar o quarto. Arruma o quarto e dá vontade de arrumar a casa, embora no início tivesse preguiça de arrumar a gaveta.

Na vida também é assim: tem gente que passa a vida esperando ter vontade para fazer algo. Sabe qual é o segredo? Comece a fazer que a vontade aparece. Se você for esperar a vontade aparecer, vai ficar parado a vida inteira. O agir e o sentir formam uma via de mão dupla, que tanto pode ir num sentido como no outro.

Você pode começar a fazer alguma coisa e a vontade aparecer, ou pode ter vontade e então fazer alguma coisa. Mas se você ficar esperando a vida inteira, poderá passar uma vida em vão. Tem gente que passa a vida dizendo: “Um dia eu vou abrir uma empresa… ” E nunca realiza o sonho.

O segredo não é esperar para fazer: é fazer que a vontade aparece. Está sem vontade de fazer algo? Comece a fazer que a vontade aparece. William James estava certo – essa foi uma das descobertas mais importantes no desenvolvimento humano nos últimos 100 anos, porque graças a essa constatação você pode começar agora mesmo a fazer aquilo que nem está com vontade, mas que sabe ser importante. Pode ser até uma coisa pequena.

Se a cada dia você melhora um pouquinho (hoje melhor do que ontem, pior do que amanhã), você vai melhorando cada vez mais. O dia em que parar de melhorar, meu amigo, está na hora de morrer, porque a vida é um aprendizado constante. Aprendemos sempre, a cada dia.

Se você me disser que não tem mais nada para aprender, então, eu digo: está na hora de morrer!

Pense nisso e comece a agir!

By Dr. William James, cientista.

Motivação é a gente que faz

Posted in Inspiração with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on 05/10/2012 by Joe

Em recente conversa com um amigo, um assunto bem familiar chamou a nossa atenção: sabemos que, muitas vezes, não agimos, não fazemos algo que é relevante, por algum sentimento aparentemente impeditivo, ou por pura falta de motivação. Em ambos os casos, esperamos sentir algo que nos estimule à ação.

Mas bem sabemos que não é eficiente seguir essa ordem, e sim o contrário: ao agir o sentimento aparece. Precisamos nos lançar à ação, àquilo que precisamos realizar, sentindo ou não motivação. O curioso é que depois que começamos a agir, tudo fica mais fácil e sentimentos nutritivos nos inundam o ser. Sabe a força que você aplica com as mãos em um objeto para movê-lo de lugar? Pense em um objeto mais pesado e considere que será necessária mais energia para realizar este trabalho, afinal, você usará mais força. Os músculos mais treinados realizam uma tarefa como essas com mais facilidade do que os músculos preguiçosos, que estão destreinados. A energia dos combustíveis orgânicos, basicamente obtidos por meio da alimentação, possibilitará esse movimento, essa ação. Até aqui nenhum mistério, concorda?

Sabemos bem como mover um sofá de lugar, e de que modo empregamos a força para realizar este movimento. Há simplicidade quando observamos com clareza a natureza das mudanças que pretendemos realizar. Temos conhecimentos sobre como as fontes de energia gerarão a força solicitada, e sabemos sobre esses combustíveis o suficiente para os escolhermos bem, certo? É o que fazemos quando escolhemos alimentos nutritivos e saudáveis e, ao menos eventualmente, dispensamos aqueles alimentos deliciosamente nocivos.

Mas e para mover nossa realidade interior? Como geramos o movimento de modo a alterar a inércia de um estado psíquico como a melancolia e a depressão? Que força empregamos para realizar tal intento? Qual a fonte de energia? Que combustível usamos?

Não é difícil de perceber que mudar um objeto de lugar é mais fácil do que mudar um estado psíquico. A mudança de estados psíquicos é mais trabalhosa, inicialmente porque tendemos a conservar um estado emocional em seu movimento mecanizado, em inércia, ou seja, inalterado. Basta conservar o padrão mental que o estado emocional permanece, e para conservar um padrão mental constante, ainda mais se for de natureza negativa, como a rejeição da realidade, basta não fazer nada. E, convenhamos, não fazer nada é muito fácil, não é? Basta deixar como está.

Além disso, para mudar um estado psíquico é preciso escolher um novo movimento, decidir empregar a força necessária e – que rufem os tambores! – agir de acordo com a decisão. Merece um destaque, pela importância que tem, o “agir de acordo com a decisão”, e por ser o tal “pulo do gato” em nossas mais importantes realizações.

Mas não fazer nada é mais fácil que fazer alguma coisa, mesmo quando não fazer nada conserva o sofrimento. Por exemplo: para continuar triste, basta conservar os mesmos pensamentos tristes, e isso é bem fácil. Não fazer nada pode ser contraproducente e até machucar nossas emoções, mas parece ser tão cômodo, que dispensamos qualquer mudança, qualquer alteração ou ação. Desse modo, se o objeto a ser mudado de lugar for a tristeza, logo de início a aparente dificuldade para fazer algum movimento já desencoraja a ação.

O que fazer, então? Comece assim:

Queira!

É como um desejar profundo e intenso, por meio do qual você sente todas as suas fibras vibrarem intensamente. Então queira, e queira com todo o seu ser. Você conhecerá uma fonte de energia interior ilimitada e que revelará o quanto você pode realizar. É fantástico utilizar o querer, mesmo nas pequenas ações.

A força aplicada para mudar o padrão mental – basicamente o que passa na sua mente, os pensamentos – é produzida pelo “Poder da Vontade”. A energia para realizar este trabalho resulta de sua disposição em alterar sua realidade interior e sua relação com a realidade exterior. O combustível são valores, crenças, pensamentos.

À medida que você age de acordo, ou seja, substitui padrões mentais que estimulam a melancolia por pensamentos que estimulam a coragem, a confiança, a vitalidade e o entusiasmo, os músculos do Poder de Vontade são exercitados, produzindo cada vez mais força. Isso quer dizer que você ficará cada vez mais hábil.

Por isso, se estiver sentindo melancolia, tristeza, preste atenção nos pensamentos. Mova-os de lugar. Como não dá para engessar a mente e esperar curar, tratamos com carinho dela para que a saúde psíquica seja um caminho, não um fim.

Então, mexa-se, movimente-se em todas as suas instâncias, em todos os níveis energéticos que você sentir. Mova os pensamentos, substituindo-os. Escolha e realize. Isso é “agir para que o sentimento apareça, ao invés de esperar sentir para agir”.

Afinal, motivação é a gente que faz!

By Marcelo Hindi, psicoterapeuta holístico.

Corra mais riscos

Posted in Inspiração with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on 28/09/2012 by Joe

Rir é arriscar-se a parecer tolo.

Chorar é arriscar-se a parecer sentimental.

Estender a mão aos outros é arriscar-se a se envolver.

Mostrar os seus sentimentos é expor a sua humanidade.

Expor suas ideias e sonhos diante do povo é arriscar a sua perda.

Amar é arriscar-se a não ser amado.

Tentar é arriscar-se ao fracasso.

Mas os riscos têm que ser corridos, pois o maior perigo na vida é não arriscar nada.

A pessoa que não arrisca nada não faz nada, não tem nada e não é nada. Pode evitar o sofrimento e o pesar, mas não pode aprender, sentir, mudar, crescer, viver ou amar.

Acorrentado por suas certezas e vícios, é um escravo. Sacrificou o seu maior predicado, que é a sua liberdade individual.

Só a pessoa que arrisca é livre.

By Leo Buscaglia, do livro “Vivendo, Amando e Aprendendo.

O coração como método

Posted in Inspiração with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on 27/09/2012 by Joe

O homem pode funcionar a partir de três centros: um é a cabeça, outro é o coração e o terceiro é o umbigo!

Quando você funciona a partir da cabeça, você produz pensamentos e pensamentos e pensamentos. Eles são muito insubstanciais, da matéria dos sonhos – eles prometem muito e não entregam nada.

A mente é uma tremenda trapaceira, tem uma grande capacidade de iludir porque ela pode projetar. Ela pode lhe dar grandes utopias, grandes desejos e vai sempre dizendo: “Amanhã vai acontecer…” e nunca acontece. Nada acontece na cabeça – a cabeça não é o lugar para as coisas acontecerem.

O segundo centro é o coração. É o centro do sentir – sentimos através do coração. Você está mais perto de casa – não ainda em casa, mas mais próximo. Quando você sente, você é mais substancial, você tem mais solidez. Quando você sente há a possibilidade de algo acontecer.

Não há nenhuma possibilidade com a cabeça, mas há uma pequena possibilidade com o coração!

A coisa real não é o coração ainda. A coisa real é mais profunda que o coração – é o umbigo. É o centro do ser.

Pensar, sentir e ser – esses são os três centros. Mas, certamente, o sentir está mais próximo do ser do que o pensar, e o sentir funciona como um método.

Se você quiser descer da cabeça, precisará passar pelo coração – esse é o ponto de cruzamento onde as estradas se separam. Você não pode ir diretamente ao ser, não é possível; você precisará passar pelo coração. Assim, o coração deve ser usado como um método.

Sinta mais e você pensará menos. Não lute contra os pensamentos, porque lutar contra os pensamentos significa, novamente, criar outros pensamentos de luta. Então, a mente nunca é derrotada. Se você ganhar, foi a mente que venceu; se você for derrotado, você é o derrotado.

Nunca lute contra os pensamentos; isso é inútil. Em vez de lutar contra os pensamentos, mova a sua energia para o sentir. Cante em vez de pensar, ame em vez de filosofar, leia poesia em vez da prosa. Dance, olhe a natureza, e tudo o que você fizer, faça-o através do coração.

Por exemplo, quando você tocar alguém, toque com o coração, toque sentindo, deixe seu ser vibrar. Quando olhar para alguém, não olhe simplesmente com olhos mortos como pedra. Deixe sua energia verter através dos olhos e, imediatamente, você sentirá que algo está acontecendo no coração. É apenas uma questão de experimentar.

O coração é o centro negligenciado. Quando você começa a prestar atenção nele, ele começa a funcionar. Quando ele começa a funcionar, a energia que estava automaticamente indo para a mente, começa a se mover através do coração. E o coração está mais próximo do centro de energia. O centro de energia está no umbigo. Assim, bombear energia para a cabeça é, na verdade, um trabalho árduo.

É para isso que existem todos os sistemas educacionais: para ensiná-lo a bombear energia do centro, diretamente para a cabeça. De fato, todo o sistema educacional desenvolvido em todo o mundo é para ensiná-lo a evitar o coração, a como tornar-se mais e mais mental e a como bombear a energia diretamente para a cabeça.

Assim, o amor é negado, o sentimento é negado, condenado – é quase um pecado sentir. A pessoa tem de ser lógica e racional, não emocional. Se você for emocional, as pessoas dirão que você é infantil – de certa forma, eles estão literalmente certos, porque só uma criança sente.

Uma pessoa adulta instruída, culta, condicionada, para de sentir. Ela se torna quase seca, madeira morta – não flui mais nenhum sumo dali. Daí haver tanto sofrimento: o sofrimento é por causa da cabeça.

A cabeça não pode celebrar, não há nenhuma celebração possível através da cabeça – ela pode pensar sobre e sobre e sobre, mas ela não pode celebrar. A celebração acontece através do coração.

Assim, a primeira coisa é começar a sentir cada vez mais e mais. Torne-se uma morada de amor, um santuário de amor; este é o primeiro passo. Uma vez que você dê este primeiro passo, o segundo será muito, muito fácil.

Primeiro, você ama – a metade da jornada está completa. E, assim como é fácil mover-se da cabeça para o coração, é ainda mais fácil mover-se do coração para o umbigo. No umbigo você é simplesmente um ser, puro ser.

By Osho, da obra “For Madmen Only”.

Colocando-se no lugar do outro

Posted in Relacionamentos with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on 17/09/2012 by Joe

Uma das operações psíquicas mais sofisticadas que aprendemos, lá pelos 7 anos, é esta, de tentarmos sair de nós mesmos para imaginar como se sentem as outras pessoas.

De repente podemos olhar para a rua num dia de chuva e imaginar – o que, de certa forma, significa sentir – o frio que um outro menino pode passar por estar mal agasalhado.

Nossa capacidade de imaginar o que se passa é como uma faca de dois gumes. O engano mais comum – e de graves consequências para as relações interpessoais – não é imaginarmos as sensações de uma outra pessoa, e sim tentarmos prever que tipo de reação ela terá diante de uma certa situação.

Costumamos pensar assim:

– “Eu, no lugar dela, faria desta maneira.”

Julgamos correta a atitude da pessoa quando ela age da forma que agiríamos. Achamos inadequada sua conduta sempre que ela for diversa daquela que teríamos. Ou melhor, daquela que pensamos que teríamos, uma vez que muitas vezes fazemos juízos a respeito de situações que jamais vivemos.

Quando nos colocamos no lugar de alguém, levamos conosco nosso código de valores. Entramos no corpo do outro com nossa alma. Partimos do princípio de que essa operação é possível, uma vez que acreditamos piamente que as almas são idênticas; ou, pelo menos, bastante parecidas.

Cada vez que o outro não age de acordo com aquilo que pensávamos fazer no lugar dele, experimentamos uma enorme decepção.

Entristecemo-nos mesmo quando tal atitude não tem nada a ver conosco. Vivenciamos exatamente a dor que tentamos a todo o custo evitar, que é a de nos sentirmos solitários neste mundo.

Sem nos darmos conta, tendemos a nos tornar autoritários, desejando sempre que o outro se comporte de acordo com nossas convicções. E assim procedemos sempre com o mesmo argumento: “Eu, no lugar dele, agiria assim.”

A decepção será maior ainda se o outro agiu de modo inesperado em relação à nossa pessoa. Se nos tratou de uma forma rude, que não seria a nossa reação diante daquela situação, nos sentimos duplamente traídos: pela agressão recebida e pela reação diferente daquela que esperávamos.

É sempre o eterno problema de não sabermos conviver com a verdade de que somos diferentes uns dos outros; e, por isso mesmo, solitários.

Aqueles que entendem que as diferenças entre as pessoas são maiores do que as que nos ensinaram a ver, desenvolvem uma atitude de real tolerância diante de pontos de vista variados a respeito de quase tudo.

Deixam de se sentir pessoalmente ofendidos pelas diferenças de opinião. Podem, finalmente, enxergar o outro com objetividade, como um ser à parte, independente de nós.

Ao se colocar no lugar do outro, tentarão penetrar na alma do outro, e não apenas transferir sua alma para o corpo do outro. É o início da verdadeira comunicação entre as pessoas.

By Flávio Gikovate.

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