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Muito Longe de Casa

Posted in Livros with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on 10/02/2013 by Joe

Muito longe de casaLivro: Muito Longe de Casa
Memórias de um menino-soldado
By Ishmael Beah
Editora Ediouro

Uma obra autobiográfica que conta a história de um menino que, ainda criança, perde toda sua família na guerra civil de Serra Leoa. Uma guerra que iniciou antes mesmo dele nascer, onde dois partidos brigavam pelo poder e assassinavam uns aos outros, mesmo sabendo que todos eram de uma mesma nação.

Ishmael Beah, aos 12 anos de idade, foi obrigado a lutar pela vida, mas não sabia que recompensa teria, porque não havia mais expectativas de viver feliz sem sua família. No início ele lutava somente por comida, mas a cada tentativa de sobrevivência, mesmo se mantendo vivo, Ishmael sentia que um pedaço de si morria também.

Depois de certo tempo sozinho, foi absorvido pela guerra, e começou a matar, pois era matar ou morrer naquele lugar onde leis não existiam mais. Com o passar do tempo, matava de uma forma cada vez mais cruel, muitas vezes na tentativa de superar seus próprios medos.

Sua mente agora só pensava em morte, guerra, e sofrimento. Ás vezes, o único alimento que tinha eram drogas, que ele misturava: cocaína, maconha e pólvora, uma mistura explosiva que o deixava anestesiado de suas próprias atrocidades.

Depois de 2 anos envolvido com a guerra, a vida lhe proporciona uma surpresa: foi escolhido pela UNICEF, dentro do seu batalhão de guerrilha, para ser reabilitado e voltar a ter uma vida normal de um garoto de 15 anos.

Mesmo depois de reabilitado, ele fugiu e continuou sua saga de matança e convivendo com seus muitos fantasmas.

Hoje, com 25 anos, Ishmael relata sua incrível experiência, que qualquer um de nós jamais imaginou que uma criança pudesse passar! Ele reside nos Estados Unidos, em Nova York, e é formado pelo Oberlin College com Bacharelado em Ciências Políticas, é membro do comitê dos direitos da criança da ONG Human Rights Watch, partcipa de diversos congressos sobre crianças afetadas pelas guerras, e não imaginaria que estaria vivo até hoje nem mesmo em escrever um livro.

Esta é uma lição de força e vida.

By Joemir Rosa.

A favor da corrupção

Posted in Atualidade, Reflexão with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on 12/12/2012 by Joe

Corrupção no Brasil

Está na moda agora as marchas pelo fim ou pelo bem de coisas, como por exemplo, liberação da maconha, pela paz, ficha limpa, contra a corrupção, etc! Até aí tudo bem, todos são livres pra fazerem e pensarem como quiserem. Dezenas de milhares de pessoas a favor da liberação da maconha, pela aprovação da Lei Ficha Limpa. Todos pela Paz.

Quando surgiu a ideia da manifestação popular pelo fim da corrupção, todos pensaram que seria o maior evento já organizado pelos cidadãos. Mero engano! Pouquíssimas pessoas na passeata pelo tamanho da lama da corrupção que o país enfrenta. Todos querem o fim da corrupção, mas ninguém se mobiliza para chamar a atenção dos corruptos. Por que será?

Ora, porque quem faz a corrupção é o próprio povo. Aos poucos vamos aceitando (e assumindo) que votamos em determinados políticos pensando nas tetas da mimosa, ou falando mais bonito, nos cofres públicos.

Ficamos escandalizados quando vemos gravações do Sarney, do Arruda, Zé Dirceu e outros caciques passando a mão no dinheiro do povão e, mesmo assim, cometemos a injustiça de esquecer dos episódios quando estamos na frente da urna, pois há promessas de tirarmos a barriga da miséria caso esses sejam os vencedores.

E então, quem é contra a corrupção? Ninguém!

Só pra citar um exemplo irreparável, com mandato e tudo o que tem direito, que ninguém mais comenta e que pra mim esse sim é “o cara”, por sua lisura: Paulo Maluf. Alguém conhece? Além de não poder colocar a fuça em mais de 100 países, pois vai em cana na hora, Maluf se elegeu deputado federal com quase 500 mil votos, representando (e mostrando) a grande “corruptez” do povo.

A grande e preconceituosa imprensa, deitou e rolou em quem votou no Tiririca (um candidato aparentemente ficha limpa), mas nada se ouve falar em quem elegeu Maluf, pois se trata da high society e o mesmo acabou caindo ao esquecimento. Um ícone da corrupção abandonado dos holofotes. Isso é triste, muito triste!

Acredito que todos deveriam participar de movimentos criados pelo povão, sejam eles contra a corrupção ou não, porém até mesmo em uma passeata contra a corrupção existe corrupção. Alguns aproveitam a oportunidade para descer a lenha em três ou quatro partidos corruptos. Os outros, é claro! O partido a que eles pertencem é o único que presta!

Lembrando que a corrupção no Brasil não tem sigla. E não é só mérito dos políticos. Para uma autoridade ser corrupta, desviar dinheiro público, depende de um corruptor, alguém que “leve vantagem” e isso é “privilégio” dos eleitores.

Infelizmente, como diz Seu Omar, da série “Todo Mundo Odeia o Chris“, “Isso é trágico, muito trágico!”

By José Antonio Karacek, catarinense, deficiente físico, colunista, idealizador e administrador do Blog Cotidiano Em Foco, além de ser mais um cidadão indignado com a atual política brasileira.

Os pássaros

Posted in Inspiração with tags , , , , , , , , on 04/08/2009 by Joe

PássarosMeninas e meninos, a briga entre os bichos da floresta era sobre “dieta”: quem come o que, quem come quem …

Os vegetarianos formaram o Partido das Bananas. Os carnívoros pensaram em formar o Partido da Linguiça, mas logo, aconselhados pelo Camaleão, adotaram a tática da dissimulação e deram ao seu partido o nome de Partido dos Abacaxis, que, graças à ingenuidade dos membros do Partido das Bananas, que acreditaram que, entre banana e abacaxi, não havia diferença, ganhou as eleições.

Empossado o Congresso, os representantes elegeram o seu presidente, a Hiena, sempre com um sorrisinho de Monalisa no focinho.

Na sua posse, ela fez um discurso sobre as excelências da dieta vegetariana. Citando o filósofo alemão Ludwig Feuerbach, que disse que somos o que comemos, ela declarou: “Vacas comem capim, portanto são capim. Macacos comem banana, portanto são bananas. Galinhas e patos comem milho, portanto são milho. Assim, onças que comem vacas estão, na verdade, comendo capim. Uma cobra que come um macaco está, na realidade, comendo bananas. Um gambá que come galinhas está, na realidade, comendo milho. São todos, portanto, vegetarianos. Assim sendo e em cumprimento às promessas que fizemos no período eleitoral, proclamo a lei de que todos os animais terão de ser vegetarianos. Viva a República Vegetariana!”.

O discurso da Hiena foi seguido por um festival gastronômico em que hienas, onças, lobos, cães vadios, cobras, gambás e gatos vegetarianamente churrasqueavam vacas, veados, macacos, galinhas e passarinhos. A lei é clara: todos os animais são vegetais transformados…

Aí os membros do Partido das Bananas perceberam que haviam caído numa armadilha. Leis são armadilhas. Uma vez feitas, não podem ser abolidas, a menos que sejam revogadas por aqueles que as fizeram.

E, olhando para seus gordos representantes no Congresso, perceberam que nenhum deles estava disposto a trocar costeletas, lombos e linguiças por alface, couve e cenoura. Concluíram, então, que, com aquele Congresso de carnívoros, a reforma política jamais seria realizada.

Foi então que um leitão rechonchudo chamado Alfred Hitchcock pediu a palavra. O dito leitão ponderou: “Eu não posso enfrentar a onça. As galinhas não podem enfrentar os gambás. Os cordeiros não podem enfrentar os lobos! Mas os pássaros! Milhares de pássaros em seus voos rasantes e bicos pontudos! Que poderão fazer as onças, os gambás e os lobos contra o ataque de milhares de pássaros? Vamos chamar os pássaros! Eles são vegetarianos! São nossos aliados!”.

E assim aconteceu. Vieram então, em bandos que tapavam o sol, milhares de andorinhas, sabiás, pardais, tico-ticos, periquitos. Invadiram o edifício do Congresso. Foi um pandemônio. O espaço escureceu. O barulho dos pios e dos gritos dos pássaros era ensurdecedor. Milhares de bicos bicando sem parar em mergulhos certeiros.

Além disso, por onde iam, soltavam seus excrementos moles e fedidos que escorriam pelos sorrisos de Monalisa dos excelentíssimos.

Os representantes gritavam histéricos: “Isso é conspiração dos meios de comunicação”! Os gambás, as onças, os lobos, os cães vadios e as hienas fugiram e nunca mais voltaram, com medo de que os pássaros lhes furassem os olhos.

Isso, meninos e meninas, tem o nome de revolução. Revolução é quando os eleitores resolvem, eles mesmos, demitir os seus representantes que os traíram e fazer, eles mesmos, as leis. Portanto vamos chamar os pássaros!

By Rubem Alves, educador, escritor, psicanalista e professor emérito da Unicamp.

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