Arquivo para Palhaço

Os Portais de Anúbis

Posted in Livros with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on 28/10/2012 by Joe

Livro: Os Portais de Anúbis
By Tim Powers
Editora 34

Tim Powers conseguiu escrever um livro primoroso, com uma qualidade de texto indiscutível. O enredo é desenvolvido de modo magistral, com capacidade de prender a atenção do leitor de forma inigualável. O enredo contempla história, surrealismo, literatura fantástica, realismo mágico, ficção especulativa, ficção absurdista, ação, suspense e terror.

“Os Portais de Anúbis” têm inicio em Londres, ano de 1983. Narra a história de um pacato professor de literatura chamado Brendan Doyle, especialista em literatura de língua inglesa do século XIX. Doyle recebe uma estranha e irrecusável proposta de um milionário sinistro para ministrar uma palestra sobre determinado poeta e efetuar uma viagem no tempo através de mágicas fendas temporais – Os portais de Anúbis – para assistir a uma palestra do próprio poeta na Inglaterra de 1810.

Nesta jornada fantástica, além de encontrar notórios poetas (dentre eles, um Lord Byron programado para matar o Rei da Inglaterra), Brendan Doyle, confrontará o submundo de Londres e uma mistura surreal composta de mendigos organizados por um anômalo palhaço praticante de grotescos experimentos; feiticeiros egípcios tentando modificar a história da humanidade; uma mulher disfarçada de homem no encalço de um estranho lobisomem que ataca suas vítimas trocando de corpo com elas.

Outro ponto em destaque é a forma engenhosa como o autor consegue conduzir a trama, modificando acontecimentos e circunstâncias sem, contudo, alterar fatos da História, elemento a ser considerado quando o argumento envolve viagem no tempo.

“Os Portais de Anúbis” consiste num desses poucos livros que vale a pena uma releitura. Para ser lido sem pressa, com atenção!

By Joemir Rosa.

Uma história de magia

Posted in Inspiração with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on 29/03/2012 by Joe

Hoje, quero contar uma história mágica para você.

Havia certa vez um mágico, que sonhava com o glamour e reconhecimento de ser um dos maiores mágicos de seu país. No entanto, não tinha o talento necessário para ser realmente um grande mágico. Apenas sonhava com o sucesso, mas não aceitava o sacrifício necessário para percorrer um longo caminho até ele. Seu nome artístico era Mister Frakazzus.

Toda noite ele enfrentava o desafio de subir ao palco para fazer seus números, mas constantemente fracassava. Ora era seu coelho que fugia da cartola, ora os números preparados acabavam traindo o mestre, saindo tudo errado.

Assim, após mais uma noite de fracasso, Mister Frakazzus voltava para casa e se escondia, fechando-se em seu quarto escuro, como se estivesse no fundo de uma caverna. Não saía de lá por nada porque sentia medo das críticas, medo de se expor ao ridículo durante o dia.

Até que, numa noite, ao dormir, sonhou que poderia fazer outras mágicas, usando as falhas do seu show, para alegrar e divertir crianças e adultos.

Ao amanhecer, Frakazzus, resolveu transformar-se num belo e animado palhaço. Lavou a mágoa do coração, injetou entusiasmo na alma, preparou uma alegre e colorida fantasia e partiu para uma nova jornada.

Assim nasceu um novo mágico, um novo ser humano. Que faz magia no coração e na alma de crianças e homens! O que era fracasso como mágico, agora eram trapalhadas e diversão… alegria!

Assim nasceu o palhaço Pirulito Sorriso!

Tornando-se alguém que, com simples gestos, começou a fazer a diferença na vida de muitas pessoas.

Agora eu te pergunto: você por acaso conhece alguma história parecida com esta? Pois é, quantas pessoas tentam, uma vida toda, ser aquilo para o que não tem talento. Insistem e persistem em profissões que não têm nada a ver com seus dons.

Até um dia descobrirem, “por magia” ou com ajuda profissional, que precisam de um novo rumo em suas vidas.

Mas apenas a descoberta não é certeza da realização. Precisam conscientizar-se desta nova realidade. Conscientizar-se dos talentos verdadeiros que possuem e munir-se de coragem, determinação, força de vontade para enfrentar todos os novos desafios que a mudança exige. Perder o medo do erro. Arriscar-se um pouco mais. Ter ousadia. E, ainda, entregar-se a uma nova rotina de aprendizagem, preparação e treinamento constante.

Isso realmente é necessário porque, afinal, quem nos dias de hoje tem coragem de largar velhos paradigmas e reinventar sua própria vida? Coragem de escrever uma nova história. A sua própria história de vida!

É essa história que você constrói e escreve diariamente. Ela é a sua história de vida!

Para mostrar isso vou usar esta breve passagem: “A Magia do Show da Vida”.

O Show da Vida é o que acontece neste exato instante que você acaba de ler este texto, desde que você tome consciência da importância deste momento. Viva e sinta o momento. Ele é o seu momento!

Você pode fazer parte deste show, um show que também irá alegrar muitas pessoas. Poderá mudar a vida de muitas pessoas sendo o que você é, da melhor maneira possível!

Pare só por um instante tudo o que está fazendo e observe a si mesmo. Sinta a presença do seu corpo, da sua respiração. Observe atentamente o ambiente à sua volta.

Quem são as pessoas que estão aí perto? O que fazem e como interagem com você?

Pergunte-se: o que eu posso aprender com essas pessoas? Qual experiência elas podem trocar comigo?

Mas pense principalmente: o que eu tenho para oferecer de bom a cada uma dessas pessoas que se aproximam de mim?

Qual é o meu melhor que posso compartilhar com o mundo?

Esta é uma maneira simples de você descobrir a verdadeira razão da sua existência e cumprir de maneira magnífica a sua missão.

Ponto! Você acaba de descobrir como fazer o seu Show da vida!

Pense nisso! E comece hoje mesmo a mudar sua vida!

By Professor Sigmar Sabin.

Afinal, o que querem as mulheres?

Posted in Contos with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on 17/12/2010 by Joe

O jovem Rei Arthur foi surpreendido pelo monarca do reino vizinho enquanto caçava furtivamente em um bosque.

O Rei poderia tê-lo matado no ato, pois tal era o castigo para quem violasse as leis da propriedade. Contudo, se comoveu ante a juventude e a simpatia de Arthur e lhe ofereceu a liberdade, desde que no prazo de um ano trouxesse a resposta a uma pergunta difícil.

A pergunta era: “Afinal, o que realmente querem as mulheres?”

Semelhante pergunta deixaria perplexo até o homem mais sábio, e ao jovem Arthur lhe pareceu impossível respondê-la. Contudo aquilo era melhor do que a morte, de modo que regressou ao seu reino e começou a interrogar as pessoas. À princesa, à rainha, às prostitutas, aos monges, aos sábios, ao palhaço da corte, em suma, a todos, mas ninguém soube dar uma resposta convincente.

Porém, todos o aconselharam a consultar a velha bruxa, porque somente ela saberia a resposta. O preço seria alto, já que a velha bruxa era famosa em todo o reino pelo exorbitante preço cobrado pelos seus serviços.

Chegou o último dia do ano acordado e Arthur não teve mais remédio senão recorrer à feiticeira. Ela aceitou dar-lhe uma resposta satisfatória, com uma condição: primeiro acertaria o preço: ela queria casar-se com Gawain, o cavaleiro mais nobre da Távola Redonda e o mais íntimo amigo do Rei Arthur! O jovem Arthur a olhou, horrorizado: era feíssima, tinha um só dente, desprendia um fedor que causava náuseas até a um cachorro, fazia ruídos obscenos, nunca havia visto uma criatura tão repugnante!

Se acovardou diante da perspectiva de pedir a um amigo de toda a sua vida para assumir essa carga terrível. Não obstante, ao inteirar-se do pacto proposto, Gawain afirmou que não era um sacrifício excessivo em troca da vida de seu melhor amigo e a preservação da Távola Redonda.

Anunciadas as bodas, a velha bruxa, com sua sabedoria infernal, disse:

-“O que realmente as mulheres querem é serem soberanas de suas próprias vidas!”

Todos souberam no mesmo instante que a feiticeira havia dito uma grande verdade e que o jovem Rei Arthur estaria salvo. Assim foi, ao ouvir a resposta, o monarca vizinho lhe devolveu a liberdade.

Porém, que bodas tristes foram aquelas! Toda a corte assistiu e ninguém se sentiu mais desgarrado, entre o alívio e a angústia, que o próprio Arthur. Gawain se mostrou cortês, gentil e respeitoso. A velha bruxa usou de seus piores hábitos, comeu sem usar talheres, emitiu ruídos e exalou um mau cheiro espantoso.

Chegou a noite de núpcias. Quando Gawain, já preparado para ir para a cama aguardava sua esposa, ela apareceu como a mais linda e charmosa mulher que um homem poderia imaginar!

Gawain ficou estupefato e lhe perguntou o que havia acontecido.

A jovem lhe respondeu, com um doce sorriso, que como havia sido cortês com ela, a metade do tempo se apresentaria com aspecto horrível e a outra metade com aspecto de uma linda donzela. E então ela lhe perguntou qual ele preferia para o dia e qual para a noite.

Que pergunta cruel! Gawain se apressou em fazer cálculos. Poderia ter uma jovem adorável durante o dia para exibir a seus amigos e à noite, na privacidade de seu quarto, uma bruxa espantosa … ou quem sabe ter de dia uma bruxa e uma jovem linda nos momentos íntimos de sua vida conjugal!

E você? O que teria preferido? Qual seria a sua escolha?

A escolha de Gawain está mais abaixo! Porém, antes tome sua decisão.

É muito importante que seja sincero com você mesmo. Pense bem antes de responder!

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O nobre Gawain respondeu que a deixaria escolher por si mesma. Ao ouvir a resposta ela anunciou que seria uma linda jovem de dia e de noite, porque ele a havia respeitado e permitido ser dona de sua vida!

Ou seja, quando a mulher é soberana de sua própria vida, todos saem ganhando!

Autor desconhecido.

Eleições

Posted in Atualidade with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on 01/10/2010 by Joe

A corrupção sempre esteve presente nas mais diferentes civilizações desde os primórdios da humanidade. Está presente há centenas e centena de anos em diversas nações, sejam elas democracias, ditaduras, com governos de ideologia de esquerda ou de direita, sejam regimes parlamentaristas ou presidencialistas!

Livros e trabalhos acadêmicos apontam a existência de práticas corruptas desde o mais antigo dos tempos. No Brasil já sabemos que, desde a descoberta pelos portugueses, convivemos com as mais diferentes práticas desonestas. E com toda esta “tradição”, ainda nos impressionamos com a enxurrada de escândalos em nossas mais diversas instâncias políticas!

Enfim, não são os políticos os corruptos … somos nós, quando corrompemos e quando nos calamos frente à corrupção! Somos nós quando votamos em candidatos despreparados, em pessoas sem referência moral … é aí que mantemos assim o nosso país.

Há que se pensar numa nova atitude e não apenas em reformas políticas; há que se exigir de nossos representantes não apenas no dia das eleições, mas durante todo o mandato, ligando, mandando e-mails, cartas inclusive.

E, acima de tudo, há que se criar o hábito de respeitar as regras em casa e nas pequenas atitudes, pois é nisso que estamos falhando!

Lembre-se disto: eleitor consciente + político competente = são fatores fundamentais para se construir uma grande nação!

Vamos votar conscientes e dizer NÃO a candidatos incompetentes, fantasiados e fantoches!

Por outro lado, se quiser protestar contra tudo que aí está, ANULE seu voto digitando um número que não existe (99999, por exemplo) …. mas não vote em qualquer palhaço apenas para protestar!

Leia mais sobre o que pode piorar, clicando aqui.

By Joe.

Tiririca: pior do que tá … pode ficar!

Posted in Atualidade with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on 09/09/2010 by Joe

Saiba quem você pode acabar elegendo ao votar no palhaço Tiririca

Com uma candidatura ao Legislativo que – entre as bizarras – conseguiu a maior repercussão até agora, é natural que Francisco Everaldo Oliveira Silva, 45, o Tiririca, esteja feliz da vida. Sua campanha atinge com frequência o topo dos “assuntos quentes” no Twitter e seus vídeos passeiam pela casa dos milhões de acessos no YouTube. Mas não é só ele que tem motivos para comemorar esse fenômeno dentro de seu partido. Na esteira do “pior que tá não fica”, o candidato Tiririca foi escalado como “puxador de votos” do Partido da República

A exemplo de Paulo Maluf (PP), Tiririca é o “puxador de votos” de sua agremiação, o PR. Ambos ganharam espaços de destaque na TV e números de fácil assimilação (1111, para o candidato considerado “ficha suja” pelo STF, e 2222, para o palhaço). A ideia é que uma votação expressiva ajude seus respectivos partidos a levarem outros correligionários para Brasília.

Para o analista político Fernando de Barros e Silva, Tiririca funciona como um “biombo”. “Atrás dele vão os verdadeiros artistas do circo fisiológico”, escreveu em sua coluna na Folha, na última semana. Isso ocorre por conta do critério da proporcionalidade previsto pela legislação eleitoral. O número de vagas de cada partido é definido pelo quociente eleitoral – a soma de votos dos candidatos e da legenda dividida pelo número de vagas a que cada Estado tem direito. Desta forma, o sistema proporcional cria a possibilidade de parte das vagas no Legislativo serem preenchidas por candidatos que receberam volume votos nominais pífio.

O exemplo mais famoso ocorreu em 2002, quando Enéas Carneiro (1938-2007), do extinto PRONA, conseguiu levar consigo cinco candidatos. Entre eles figurava Vanderlei Assis (275 votos nominais), depois condenado pelo TRE por inscrição fraudulenta.

Dependendo do volume de votos de Tiririca no dia 3 de outubro, o pleiteante fantasiado pode ajudar a eleger os seguintes políticos:

Agnaldo Timóteo, 73, cantor. Como vereador por São Paulo causou polêmica ao tentar emplacar um projeto de lei para mudar o nome do Parque Ibirapuera para parque Michael Jackson. No horário eleitoral gratuito deste ano posta-se como “herdeiro político” do estilista Clodovil Hernandez (1937-2009).

Valdemar Costa Neto, 61, ex-presidente do PL. Renunciou ao cargo de deputado federal em 2005 para escapar da cassação após ser acusado de envolvimento no caso do mensalão, relativo à suposta compra de apoio de partidos pelo PT. Também foi acusado pelo Ministério Público Eleitoral de compra de votos nas eleições de 2006 – e absolvido pelo TSE.

Luciana Costa, 39, deputada federal da última legislatura. Assumiu a vaga deixada por Enéas Carneiro, de quem era suplente e secretária parlamentar. No ano passado levou à Câmara um projeto de lei para instituir o Dia do Peão de Rodeio, a ser comemorado anualmente em 25 de agosto. No horário eleitoral da TV tenta colar sua imagem à figura de Enéas, inclusive emulando seu jeito de discursar.

Milton Monti, 49, deputado estadual duas vezes e deputado federal três vezes (inclusive no mandato 2007 – 2010). Em 2000 apresentou na Câmara projeto de lei para tornar obrigatório no currículo das escolas brasileiras o ensino de latim e  OSPB (Organização Social e Política Brasileira), sem sucesso. Trabalha para instituir o Dia Nacional de Atenção à Dislexia. A proposta recebeu parecer favorável na Comissão de Educação e Cultura.

Jurandyr Czaczkes, ou Juca Chaves, 71, humorista, músico e compositor, autor das modinhas “Ana Maria”, “Que Saudades” e “Pequena Marcha para um Grande Amor”. “Não serei um deputado comum, serei também um Menestrel Na Corte [sic], cantarei como sempre fiz, fazendo minhas denúncias em forma de sátiras”, promete, no Twitter. Em 2006 tentou se eleger senador pela Bahia com o PSDC, sem sucesso.

Pastor Paulo Freire, 55, presidente da Assembléia de Deus de Campinas e do Conselho de Doutrina da Igreja Evangélica Assembléia de Deus. É a primeira vez que se candidata a deputado federal. Neste ano posicionou-se publicamente contra a adoção por casais gays, direito reconhecido pelo STJ (Superior Tribunal de Justiça).

As propostas de Tiririca

Em entrevista à Folha publicada na semana passada, Tiririca foi questionado sobre os projetos que pretende levar à Câmara. “De cabeça, assim, não dá pra falar”, justificou. Ele também negou que, caso eleito, vá andar fantasiado por Brasília. Na TV, o candidato cearense evita fazer promessas complexas. A mais famosa até agora se resume a contar ao eleitorado o que, afinal, faz um deputado federal – mas, só depois de eleito.

Embora diga no horário eleitoral gratuito que, se eleito, pretende ajudar “inclusive” sua família, Tiririca já foi destaque de páginas policiais em um caso violência doméstica. Em 1998, o palhaço foi levado de camburão à 6º Delegacia Seccional de Contagem, região metropolitana de Belo Horizonte, acusado de agredir a tapas Rogéria Mariano da Silva, sua mulher. Mais tarde, ela retirou a queixa.

By Alan Marques/Folhapress.

Lei Zeca Pagodinho

Posted in Reflexão with tags , , , , , , , , , , , , on 08/04/2010 by Joe

Diz  uma  história  que numa cidade apareceu um circo, e que entre seus artistas havia um palhaço com o poder de divertir, sem medida, todas as pessoas da platéia e o riso era tão bom, tão profundo e natural que se tornou  terapêutico. Todos os que padeciam de tristezas agudas ou crônicas eram indicados pelo médico do lugar para que assistissem ao tal artista que possuía o dom de eliminar angústias.

Um  dia, porém, um morador desconhecido, tomado de profunda depressão, procurou o doutor.  O médico então, sem relutar, indicou o circo como o lugar de cura de todos os males daquela natureza, de abrandamento de todas as dores da alma, de iluminação de todos os cantos escuros do nosso jeito perdido de ser. O homem nada disse, levantou-se, caminhou em direção à porta e quando já estava saindo, virou-se, olhou o médico nos olhos e sentenciou:

– “Não posso procurar o circo … aí está o meu problema: eu sou o palhaço”.

Como professor vejo que, às vezes, sou esse palhaço, alguém que trabalhou para construir os outros e não vê resultado muito claro daquilo que faz. Tenho a impressão que ensino no vazio (e sei que não estou só nesse sentimento) porque depois de formados meus ex-alunos parecem que se acostumam rapidamente com aquele mundo de iniqüidades que combatíamos juntos.

Parece que quando meus meninos e meninas caem no mercado de trabalho a única coisa que importa é quanto cada um vai lucrar, não importando quem vai pagar essa conta e nem se alguém vai ser lesado nesse processo. Aprenderam rindo, mas não querem passar o riso à frente e nem se comovem com o choro alheio.

Digo  isso até em tom de desabafo porque vejo que cada dia mais meus alunos se gabam de desonestidades. Os que passam os outros para trás são heróis e os que protestam são otários, idiotas ou excluídos, numa total inversão  dos  valores. Vejo que alguns professores partilham das mesmas idéias e as defendem em sala de aula e na sala de professores e se vangloriam disso. Essa idéia vem me assustando cada vez mais, desde que repreendi, numa conversa com alunos, o comportamento do cantor Zeca Pagodinho, naquele episódio da guerra das cervejas e quase todos disseram que o cantor estava certo, tontos foram os que confiaram nele.

– “O importante, professor, é que o cara embolsou milhões!”, disse-me um; outro: “Daqui a pouco, ninguém lembra mais; no Brasil é assim, e ele vai continuar sendo o Zeca, só que um pouco mais rico”, todos se entreolharam e riram, só eu, bobo que sou, fiquei sem graça.

O pior é quando a gente se dá conta que no Brasil é assim mesmo, o que vale é a lei de Gérson: “o importante é levar vantagem em tudo” (lembram-se disso?).

A pergunta é: é possível, pela lógica, que todo mundo ganhe? Para alguém ganhar é óbvio que alguém tem de perder!

A lógica é guardar o troco a mais recebido no caixa do supermercado; é enrolar a aula fingindo que a matéria está sendo dada; é fingir que a apostila está aberta na matéria dada, mas usá-la como apoio enquanto se joga forca, batalha naval ou jogo da velha; é cortar a fila do cinema ou da entrada do show; é dizer que leu o livro, quando ficou só no resumo ou na conversa com quem leu; é marcar só o gabarito na prova em branco, copiado do vizinho, alegando que fez as contas de cabeça; é comprar na feira uma dúzia de quinze laranjas; é bater num carro parado e sair rápido antes que alguém perceba; é brigar para baixar o preço mínimo das refeições nos restaurantes universitários, para sobrar mais dinheiro para a cerveja da tarde; é arrancar as páginas ou escrever nos livros das bibliotecas públicas; é arrancar placas de trânsito e colocá-las de enfeite no quarto; é trocar o voto por empregos, pares de sapato ou cestas básicas; é fraudar propaganda política mostrando realizações que nunca foram feitas…

É a lógica da perpetuação da burrice.

Quando um país perde, todo mundo perde. E não adianta pensar que logo bateremos no fundo do poço, porque o poço não tem fundo. Parafraseando Schopenhauer: “Não há nada tão desgraçado na vida da gente que ainda não possa ficar pior”.

Se os desonestos brasileiros voassem, nós nunca veríamos o sol. Felizmente há os descontentes, os lutadores, os sonhadores, os que querem manter o sol aceso, brilhando e no alto. A luz é e sempre foi a metáfora da inteligência. No entanto, de nada adianta o conhecimento sem o caráter.

Que nas escolas seja tão importante ensinar Literatura, Matemática ou História quanto decência, senso de coletividade, coleguismo e respeito por si e pelos  outros. Acho que o mundo (e, sobretudo, o Brasil) precisa mais de gente honesta do que de literatos, historiadores ou matemáticos.

De duas, uma: ou o Brasil encontra e defende esses valores e abomina Zecas, Gersons, Dirceus, Dudas e todos os marketeiros que chamam desonestidades flagrantes de espertezas técnicas, ou o Brasil passa de país do futuro para país do só furo.

De um Presidente da República espera-se mais do que choro e condecoração a garis honestos, espera-se honestidade em forma de trabalho e transparência. De professores espera-se mais que discurso de bons modos, espera-se que mereçam o  salário que ganham (seja ele pouco ou muito) agindo como quem é honesto.

A honestidade não precisa de propaganda, nem de homenagens, precisa de exemplos. Quem plantar joio jamais colherá trigo. Quando reflexões assim são feitas, cada um de nós se sente o palhaço perdido no palco das ilusões. A gente se sente vendendo o que não pode viver, não porque não mereça, mas porque não há ambiente para isso.

Quando seria de se esperar uma vaia coletiva pelo tombo, pelo golpe dado na decência, na coerência, na credibilidade, no senso de respeito, vemos a população em coro delirante gritando “bis” e, como todos sabemos, um bis não se despreza. Então, uma pirueta, duas piruetas, bravo ! bravo ! E vamos todos rindo e afinando o coro do “se eu livrar a minha cara o resto que se dane”.

Enquanto isso, o Brasil de irmã Dulce, de Manuel Bandeira, do Betinho, de Clarice Lispector, de Chiquinha Gonzaga e de muitos  outros heróis anônimos que diminuíram a dor desse país com a sua obra, levanta-se, caminha em silêncio até a porta, vira-se e diz: “Esse é o problema… eu sou o palhaço”.

By Nailor Marques Júnior.

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