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Sem marcas no coração

Posted in Saúde with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on 03/05/2012 by Joe

Você já sentiu, alguma vez, a dor causada por uma pancada na quina da mesa, da cama, ou de outro móvel qualquer? Sim, aquela pancada que quase nos faz perder os sentidos, e deixa um hematoma no corpo.

Em princípio surge uma marca avermelhada, depois arroxeada, e vai mudando de cor até desaparecer por completo. Geralmente o local fica dolorido, e sempre que o tocamos sentimos certo desconforto. A marca permanece por um tempo mais ou menos longo, conforme o organismo.

Agora imagine se, por distração, você bate novamente no mesmo lugar do hematoma. A dor é ainda maior e a cor se intensifica. Se isso se repetisse por inúmeras vezes, o problema poderia se agravar a tal ponto que a lesão se converteria num problema mais grave.

Com a mágoa acontece algo semelhante, com a diferença de que a marca é feita no coração e é causada por uma lesão afetiva. Num primeiro momento a marca é superficial, mas poderá se aprofundar mais e mais, caso haja ressentimento prolongado.

Ressentir quer dizer sentir outra vez e tornar a sentir muitas e muitas vezes. É por isso que o ressentimento vai aprofundando a marca deixada no coração.

Como acontece com as lesões sofridas no corpo, repetidas vezes no mesmo lugar, também o ressentimento pode causar sérios problemas a quem se permite o ressentir continuado.

Se um hematoma durasse meses ou anos em nosso corpo, a possibilidade de se transformar em câncer seria grande. Isso também acontece com a mágoa agasalhada na alma por muito tempo.

Cada vez que nos lembramos do que motivou a mácula no coração, e nos permitimos sentir outra vez o estilete na alma, a mágoa vai se aprofundando mais e mais. Além da possibilidade de causar tumores, gera outros distúrbios nas emoções de quem a guarda no coração.

Por todas essas razões, vale a pena refletir sobre esse mal que tem feito muitas vítimas. Semelhante a um corrosivo, a mágoa vai minando a alegria, o entusiasmo, a esperança, e a amargura se instala. Silenciosa, ela compromete a saúde de quem a mantém e fomenta ódio, rancor, inimizade, antipatias.

Muitas vezes a mágoa se disfarça de amor-próprio para que seu portador consinta que ela permaneça em sua intimidade. E com o passar do tempo ela se converte num algoz terrível, mostrando-se mais poderosa do que a vontade de seu portador para eliminá-la.

De maneira, muitas vezes, imperceptível, a mágoa guardada vai se manifestando numa vingançazinha aqui, numa traiçãozinha ali, numa crueldade acolá. E de queda em queda a pessoa magoada vai descendo até o fundo do poço, sem medir as consequências de seus atos.

Para evitar que isso aconteça conosco é preciso tomar alguns cuidados básicos:

O primeiro deles é proteger o campo das emoções, fortalecendo as fibras dos nobres sentimentos, não permitindo que a mágoa o penetre.

O segundo é tratar imediatamente a ferida antes que se torne mais profunda, caso a mágoa aconteça.

O terceiro é drenar, com o arado da razão, o lodo do melindre, que é terreno propício para a instalação da mágoa.

É importante tratar essa suscetibilidade à flor da pele, que nos deixa extremamente vulneráveis a essas marcas indesejáveis em nosso coração, tornando-nos pessoas amargas e infelizes.

Agasalhar ódio, mágoa ou rancor no coração, é o mesmo que beber veneno com a intenção de matar o nosso agressor.

Pense nisso e não permita que esses tóxicos se instalem em seu coração.

Desconheço a autoria.

Não seja de vidro

Posted in Relacionamentos with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on 26/04/2012 by Joe

O melindre costuma causar estragos nas relações humanas. Por excesso de sensibilidade, amizades são rompidas e grupos se desfazem.

A pessoa melindrosa ofende-se com muita facilidade. Ela identifica intenções ofensivas nas coisas mais banais. Uma simples brincadeira ou uma palavra mal escolhida podem fazê-la sentir-se gravemente ofendida. Uma criatura tão delicada, fica sempre atenta aos atos e dizeres dos outros. Se encontra qualquer coisa remotamente parecida com uma crítica, melindra-se.

Esse modo específico de sentir revela uma grande vaidade. O melindroso imagina-se o centro das atenções aonde quer que vá. Acredita que os outros se preocupam em excesso com ele. Justamente por isso, pensa que tudo o que é feito ou dito à sua volta refere-se à sua pessoa.

E a realidade é que os homens gastam muito pouco tempo preocupando-se de forma definida com seus semelhantes. Cada qual tem sua vida e seus problemas. Salvo se você for uma sumidade em determinada área, provavelmente os que o rodeiam não se ocupam particularmente com seus atos. Fora de seu grupo familiar, raramente alguém se detém para esmiuçar seu proceder. E quando o faz, é por breve tempo.

Não se imagine o centro do mundo. Os outros não falam ou agem com o firme propósito de ofendê-lo. Eles nem pensam muito em você. Não seja de vidro no trato com os semelhantes. Não veja ofensas onde elas não existem. Preocupe-se com a essência das coisas.

O corre-corre do mundo moderno nem sempre permite que tudo seja dito ou feito com a suavidade desejável. Certamente você também não pensa inúmeras vezes em cada palavra que diz. E, igualmente, não pauta sua vida pelo interesse de atingir os que o rodeiam. Muitos de seus atos e palavras podem ser mal interpretados.

Ocorre que quem procura razão para sentir-se ofendido, certamente encontrará. Trata-se principalmente de um estado de espírito. Conscientize-se dessa realidade. Não se imagine mais importante do que na realidade é. Viva com leveza e simplicidade. Se alguém criticar algo que você tenha feito, não se ofenda. Não torne tudo pessoal. A crítica nem sempre é destrutiva.

Aceite que você às vezes falha. As observações dos amigos podem auxiliá-lo a ser melhor. Procure tolerar sem melindre, mesmo alguma observação maliciosa a seu respeito.

Em um ambiente descontraído, com frequência alguém é motivo de piadas. Trata-se de uma dinâmica especial de certos locais. E a intenção raramente é ofender. Tanto é assim que se altera constantemente o alvo da troça. É necessário que os participantes de um grupo ou meio social tenham liberdade uns com os outros. Evidentemente, há limites para tudo. Mas sem uma certa dose de sinceridade e espontaneidade, resta somente a formalidade e a hipocrisia.

Em um clima hipócrita nada de real se cria e ninguém se sente seguro e à vontade. Assim, seja leve em seu viver. Não se ofenda a todo instante, por tudo e por nada. Isso apenas o isolará de seus semelhantes, sem qualquer resultado útil.

Pense nisso.

Desconheço a autoria.

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