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Mischa Maisky em “Bach Cello Suite No.1 in G”

Posted in Música with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on 16/06/2013 by Joe

Mischa Maisky

É provável que Bach escreveu suas “Cello Suites” entre 1717-1723, quando ele estava servindo como mestre de capela em Köthen, junto com seus outros triunfos seculares famosos, incluindo os “Concertos de Brandemburgo” e “O Cravo Bem Temperado”. Eles são, sem dúvida, algumas das peças mais emocionalmente intensas no repertório barroco, aproveitando ao máximo a profundidade emocional de um violoncelo solo e utilizando uma ampla gama de técnicas de jogo complexas.

Há seis suites no total, cada um com seis movimentos, cada qual agindo como uma conversa musical – passagens elevadas encontram eco reflexivo em baixo playing, e os acordes densos acompanham delicados floreios ornamentais. O movimento mais famoso, o “Prelude” da Suite No. 1 em G, é um ótimo exemplo da genialidade de Bach, onde não há nenhum acompanhamento, mas a harmonia se desenrola nota por nota como uma viagem musical, com os acordes implícitos sobre o decurso do tempo, em vez de visitados.

Não existem manuscritos sobreviventes de própria mão de Bach, e para os músicos só restou uma cópia escrita por sua segunda esposa, Anna Magdalena. Seu papel como uma escriba levou inclusive alguns historiadores musicais para pintá-la como uma espécie de Bacon de “Shakespeare de Bach”, com a sugestão de que ela mesma escreveu muitas das suites. É, talvez, o mais surpreendente que estas incríveis obras não foram amplamente conhecidas antes de 1900, e foram simplesmente descartados como estudos.

O video de hoje nos traz a apresentação das seis suites, com seus seis movimentos, na interpretação de Mischa Maisky, violoncelista clássico, nascido na Letônia onde estudou no Conservatório de Riga, seguindo depois seus estudos em Leningrado. Aos 17 anos venceu o concurso nacional de violoncelo, e um ano mais tarde foi premiado no Concurso Internacional Tchaikovsky, e começou então a estudar com Rostropovich no Conservatório de Moscou, e a dar uma série de concertos por toda a União Soviética.

Depois de ter estado preso num campo de trabalhos forçados por 18 meses, parte para Israel, onde residiu durante algum tempo, e adquiriu uma nova nacionalidade. Na sua carreira contam-se inúmeros espectáculos nas melhores salas do Mundo como Londres, Paris, Viena, Berlim, Nova Iorque e Tóquio, entre outros.

Em 1985 Mischa tornou-se artista exclusivo da Deutsche Grammophon, e recebeu três prêmios da Academia de Tóquio pelas suas muitas gravações, que incluem por exemplo: as duas Suites para Violoncelo Solo de J.S.Bach, sonatas de Bach e Beethoven, entre outras. Do seu repertório contam-se ainda obras de Schubert, Tchaikovsky e Dmitri Shostakovitch, Brahms, entre outros. Mischa vive agora na Bélgica.

By Joemir Rosa.

Carmina Burana

Posted in Música with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on 13/11/2011 by Joe

“Cantiones profanæ cantoribus et choris cantandæ comitantibus instrumentis atque imaginibus magicis” (Carl Orff)

Carmina Burana é uma cantata cênica de poesias latinas medievais, pretendida para ser representada e dançada, posta sobre textos em baixo latim e baixo alemão, os quais foram extraídos de uma colocação de duzentas peças poéticas diversas compiladas pelo final do século XIII.

A palavra Carmina é o plural de Carmen (em português, Canção). O título inteiro significa literalmente: Canções dos Beurens; esta última palavra se refere ao fato de que os textos escolhidos para esta cantata secular foram descobertos em 1803 em um velho mosteiro beneditino da Baviera, em Benediktbeuren, no sudoeste da Alemanha.

Esta cantata é emoldurada por um símbolo da Antiguidade, o conceito da Roda da Fortuna, eternamente girando, trazendo alternadamente boa e má sorte. É uma parábola da vida humana exposta a constante mudança. E, assim, o apelo em coral à Deusa da Fortuna (O Fortuna, Velut Luna) tanto introduz quanto conclui a obra, que se divide em três seções: o encontro do Homem com a Natureza, particularmente com a Natureza despertando na primavera (Veris eta facies). Seu encontro com os dons da Natureza, culminando com o dom do vinho (In taberna); e seu encontro com o Amor (Amor volat undique).

A maioria dos mais de duzentos poemas sacros e seculares remonta ao século XIII e foi escrita por um grupo profano de errantes chamados Goliardos. Estes monges e menestréis desgarrados passavam o seu tempo deliciando-se com os prazeres da carne e os poemas que eles deixaram, faziam a crônica de suas obsessões, por vezes ao ponto da obscenidade.

Este manuscrito abrange todos os gêneros, de versificação erudita à paródias de textos sacros, incluindo canções de amor e melodias irreverentes e até grosseiras. O fato de que o texto original destes Poemas de Benediktbeuren seja executada hoje em dia com tão extraordinário sucesso artístico, permite ao ouvinte discernir ainda melhor as intenções de Orff onde sua música não se expressa claramente.

Como uma antologia, Carmina Burana apresenta tudo o que o mundo cristão entre os séculos XI e XII fora capaz de exprimir. Aquela época não foi secionada como a nossa, nem inibida pelos nossos tabus. Assim, os autores anônimos dessas saturnálias escritas não temiam espalhar a chama incandescida pelo contato inesperado de uma melodia litúrgica e uma blasfêmia, mais precisamente um priapismo verbal, ou inversamente de uma nova melodia profana e uma profissão de fé.

Neste sentido, a coleção original restaura, para nós todo um cosmo onde o Bem não existe sem o Mal, o sacro sem o profano e a fé sem maldições e dúvidas: a oscilação onde se encontra a grandeza da Humanidade.

A dialética freudiana foi necessária para a redescoberta deste humanismo medieval até então considerada bárbara e cruel; uma vitalidade que permitiu ao homem sobreviver ao sofrimento da guerra, o mundo infestado pela praga em que ele era submetido à injustiça, à instabilidade, e mantido na ignorância de tudo que não fosse santificado pelo dogma. Sabemos que insultos dirigidos contra a autoridade, palavras ofensivas e blasfêmias que temperavam de maneira acre a expressão dessa energia vital eram herdadas do mundo antigo e chegaram ao começo do renascimento na tradição dos Carnavais e Triunfos que Lorenzo de Medicis e Rabelais ilustrariam, cada qual por sua vez.

Esta genealogia espiritual era tão familiar a Orff que ele concebeu Carmina Burana como apenas o primeiro elemento de uma trilogia intitulada Trionfi – Trittico Teatrale, que incluiria Catulli Carmina (1943) e Trionfi dell’Afrodite (1952), uma obra que revelou a significação do todo: só o Desejo e o Amor podem capacitar o Homem a viver, lutar e crer.

A primeira apresentação de Carmina Burana foi na Ópera de Frankfurt em Junho de 1937. Causou uma grande impressão sobre o público e a aclamação mundial que recebeu a partir daí prova que não perdeu nada do seu efeito hipnótico.

A trilogia Carmina Burana é obra coral de exuberante alegria e fortes acentos eróticos; a obra, inicialmente destinada para representação como ópera, venceu, porém, nas salas de concerto. A música é deliberadamente anti-romântica. É uma música inteiramente original, quase sem harmonia, baseada só em elementar forma rítmica, acompanhada por orquestra inédita: principalmente instrumentos de percussão e vários pianos.

O manuscrito original inclui poucas melodias anotadas que Carl Orff levou em consideração, mas não citou diretamente, ampliando apenas sua atmosfera particular com instrumentos ancestrais que usou em seu Método, aqueles mais exigidos pela música contemporânea: uns poucos instrumentos de sopro, sem violinos, mas uma ampla família de percussão.

Não há contradição entre a obra do compositor e seu Método: ambos falam ao mesmo irredutível descendente dos homens das cavernas, que aparentemente estão tão pouco à vontade hoje em dia em seu universo de ar condicionado.

Texto do site Spectrum Gothic.

Comentário do Blog:

No video abaixo, a apresentação da obra completa, pela Orquestra Sinfônica e Coral da Universidade da Califórnia, Davis , Coral Alumni e Pacific Boychoir Academy, da obra Carmina Burana, de Carl Orff, no Mondavi Center no campus da UC Davis University. Condução do maestro Jeffrey Thomas, Shawnette Sulker, soprano, Gerald Thomas Gray, tenor, e Malcolm MacKenzie, barítono.

Para quem quiser mais informações de uma passadinha pelo site abaixo para conteúdo e letras originais de toda a obra:

http://www.classical.net/music/comp.lst/works/orff-cb/carmlyr.php

No site abaixo, tradução das letras:

http://www.das.ufsc.br/~sumar/perfumaria/Carmina_Burana/carmina_burana.htm

Espero que curtam mais este clássico!!!

By Joemir Rosa.


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