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Verdadeiro aprendizado

Posted in Reflexão with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on 14/08/2014 by Joe

Verdadeiro aprendizado

É hipocrisia dizer que aniversário significa maturidade; que o aprendizado é ligado somente aos erros cometidos; que errar é crescer.

Se todos crescêssemos e aprendêssemos com o que fizemos de errado haveria muitos sábios por aí.

O verdadeiro aprendizado é ligado à reflexão daquilo que foi ou não vivido. Aprendi que quem tem amor tem tudo; seja familiar, namorado, amigos. O amor é o que move a vida e nos faz querer sermos melhor.

Aprendi que ser tachado de bonzinho nem sempre é ruim.

Aprendi que ser CDF é ótimo. Eles são os que se dão melhor na vida.

Aprendi que ler é enriquecimento à nossa vida, de tal maneira que ninguém consegue tirar. E que receber dinheiro por ser inteligente é a forma mais admirável de ficar rico.

Aprendi que traição e falta de lealdade são uma das maiores crueldades que se podem cometer ao coração de alguém.

Aprendi que a gente se sente muito mal quando nos julgam por certas atitudes; e quem dirá quando o fizermos a alguém…

E que olhar torto para alguém não nos faz melhor.

Aprendi que existem algumas coisas que não deveriam se guardar no coração, mas são grandes responsáveis pela nossa mutante ideologia.

Aprendi que correr atrás do que se quer é preciso sempre; ninguém o faz se não nós mesmos.

Aprendi que quem desrespeita idosos são pessoas frias. E que os nossos pais são as pessoas com as quais a gente sonha ser igual.

Aprendi que sorrir e ser educado são a alegria do dia de alguém, sobretudo da própria realização pessoal.

Aprendi que somos eternos errantes. Estamos em incessante crescimento; e só não cresce quem tem a cabeça tão pequena a ponto de achar que o amadurecimento vem junto com os anos.

By Ana Paula Zandoná.

Drª. Rita Levi Montalcini

Posted in Ciência with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on 04/06/2010 by Joe

A Dra. Rita Levi Montalcini recebeu o Prêmio Nobel de Medicina há 23 anos, quando tinha 77! Ela nasceu em Turím, Itália, em 1909 e obteve o título de Medicina na especialidade de Neurocirurgia.

Por causa de sua ascendência judia se viu obrigada a deixar a Itália um pouco antes do começo da II Guerra Mundial. Foi para os Estados Unidos onde trabalhou no Laboratório Victor Hambueger do Instituto de Zoologia da Universidade de Washington, em San Louis.

Em 1951 veio ao Brasil para realizar experiências de culturas em vidro no Instituto de Biofísica da Universidade do Rio de Janeiro, onde, em Dezembro do mesmo ano, a pesquisadora conseguiu identificar o fator de crescimento das células nervosas (Nerve Growth Factor, conhecido como NGF). Esta descoberta lhe valeu, em 1986, o Prêmio Nobel para a Medicina, junto com Stanley Cohen.

Leiam a entrevista dela, dada em 22/12/2005:

– Como vai celebrar seus 100 anos?
– Ah, não sei se viverei até lá, e além disso, não gosto de celebrações. No que eu estou interessada e gosto é do que faço cada dia!

– E o que a senhora faz?
– Trabalho para dar uma bolsa de estudos para as meninas africanas para que estudem e prosperem … elas e seus países. E continuo investigando, continuo pensando.

– E como está seu cérebro?
– Igual quando tinha 20 anos! Não noto diferença em ilusões nem em capacidade. Amanhã vôo para um congresso médico.

– Mas terá algum limite genético ?
– Não. Meu cérebro vai ter um século… mas não conhece a senilidade. O corpo se enruga, não posso evitar, mas não o cérebro!

– Como a senhora faz isso?
– Possuímos grande plasticidade neural. Ainda quando morrem neurônios, os que restam se reorganizam para manter as mesmas funções, mas para isso é conveniente estimulá-los!

– Como faço isso?
– Mantenha seu cérebro com ilusões, ativo; faça ele trabalhar e ele nunca se degenerará.

– E viverei mais anos?
– Viverá melhor os anos que tiver para viver, é isso o que interessa. A chave é manter curiosidades, empenho, ter paixões….

– A sua foi a investigação cientifica…
– Sim e segue sendo.

– Descobriu como crescem e se renovam as células do sistema nervoso…
– Sim, em 1942: dei o nome de Nerve Growth Factor (NGF, fator do crescimento nervoso), e durante quase meio século houve dúvidas, até que foi reconhecida sua validade e, em 1986, me deram o prêmio por isso.

– Como foi que uma garota italiana dos anos vinte converteu-se em neurocientista?
– Desde menina tive o empenho de estudar. Meu pai queria me casar bem, que fosse uma boa esposa, boa mãe… E eu não quis. Fui firme e confessei que queria estudar.

– Seu pai ficou magoado?
– Sim, mas eu não tive uma infância feliz: sentia-me feia, tonta e pouca coisa… Meus irmãos maiores eram muito brilhantes e eu me sentia tão inferior…

– Vejo que isso foi um estímulo…
– Meu estímulo foi também o exemplo do médico Albert Schweitzer, que estava na África para ajudar com a lepra. Desejava ajudar os que sofriam, esse era meu grande sonho!

– E a senhora tem realizado… com sua ciência.
– E, hoje, ajudando as meninas da África para que estudem. Lutamos contra a enfermidade, a opressão da mulher nos países islâmicos, por exemplo, além de outras coisas.

– A religião freia o desenvolvimento cognitivo?
– A religião marginaliza muitas vêzes a mulher perante o homem, afastando-a do desenvolvimento cognitivo, mas algumas religiões estão tentando corrigir essa posição.

– Existem diferenças entre os cérebros do homem e da mulher?
– Só nas funções cerebrais relacionadas com as emoções, vinculadas ao sistema endócrino. Mas quanto às funções cognitivas, não têm diferença alguma.

– Por que ainda existem poucas cientistas?
– Não é assim! Muitos descobrimentos científicos atribuídos a homens, realmente foram feitos por suas irmãs, esposas e filhas.

– É verdade?
– A inteligência feminina não era admitida e era deixada na sombra. Hoje, felizmente, tem mais mulheres que homens na investigação científica: as herdeiras de Hipatia!

– A sábia Alexandrina do século IV…
– Já não vamos acabar assassinadas nas ruas pelos monges cristãos misóginos, como ela foi. Claro, o mundo tem melhorado algo…

– Ninguém tem tentado assassinar a senhora…
– Durante o fascismo, Mussolini quis imitar Hitler na perseguição aos judeus… e tive que me ocultar por um tempo. Mas não deixei de investigar: tinha meu laboratório em meu quarto… E descobri a apoptose, que é a morte programada das células!

– Por que é tão grande o número de judeus entre cientistas e intelectuais?
– A exclusão estimula, entre os judeus, os trabalhos intelectivos e intelectuais: podem proibir tudo, mas não que pensem! E é verdade que tem muitos judeus entre os prêmios Nobel…

– Como a senhora explica a loucura nazista?
– Hitler e Mussolini souberam como falar ao povo, onde sempre prevalece o cérebro emocional por cima do neocortical, o intelectual. Conduziram emoções, não razões!

– Isto está acontecendo agora?
– Porque você acha que em muitas escolas nos Estados Unidos é ensinado o creacionismo e não o evolucionismo?

– A ideologia é emoção, é sem razão?
– A razão é filha da imperfeição. Nos invertebrados tudo está programado: são perfeitos. Nós não. E, ao sermos imperfeitos, temos recorrido à razão, aos valores éticos: discernir entre o bem e o mal é o mais alto grau da evolução darwiniana!

– A senhora nunca se casou ou teve filhos?
– Não. Entrei no campo do sistema nervoso e fiquei tão fascinada pela sua beleza que decidi dedicar todo meu tempo, minha vida!

– Lograremos um dia curar o Alzheimer, o Parkinson, a demência senil?
– Curar… O que vamos lograr será frear, atrasar, minimizar todas essas enfermidades.

– Qual é hoje seu grande sonho?
– Que um dia logremos utilizar ao máximo a capacidade cognitiva de nossos cérebros.

– Quando deixou de sentir-se feia?
– Ainda estou consciente de minhas limitações!

– O que tem sido o melhor da sua vida?
– Ajudar aos demais.

– O que a senhora faria hoje se tivesse 20 anos?
– Mas eu estou fazendo!!!!

By Joe.

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