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Gratidão

Posted in Astral with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on 09/02/2015 by Joe

Gratidão

Dói constatar que há muito pouco espaço para a gratidão manifesta, não importa sobre que tipo de justificativa: somos pródigos em arrumar desculpas, mesmo a respeito de pequenas omissões.

Geralmente não nos detemos o suficiente para analisar a importância que tiveram e têm em nossas vidas os conselhos e as atitudes de pessoas que cruzaram o nosso caminho nas mais variadas circunstâncias (muitas vezes nem as conhecíamos, o que não as impediram de ter desempenhado um papel importantíssimo no rumo de nossas vidas).

Estão perdidas em algum canto obscuro da nossa memória aquelas pessoas que:

– despertaram em nós uma vocação, ou até mesmo nos ensinaram a arte de um hobby, de um esporte, de uma profissão: foram para nós, num determinado momento, um ícone, uma referência; lógico que, depois, fizemos por merecer o que somos e construímos hoje, mas, seguramente, sem aquele “empurrão”, tudo teria sido muito mais difícil (ou, quem sabe, até impossível);

– num momento difícil de nossas vidas, em que o dinheiro era muito escasso, alimentaram nossos estômagos vazios, com lanches simples e maravilhosos, e/ou nos abrigaram por uns tempos, cedendo um espaço para ficarmos, tudo isso sem nada nos cobrar;

– nos disseram que haveria um concurso interessante e, muitas vezes, até nos emprestaram o dinheiro para a inscrição (através delas prestamos o concurso, fomos aprovados e estamos trabalhando lá até hoje);

– nos apresentaram ao mundo das artes e da cultura em geral, emprestando-nos discos e livros, nos permitindo o acesso à leitura de jornais, revistas (pode ser que nem nos emprestaram nada, mas, como vizinhos, nos brindaram com o som de cantores e músicas inesquecíveis, muitos deles determinantes nos rumos da nossa vida.

Merecem igualmente um espaço nobre na galeria da gratidão todas as pessoas que trabalharam para nós, ou nos prestaram serviços (em escolas, creches), cuidando de nossos filhos, principalmente quando eles eram mais indefesos: você pode até argumentar que sempre lhes pagou muito bem por esse serviço (o que não se discute), mas não se esqueça que, mesmo assim, seus filhos poderiam ter sido maltratados, agredidos, ter adquirido péssimos hábitos.

As pessoas, quando são atendidas em suas pequenas ou grandes solicitações, raramente se dignam a agradecer a gentileza a quem as valorizou e se mobilizou, sabe lá a que preço (em termos de dificuldade, de ordenação de agenda, disponibilidade de tempo), para atendê-las.

Agem como se fosse obrigação sua, como se fossem naturais os pedidos delas, como se fosse uma honra atendê-las, mesmo que você nunca as tenha visto ou ouvido falar delas antes. É bom se ressaltar que, quanto maior a amizade, maior a necessidade da valorização do gesto.

É restrito, também, o espaço das pequenas gentilezas, principalmente no trânsito. Quando você quer sair de uma vaga diagonal, e o trânsito está intenso, é normal você ter que esperar muito tempo: geralmente alguém só pára o carro e lhe dá passagem se ele estiver interessado em ocupar a sua vaga.

Se você quase sobe na calçada com o carro, ou espera pacientemente, para lhe dar passagem, o motorista passa por você na maior imponência e desprezo, sem olhar de lado e sem dar o menor aceno de reconhecimento pela gentileza com que foi distinguido, como se fosse um imenso prazer para você ter cedido espaço para tão importante personalidade.

Vestidas as carapuças, o mais importante de qualquer reflexão não é provocar lágrimas, arrependimentos, autocensuras: o que mais interessa é, com base no estímulo ao nosso campo de memória, o que podemos fazer de diferente agora, a partir do resgate da consciência de significativos momentos de nossa existência.

É possível reparar alguma coisa com aquelas pessoas que tanto representaram para nós? Se a resposta for negativa (“já morreram”, “não tenho a menor ideia como reencontrá-las”, etc.), cabe outra reflexão, como forma grata de “pagamento” pelo que, de maravilhoso, recebemos um dia: “O que está ao meu alcance fazer, para participar da vida de outras pessoas que, no momento presente, tal como eu, precisam de algum tipo de estímulo?”

E por que tudo isso? E por que dar atenção a esses convites? Se não movido por impulsos afetivos, éticos e de reconhecimento, pelo menos em atenção a um princípio interessante na vida, que nos convida a continuamente renovarmos o ciclo “receber, agradecer, desfrutar, compartilhar, devolver”.

By Lourival Antonio Cristofoletti.

A favor da corrupção

Posted in Atualidade, Reflexão with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on 12/12/2012 by Joe

Corrupção no Brasil

Está na moda agora as marchas pelo fim ou pelo bem de coisas, como por exemplo, liberação da maconha, pela paz, ficha limpa, contra a corrupção, etc! Até aí tudo bem, todos são livres pra fazerem e pensarem como quiserem. Dezenas de milhares de pessoas a favor da liberação da maconha, pela aprovação da Lei Ficha Limpa. Todos pela Paz.

Quando surgiu a ideia da manifestação popular pelo fim da corrupção, todos pensaram que seria o maior evento já organizado pelos cidadãos. Mero engano! Pouquíssimas pessoas na passeata pelo tamanho da lama da corrupção que o país enfrenta. Todos querem o fim da corrupção, mas ninguém se mobiliza para chamar a atenção dos corruptos. Por que será?

Ora, porque quem faz a corrupção é o próprio povo. Aos poucos vamos aceitando (e assumindo) que votamos em determinados políticos pensando nas tetas da mimosa, ou falando mais bonito, nos cofres públicos.

Ficamos escandalizados quando vemos gravações do Sarney, do Arruda, Zé Dirceu e outros caciques passando a mão no dinheiro do povão e, mesmo assim, cometemos a injustiça de esquecer dos episódios quando estamos na frente da urna, pois há promessas de tirarmos a barriga da miséria caso esses sejam os vencedores.

E então, quem é contra a corrupção? Ninguém!

Só pra citar um exemplo irreparável, com mandato e tudo o que tem direito, que ninguém mais comenta e que pra mim esse sim é “o cara”, por sua lisura: Paulo Maluf. Alguém conhece? Além de não poder colocar a fuça em mais de 100 países, pois vai em cana na hora, Maluf se elegeu deputado federal com quase 500 mil votos, representando (e mostrando) a grande “corruptez” do povo.

A grande e preconceituosa imprensa, deitou e rolou em quem votou no Tiririca (um candidato aparentemente ficha limpa), mas nada se ouve falar em quem elegeu Maluf, pois se trata da high society e o mesmo acabou caindo ao esquecimento. Um ícone da corrupção abandonado dos holofotes. Isso é triste, muito triste!

Acredito que todos deveriam participar de movimentos criados pelo povão, sejam eles contra a corrupção ou não, porém até mesmo em uma passeata contra a corrupção existe corrupção. Alguns aproveitam a oportunidade para descer a lenha em três ou quatro partidos corruptos. Os outros, é claro! O partido a que eles pertencem é o único que presta!

Lembrando que a corrupção no Brasil não tem sigla. E não é só mérito dos políticos. Para uma autoridade ser corrupta, desviar dinheiro público, depende de um corruptor, alguém que “leve vantagem” e isso é “privilégio” dos eleitores.

Infelizmente, como diz Seu Omar, da série “Todo Mundo Odeia o Chris“, “Isso é trágico, muito trágico!”

By José Antonio Karacek, catarinense, deficiente físico, colunista, idealizador e administrador do Blog Cotidiano Em Foco, além de ser mais um cidadão indignado com a atual política brasileira.

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