Arquivo para Hospedagem

Estabelecendo metas

Posted in Reflexão with tags , , , , , , , , , , on 11/05/2012 by Joe

Se você não sabe aonde quer ir, como poderá chegar lá?

Esta é uma questão óbvia. Por isso, quando se planejam férias, escolhemos o local. Porque, dependendo do local escolhido, selecionaremos o tipo de transporte, faremos reservas para hospedagem, providenciaremos a roupa adequada.

Quando se sai a passeio, escolhemos o local da mesma forma. Iremos ao campo, à praia, à casa de amigos. Porque, justamente a partir dessa definição, ajustaremos horários, convidaremos essa ou aquela pessoa, faremos contatos preliminares.

De uma forma muito paradoxal, contudo, quando falamos de nossos objetivos existenciais, poucos têm metas bem definidas. Essa é uma das causas de depressão nos dias atuais.

A pessoa diz que quer ter uma vida normal, simplesmente. Mas não estabelece o que seria essa vida normal. O que deseja para si.

O que gostaria de fazer?

Profissionalmente, o que pretende: onde deseja trabalhar, com quem, que cursos ainda planeja fazer, que aperfeiçoamentos almeja?

Pessoalmente, pensa em se casar, em ter filhos, em viver numa casa ou num apartamento, no campo ou na cidade, neste país, em outro país?

Culturalmente, deseja se aprimorar no estudo da arte, de outro idioma, artesanato?

Quando as perguntas surgem, as respostas quase sempre são evasivas: “sei lá, qualquer coisa … o que vier está bom”.

Algumas pessoas se recusam a idealizar, a sonhar. Dizem que é para não sofrerem decepções. Outras se dizem incapacitadas de sonhar seus próprios sonhos. Pensam em se realizar através de outras pessoas. Ou que outras pessoas as façam felizes.

Eis a questão: se não há meta a atingir, se não há um objetivo a ser alcançado, como encontrar ânimo e energia para se viver com intensidade a cada dia? Onde está a alegria da conquista? Onde está o sorriso da vitória? Onde está o contentamento de se afirmar vencedor?

Sem meta não se vive. Simplesmente se obedece a automatismos. É um adormecer psicológico que conduz a criatura a estados de indiferença, desânimo, descontentamento e até o desprezo pela vida.

Para se ter saúde é imperioso que se tenha um projeto pessoal, definindo exatamente o que se deseja.

Alcançar ou não é outra questão. Mas o importante é o esforço, a luta continuada.

Pensemos nisso e façamos uma análise de nossas metas e nossos sonhos.

Se até aqui estamos vivendo por viver, trabalhando, estudando porque está no contexto em que nos movemos, façamos uma parada. Reformulemos nossa vida. Elejamos ao menos uma meta a alcançar.

E não se deixe intimidar pelos anos transcorridos ou pelos muitos dias já vividos. Sempre é tempo de aprender, de ser feliz.

Pense nisso!

Desconheço a autoria.

Um lugar para se viver

Posted in Relacionamentos with tags , , , , , , on 11/01/2010 by Joe

Maria Rezende é uma poeta carioca que recentemente lançou um livro encantador chamado Bendita Palavra, onde, entre tantos versos, fui surpreendida por este: “dentro de mim não é mais um bom lugar para se viver”.

Semana passada eu decretei que o melhor lugar do mundo é dentro de um abraço. Mas o abraço é um refúgio externo. O que fazer quando dentro de nós, esse lugar privativo, deixa de ser um bom lugar para se estar?

O verso da Maria Rezende reflete uma necessidade de se exorcizar o pânico de não detectar dentro de si um abrigo, uma quentura, um espaço aprazível onde caibam todos os nossos fantasmas. A voz que fala através da poeta tem vontade de expulsar-se de si própria, já não reconhece um sol interno – isso sou eu que estou interpretando. Maria fala mais bonito: “teve um tempo em que esse dentro parecia com o fora … era um ótimo lugar pra uma moça como eu era”.

Aí a personagem do poema virou uma moça diferente, hospedou em si uma criatura arrebentada, ferida … e danou-se! Agora ela não é mais um bom lugar para se viver.

Explica tanta coisa esse sentimento…

Explica a gente não conseguir se relacionar bem com os outros, explica autoflagelo, explica engordar ou emagrecer além do razoável, explica suicídio, explica a sensação de ser um estrangeiro até para si próprio.

Como lidar com esse despatriamento, para onde levar nossa mochila, nossa bagagem, nosso “eu mesmo” pra se instalar em outro corpo? Nascer de novo não dá…

Ou até dá.  Até dá …

De vez em quando é necessário se perguntar se dentro de nós é um bom lugar para se viver. Depois de ler a poeta carioca, eu tenho me perguntado. E a resposta, sem nenhum ranço pseudointelectual, sem nenhuma espécie de autoaversão, ou seja, da forma mais simplória, é que sim, eu sou um bom lugar para se viver.

Dentro de mim há pensamentos demais, o que torna tudo meio caótico, mas tenho tentado dar uma arrumada nessas ideias e manter cada uma em sua gaveta. Há também sentimentos variados, mas de forma alguma vou expulsá-los, deixar que circulem à vontade por esse meu corpo que lhes serve de ringue, já que eles às vezes brigam uns com os outros.

Dentro de mim é sempre verão e toca música o tempo inteiro, e mantenho uma satisfação secreta que precisa se manter secreta para não passar por boba. Há crianças e adultos dentro de mim, todos da mesma idade. Aqui dentro existe uma praia e uma montanha coladas uma na outra. Dentro de mim estão muitas lágrimas que não foram choradas para fora e muitos sorrisos que, de tão íntimos, também guardei.

Dentro de mim são produzidas algumas cenas sofisticadas e também roteiros de filmes. Um universo movimentado e contraditório: como não gostar de viver aqui dentro? Dentro de mim…

E você, tem sido um bom hospedeiro de si mesmo?

By Martha Medeiros.

%d blogueiros gostam disto: