Arquivo para Ficção

O Tempo Entre Costuras

Posted in Livros with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on 06/04/2014 by Joe

O Tempo Entre CosturasLivro: O Tempo Entre Costuras
By María Dueñas
Editora Planeta

Em “O Tempo Entre Costuras”, María Duenãs nos conta uma linda história de uma moça nascida na Espanha, Sira Quiroga. O ano é 1930 e já começa a despontar a revolução que colocaria seu país sob o regime de Francisco Franco que, com mão de ferro e princípios fascistas, dominaria a Espanha e derramaria o sangue de tantos cidadãos pelo solo espanhol.

Entre moldes, alinhavos, pregar botões, agulhas, alfinetes, idealizar e confeccionar roupas, María Duenãs nos encanta a cada página. Com seu estilo próprio, leve, direto, ela é uma grande contadora de histórias que vai nos conduzindo pelo mundo de Sira Quiroga.

A história nos coloca como ouvinte, depois faz com que nos tornemos sua amiga até que, finalmente, nos tornamos cúmplices daquela mulher forte, embora aparentemente frágil, corajosa e determinada. Acabamos por compartilhar sonhos, anseios, esperanças e medos com Sira. Vamos ouvindo seu choro, sentindo sua aflição e sua solidão, e vivendo suas esperanças.

Para quem não conhece, conseguimos imaginar Marrocos em nossa mente, andar pelas ruas quentes e ensolaradas e pelas noites frias. Nos tornamos amigos de seus amigos, e nos apaixonamos pelas suas paixões.

Aprendemos como fazer uma resistência em tempos de guerra e como agem os espiões e os riscos que correm. Enfim, vivemos cada página do livro.

Ficção, aventura, imaginação, não importa. O que vale mesmo é a mensagem e como ela é passada em “O Tempo Entre Costuras”, que torna nossas tarefas do dia-a-dia mais agradáveis, mais suportáveis, mais alegres.

Enfim, uma daquelas obras que, quando fechamos o livro após a última página, parece que estávamos conversando com uma grande amiga…

Imperdível.

By Joemir Rosa.

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Os Portais de Anúbis

Posted in Livros with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on 28/10/2012 by Joe

Livro: Os Portais de Anúbis
By Tim Powers
Editora 34

Tim Powers conseguiu escrever um livro primoroso, com uma qualidade de texto indiscutível. O enredo é desenvolvido de modo magistral, com capacidade de prender a atenção do leitor de forma inigualável. O enredo contempla história, surrealismo, literatura fantástica, realismo mágico, ficção especulativa, ficção absurdista, ação, suspense e terror.

“Os Portais de Anúbis” têm inicio em Londres, ano de 1983. Narra a história de um pacato professor de literatura chamado Brendan Doyle, especialista em literatura de língua inglesa do século XIX. Doyle recebe uma estranha e irrecusável proposta de um milionário sinistro para ministrar uma palestra sobre determinado poeta e efetuar uma viagem no tempo através de mágicas fendas temporais – Os portais de Anúbis – para assistir a uma palestra do próprio poeta na Inglaterra de 1810.

Nesta jornada fantástica, além de encontrar notórios poetas (dentre eles, um Lord Byron programado para matar o Rei da Inglaterra), Brendan Doyle, confrontará o submundo de Londres e uma mistura surreal composta de mendigos organizados por um anômalo palhaço praticante de grotescos experimentos; feiticeiros egípcios tentando modificar a história da humanidade; uma mulher disfarçada de homem no encalço de um estranho lobisomem que ataca suas vítimas trocando de corpo com elas.

Outro ponto em destaque é a forma engenhosa como o autor consegue conduzir a trama, modificando acontecimentos e circunstâncias sem, contudo, alterar fatos da História, elemento a ser considerado quando o argumento envolve viagem no tempo.

“Os Portais de Anúbis” consiste num desses poucos livros que vale a pena uma releitura. Para ser lido sem pressa, com atenção!

By Joemir Rosa.

A Visita Cruel do Tempo

Posted in Livros with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on 22/04/2012 by Joe

Livro: A Visita Cruel do Tempo
By Jennifer Egan
Editora Intrinseca

Jennifer Egan faz de A Visita Cruel do Tempo um daqueles livros desconfortavelmente envolventes. Um livro sobre crescer e envelhecer e, fatalmente, frustrar-se.

Com uma estrutura engenhosa, repleta de vaivéns no tempo, o romance, em 13 capítulos que bem poderiam ser histórias independentes, acompanha os percalços de personagens à primeira impressão desconexos que estão, todos, entrelaçados de alguma forma, em diferentes estágios da vida.

O título justifica o desfecho da maioria das tramas: no intervalo de algumas décadas, quase todas apresentam os protagonistas lamentando decisões passadas ou sofrendo as consequências de aventuras irresponsáveis. A Visita Cruel do Tempo é um tratado sobre existências tristes, equivocadas, decadentes, ressentidas.

A ordem dos eventos não é cronológica e, por vezes, leva tempo para identificar o período e o narrador. A autora compõe uma representação da sociedade americana entre o final dos anos 70, em São Francisco, e as duas primeiras décadas do século 21 – adivinhando os traços futuristas do cenário que encerra a obra, a Nova York de 2020.

Bennie Salazar, que polvilha ouro no café tentando recuperar a potência sexual, e Sasha, sua assistente cleptomaníaca – o leitor compartilha com ela a tensão e o êxtase que transpiram a cada objeto insignificante ou de valor que subtrai de bolsas e lojas – são personagens centrais. Deles partem todas as outras conexões – Sasha é assistente de Bennie, que é casado com Stephanie, que é irmã de Jules, que foi preso  por tentativa de estupro contra Kitty, que é contratada por Dolly para um trabalho pouco lisonjeiro quando sua carreira outrora ascendente de bonitona em Hollywood tropeça prematuramente.

E assim vai. Personagens ressurgem, num emaranhado de histórias que sempre vincula uns aos outros. Coadjuvantes ou meros figurantes de capítulos iniciais são elevados a protagonistas mais adiante, oferecendo novas perspectivas e informações sobre crianças, jovens ou adultos aos quais o leitor já havia sido apresentado.

Além do ziguezague entre passado, presente e futuro, o romance é envolvente também pelas vozes narrativas. Uma das histórias se sustenta, eficaz, na segunda pessoa – “você ouve a fumaça crepitar em seu peito”, “você entra no apartamento pela janela”,” evidente para todos, menos você”.

Em outra, o diário de uma pré-adolescente, surge inteiramente na forma de esquemas e gráficos de uma apresentação de PowerPoint, estendendo-se por 75 páginas. Não é enfadonho, pelo contrário – o capítulo guarda um dos desenlaces mais tocantes do livro.

A autora vasculha uma das angústias mais inquietantes de qualquer existência: como conviver com os erros que o tempo não encobre e os acertos que tardam, talvez para sempre, a se materializar? É um retrato melancólico de uma época, e talvez excessivamente melancólico, mas plausível.

A Visita Cruel do Tempo rendeu a Jennifer Egan, em 2011, o Prêmio Pulitzer, a mais alta distinção da imprensa dos Estados Unidos, na categoria ficção.

By Joemir Rosa, from Zero Hora (Larissa Roso).

Onze minutos

Posted in Livros with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , on 17/10/2010 by Joe

Livro: Onze Minutos
By Paulo Coelho
Editora Planeta do Brasil

Neste livro Paulo Coelho fala de amor e da intensa relação entre corpo e alma. Inspirou-se na vida de uma prostituta brasileira na Suíça para criar a personagem principal do livro, Maria, e assim falar sobre o lado sagrado do sexo.

A Maria da ficção é nordestina e teve uma adolescência pontuada por frustrações no sertão. Ela decide economizar e realizar seu sonho de conhecer o Rio de Janeiro.

Na praia de Copacabana ela conhece um empresário suíço que faz promessas de levá-la para a Europa e torná-la uma estrela. Maria acredita e se muda para a desconhecida Genebra tendo em mãos um contrato assinado. Se ela o tivesse lido com atenção, talvez tivesse percebido a armadilha a tempo – um trabalho semi-escravo de dançarina numa casa noturna. Em pouco tempo ela acaba se tornando prostituta.

“Onze minutos” é um livro que fala de amor, essa palavra tão desgastada, maltratada em sua essência pelos atos humanos cotidianos. É um livro que fala da intensa relação entre corpo e alma, e como atingir a perfeita união e o sentimento duradouro, assim como de sonhos e prostituição.

“Onze Minutos” não se propõe a ser um manual sobre o homem e a mulher diante do mundo ainda desconhecido da relação sexual. É uma análise do meu próprio percurso, sem pretender julgar aquilo que vivi. Custou muito até que eu aprendesse que o encontro físico de dois corpos é mais que uma simples resposta a alguns estímulos físicos. Na verdade, ele carrega consigo toda a carga cultural da humanidade.

Escrevi este livro para ver se podia dizer, se eu tive coragem de aprender tudo o que a vida quis me ensinar a respeito  (Paulo Coelho).

By Joe.

Nunca fui primeira dama

Posted in Livros with tags , , , , , , , , , , , , on 22/08/2010 by Joe

Livro: Nunca fui primeira dama
By Wendy Guerra
Editora Benvirá

Nadia Guerra, alter ego da romancista e poeta Wendy Guerra, é uma mulher obcecada pela ideia de encontrar a mãe, que a abandonou aos dez anos de idade. Misto de ficção e realidade, a autora mergulha num bravo mundo feminino, na busca por Albis Torres, em uma viagem ao seu próprio passado e aos porões escuros do regime cubano.

Ao trazer a mãe de volta a Havana, resgatada em Moscou com uma doença que lhe tirou a memória, Nadia Guerra descobre, em uma caixa de objetos pessoais, os rascunhos de um romance que Albis escrevia sobre Celia Sánchez, secretária pessoal de Fidel Castro, heroína da revolução cubana.

Num livro que a mãe jamais conseguiu publicar, Wendy Guerra traz corajosamente à tona uma história impedida de vir à luz em Cuba. Em “Nunca Fui Primeira Dama”, a autora reconstrói a vida da mãe e de Célia, numa síntese brilhante de uma revolução e seus efeitos sobre o destino e os sentimentos mais profundos do ser humano, que coloca a autora no papel de sua própria personagem, em um relato de sombras, tanto das mais íntimas, quanto das revoluções.

Publicado em oito países, Wendy Guerra materializa o romance censurado, colocando-se no papel de sua personagem, agora na vida real. E corajosamente enfrenta os limites do regime de Cuba, onde ainda mora e sua obra permanece sem publicação.

Obra mais do que recomendada!

By Joe.

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