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Inanição intelectual

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Inanição intelectual

Gaston é um homem bonito que atrai quase todas as garotas de sua aldeia. Apenas uma não se sente fascinada por ele: Bela, que vê muito além das aparências. Bela vive a procura de algo maior e acredita que “deve existir algo além do que uma vida sem emoção”. Nesta aventura ela descobre os livros.

Desde que assisti ao musical “A Bela e a Fera” comecei a fazer uma sondagem nas plateias das palestras e convenções de aprendizado que participo. A primeira pergunta que lanço é muito subjetiva: quem tem o hábito de ler com frequência? Sem o compromisso da precisão matemática, posso afirmar que menos de um quarto da plateia levanta a mão. Começo, então, a dialogar com aqueles que levantaram a mão. A maioria, que diz ter o hábito da leitura, lê com frequência jornais e revistas. São poucos os que leem livros.

Indo mais a fundo no questionamento, dirijo a pergunta para aqueles que disseram que leem livros. A pergunta desta vez é: vocês leem muitos livros? Em plateias com mais de 200 pessoas, pode-se contar nos dedos quantos são aqueles que dizem sim. Mas o questionamento derradeiro ainda está por vir: o que são muitos livros? Quantos livros são lidos em um ano? A resposta é surpreendente: quem lê muito, lê entre quatro a oito livros por ano!

Pare para pensar e faça você também a estatística com as pessoas que você convive. São leitores contumazes ou engrossam as estatísticas da inanição intelectual?

Para alguns, os livros não passam de objetos de decoração e se prestam para “dar peso ao ambiente”. Neste processo de coisificação do livro, pouco importa o conteúdo: os livros são adquiridos por metro e a seleção se dá pela capa e pela lombada; quanto maior e mais colorido, melhor. A aparência de velhos e manuseados reforçam a ideia de cultura sólida e conhecimento de berço.

Pessoas inanimadas leem muito pouco e, portanto, evoluem pouco na carreira e na vida. Uma coisa está diretamente ligada à outra. Sem conhecimento as pessoas não brilham. Apagadas, passam a vida nas trevas sem serem percebidas. Um profissional que não lê é um profissional que limita seu conhecimento sistêmico e, consequentemente, tem poucas perspectivas.

Outras pessoas, porém, consideram os livros “alimentos para o cérebro”. Da mesma forma que um veículo, para se movimentar, precisa de combustível; nosso corpo, para se manter ativo, precisa de alimento; a nossa mente, por sua vez, para se manter atualizada, precisa de conhecimento. Os livros cumprem este papel como boa alternativa de informação e pesquisa.

Uma pessoa que lê é uma fonte inesgotável de criatividade, pois quando a informação se transforma em conhecimento, a visão do todo se amplia. Ler um livro é como escalar uma montanha, subir no topo e dali ver o mundo de um novo ângulo, um ângulo superior e sistêmico.

A leitura de livros tem um custo-benefício extremamente vantajoso. Não é preciso empatar muito tempo, e tampouco muito capital, em algo que pode se transformar em um importante diferencial, capaz de impulsionar o sucesso em qualquer carreira. A leitura areja a mente, nutre as ideias e faz brotar o talento de cada um. Se realmente somos os nossos conhecimentos, a informação que ingerimos molda nossa personalidade e contribui na formulação de nossas ideias.

Aquilo que escolhemos para ler e o que resolvemos deixar de lado são, portanto, decisões críticas que tomamos. Qual a utilidade dos detalhes dolorosos de um crime? E a roupa usada por um artista famoso? E a briga entre torcidas após um clássico de futebol? O excesso de informações inúteis funciona como um hipnotismo que aciona o piloto automático e faz com que a pessoa viva na repetição, adormecida e com baixo senso crítico.

O lixo cultural invadiu nossa vida e a informação útil compete em desvantagem com a poluição mental; assim, tudo que absorvemos torna-se parte de nós. Assim, quem está em evolução constante está a cada dia ampliando seu próprio dicionário de mundo.

O mal da humanidade tem nome: inanição intelectual, ou, se preferir, simplesmente ignorância. O tempo é você que faz. Invente um futuro cheio de possibilidades. Vá além de apenas ler bons livros. Comece degustando, depois saboreie e, por fim, devore-os. E bom apetite!

By Silvio Bugelli, consultor, conferencista e educador empresarial. Formado em Administração de Empresas com pós-graduação pela FGV.

A obra de uma vida

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A obra de uma vida

Não se pode morrer sem deixar uma grande obra… e não se pode viver sem executá-la!

Penso no que fiz e chego não à coisa em si, ao físico, material, mas ao espírito da coisa: o amor. O que eu sei fazer não foi o dinheiro que me ensinou. Nem o tenho para exibir.

Sexagenário, preocupo-me em atender e entender o significado de “a obra de uma vida”. Seria a felicidade orgástica após ter consumado um ato? Consumindo matérias? Adquirindo bens? Viver é produzir atos.

Mamãe dizia: “se pegou em dinheiro, lave bem as mãos!” Isso lá é educação financeira?!

Papai falava: “Fique só com o dinheiro digno, que seu trabalho e suor lhe proporcionarem!” É o fim da picada nestes novos tempos!!

O que você diria para um estudante que rejeita uma oferta de US$ 1 milhão da Microsoft? Provavelmente que ele está maluco, não é? Pois Mark Zuckerberg, o criador do Facebook, já é mais rico do que Steve Jobs, chefão da Apple, só porque entendeu o valor da pobreza da vida social da Universidade de Harvard, e projetou uma grande rede de relacionamentos humanos.

Cresci lendo clássicos como Honoré de Balzac, que disse: “Por detrás de uma grande fortuna há sempre um grande crime”.

Aprendi com a Cabala Judaica que o melhor louvor que um homem pode receber é: “Que seu nome sempre seja lembrado!”, e também aprendi que “De três maneiras é um homem conhecido: por seu copo, por seu bolso e por sua ira”.

A mesma moeda que compra a paz paga a guerra. Explicam os rabinos: “Qual a causa da morte? A vida. Mas qual é a causa do dinheiro? O desejo de justiça. O dinheiro em si é uma idolatria não só quando amado, mas quando desprezado”. “A resposta”, escreve o Rabino Nilton Bonder, “é que ele não foi criado para ser uma forma de opressão ou um instrumento de ganância, mas, ao contrário, o dinheiro – surpreendentemente – surge de um desejo humano por justiça e pela esperança de um mundo melhor”.

Quer ser feliz por um instante? Vingue-se. Quer ser feliz para sempre? Perdoe!

Negócios!!! Sagrado é o instante em que dois indivíduos fazem uso de sua consciência na tentativa de estabelecer uma troca que otimiza o ganho para os dois e a perda para ninguém.

Goethe descreve a arquitetura como “música congelada” e para os sábios, o dinheiro é “trabalho congelado”.

Aprendi também, que na hora de minha passagem, quando daqui nada levarei, terei de dar consciência a algumas destas questões:

• qual o tamanho da minha casa, e quantas pessoas abriguei nela?

• as roupas do meu armário, quantas pessoas ajudei a vestir?

• sobre o montante de meus bens materiais, em que medida eles ditaram minha vida?

• qual foi meu maior salário, comprometi meu caráter para obtê-lo?

• quantas promoções recebi em meu ofício, e de que forma promovi outros?

• o que fiz para proteger meus direitos, e o que fiz para garantir os direitos dos outros?

• nos bairros onde morei, como tratei meus vizinhos?

• quantos amigos tive, e para quantos realmente fui amigo?

A “grande obra” seria manter os amigos que fiz, que não deixarão meu nome ser esquecido?

Pior que ganhar inimigos é perder um amigo. Como um homem pode perder-se dos amigos?

Tento elencar alguns dos nomes que me serviram de inspiração:

Nobreza de caráter: Ayrton Senna, Gandhi, Einstein.

Estadistas: JK, Rondon, Barão do Rio Branco.

Artes: Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho, Malfatti, Portinari, Di Cavalcanti, Tarsila, Ohtake, Jobim, Vinicius, Cartola, Noel, Beatles, Caymmi, Niemeyer, Lobato, Machado, Alencar.

Ciências: César Lattes, Vital Brazil, Chagas e Cruz, Santos Dumont.

Esportes gerais, olímpicos e paraolímpicos: muitos, muitos mesmo.

Quero lembrar de políticos: chego ao patético!

Cristo: “Amai-vos uns aos outros como vos amei”.

Regis, eu mesmo: “Ama o quanto podes se tens a capacidade de fazê-lo e faze o que tanto queres se tens a capacidade de amá-lo”.

Não sei quem: “Eduque seu filho para ser feliz e não para vencer na vida; assim, ele saberá o valor das coisas e não o seu preço”.

By Regis Vianna.

Mães más

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Mães más

Um dia, quando meus filhos forem crescidos o suficiente para entender a lógica que motiva os pais e as mães, eu hei de dizer-lhes: eu os amei o suficiente para ter perguntado aonde vão, com quem vão e a que horas regressarão.

Eu os amei o suficiente para não ter ficado em silêncio e fazer com que eles soubessem que aquele novo amigo não era boa companhia.

Eu os amei o suficiente para os fazer pagar as balas que tiraram do supermercado ou revistas do jornaleiro, e dizer ao dono: “Nós pegamos isto ontem e queremos pagar”.

Eu os amei o suficiente para ter ficado em pé junto deles, duas horas, enquanto limpavam o seu quarto, tarefa que eu teria feito em 15 minutos.

Eu os amei o suficiente para os deixar ver além do amor que eu sentia por eles, o desapontamento e também as lágrimas nos meus olhos.

Eu os amei o suficiente para os deixar assumir a responsabilidade pelas suas ações, mesmo quando as penalidades eram tão duras que me partiam o coração.

Mais do que tudo, eu os amei o suficiente para dizer-lhes não, quando eu sabia que eles poderiam me odiar por isso (e em momentos até odiaram). Essas eram as mais difíceis batalhas de todas.

Estou contente, venci. Porque, no final, eles venceram também! E, em qualquer dia, quando meus netos forem crescidos o suficiente para entender a lógica que motiva os pais e as mães, quando eles lhes perguntarem se sua mãe era má, meus filhos vão lhes dizer:

– “Sim, nossa mãe era má. Era a mãe mais má do mundo. As outras crianças comiam doces no café e nós tínhamos que comer cereais, ovos e torradas. As outras crianças bebiam refrigerante e comiam batatas fritas e sorvete no almoço, mas nós tínhamos que comer arroz, feijão, carne, legumes e frutas. Ela nos obrigava a jantar à mesa, bem diferente das outras mães que deixavam seus filhos comerem vendo televisão. Ela insistia em saber onde estávamos a toda hora (tocava nosso celular de madrugada e “fuçava” nos nossos e-mails). Era quase uma prisão…”

“Mamãe tinha que saber quem eram nossos amigos e o que nós fazíamos com eles. Insistia que lhe disséssemos com quem íamos sair, mesmo que demorássemos apenas uma hora ou menos. Nós tínhamos vergonha de admitir, mas ela “violava as leis do trabalho infantil”. Nós tínhamos que tirar a louça da mesa, arrumar nossas bagunças, esvaziar o lixo e fazer todo esse tipo de trabalho que achávamos cruéis. Eu acho que ela nem dormia à noite, pensando em coisas para nos mandar fazer. Ela insistia sempre conosco para que lhe disséssemos sempre a verdade e apenas a verdade e, quando éramos adolescentes, ela conseguia até ler os nossos pensamentos”.

“A nossa vida era mesmo chata. Ela não deixava os nossos amigos tocarem a buzina para que saíssemos; tinham que subir, bater à porta, para ela os conhecer. Enquanto todos podiam voltar tarde à noite, com 12 anos, tivemos que esperar pelos 16 para chegar um pouco mais tarde, e aquela chata levantava para saber se a festa tinha sido boa (só para ver como estávamos ao voltar). Por causa de nossa mãe, nós perdemos imensas experiências na adolescência: nenhum de nós esteve envolvido com drogas, em roubo, em atos de vandalismo, em violação de propriedade, nem fomos presos por nenhum crime. Foi tudo por causa dela. Agora que já somos adultos, honestos e educados, estamos fazendo o nosso melhor para sermos “pais maus”, como minha mãe foi. Eu acho que este é um dos males do mundo de hoje: não há suficientes “mães más”.

É verdade… estão faltando “mães más” atualmente!

By Dr. Carlos Hecktheuer, médico psiquiatra.

Fulminado Por Um Raio

Posted in Livros with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on 02/09/2012 by Joe

Livro: Fulminado Por Um Raio
By Erik Larson
Editora Record

Em “Fulminado Por Um Raio”, Erik Larson narra as histórias de dois homens – Hawley Crippen, um assassino improvável, e Guglielmo Marconi, o obsessivo criador de um meio de comunicação aparentemen- te sobrenatural – cujas vidas se encontram durante uma das maiores perseguições de todos os tempos a criminosos.

Passado na Londres eduardiana e nas tempestuosas costas de Cornualha, Cape Cod e Nova Escócia, “Fulminado Por Um Raio” evoca o dinamismo de um período no qual grandes companhias de navegação competiam para construir os maiores e mais velozes transatlânticos, em que os avanços científicos estarreciam o mundo e em que os ricos superavam-se uns aos outros em demonstrações de ostentação.

É neste cenário que Marconi, a despeito dos obstáculos e de um impiedoso ceticismo, corre para aperfeiçoar sua incrível invenção: o telégrafo, instrumento primitivo que está nas origens do mundo tal como hoje o conhecemos. Enquanto isto, Crippen, “o mais gentil dos homens”, quase comete o crime perfeito.

Com uma apurada técnica narrativa, Erik Larson conduz essas duas histórias paralelas até seu ponto de interseção: um encontro repleto de suspense nas águas do Atlântico do Norte. Ao longo do percurso, fala de um caso de amor trágico e triste estampado na primeira página de jornais de todo o mundo, de um inspetor-chefe estranhamente solidário ao assassino e sua amante, e de um inventor cativante e compulsivo que transformou o modo como nos comunicamos.

“Fulminado Por Um Raio” apresenta o vibrante retrato de uma época obscura protagonizada por mágicos, inventores e detetives da Scotland Yard, quando o mundo caminhava inevitavelmente para a primeira grande guerra do século XX. Arrebatador desde a primeira página, e extremamente rico em detalhes, é uma esplêndida narrativa histórica, por um mestre do gênero.

By Joemir Rosa.

Balanço

Posted in Inspiração with tags , , , , , , , , , , , , , , , on 19/04/2012 by Joe

Rubem Alves, o ilustre educador que já sentiu o perfume de flores em mais de setenta primaveras, em seu livro “Mansamente Pastam As Ovelhas”, escreveu o seguinte:

– “Balançar é o melhor remédio para a depressão. Quem balança vira criança de novo. Razão pela qual eu acho um crime que nas praças públicas só haja balanços para crianças pequenas. Há que haver balanços grandes para os grandes! Já imaginaram o pai e a mãe, o avô e a avó, balançando?”

– “Ahhh, vocês riram? Acham absurdo?”

– “Entendo. Vocês estão velhos. Têm medo do ridículo. Seu sonho fundamental está enterrado debaixo do cimento.”

– “Eu já sou avô e me rejuvenesço balançando até tocar a ponta do pé na folha do caquizeiro, onde meu balanço está amarrado!”

Pense nisso … e liberte o jovem que existe em você!

By Rubem Alves.

A prisão de cada um

Posted in Reflexão with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on 21/12/2010 by Joe

O máximo de liberdade que o ser humano pode aspirar é escolher a prisão na qual quer viver. Pode-se aceitar esta verdade com pessimismo ou otimismo, mas é impossível refutá-la. A liberdade é uma abstração.

Liberdade não é uma calça velha, azul e desbotada, e sim, nudez total, nenhum comportamento para vestir. No entanto, a sociedade não nos deixa sair à rua sem um crachá de identificação pendurado no pescoço.

Diga-me qual é a sua tribo e eu lhe direi qual é a sua clausura!

São cativeiros bem mais agradáveis do que o Carandiru: podemos pegar sol, ler livros, receber amigos, comer bons pratos, ouvir música, ou seja, uma cadeia à moda Luis Estevão, só que temos que advogar em causa própria e hábeas corpus, nem pensar.

O casamento pode ser uma prisão. E a maternidade, a pena máxima. Um emprego que rende um gordo salário trancafia você, o impede de chutar o balde e arriscar novos vôos. O mesmo se pode dizer de um cargo de chefia. Tudo que lhe dá segurança ao mesmo tempo lhe escraviza.

Viver sem laços igualmente pode nos reter.

Uma vida mundana, sem dependentes para sustentar, o céu como limite: prisão também. Você se condena a passar o resto da vida sem experimentar a delícia de uma vida amorosa estável, o conforto de um endereço certo e a imortalidade alcançada através de um filho.

Nós é que decidimos quando seremos capturados e para onde seremos levados. É uma opção consciente. Não nos obrigaram a nada, não nos trancafiaram num sanatório ou num presídio real, entre quatro paredes.

Nosso crime é estar vivo e nossa sentença é branda, visto que outros, ao cometerem o mesmo crime que nós – nascer – foram trancafiados em lugares chamados miséria, analfabetismo e exclusão.

Brindemos: temos todos cela especial!

By Paulo Rebelato, psiquiatra, em entrevista para a revista gaúcha Red 32.

A nossa canção

Posted in Inspiração with tags , , , , , , , , , , , , , on 03/11/2010 by Joe

Quando uma mulher em uma tribo africana sabe que está grávida, ela sai para a mata com algumas amigas, e juntas rezam e meditam até ouvirem a canção da criança. Elas sabem que cada alma tem sua vibração própria, que expressa seu propósito e aromas próprios.

Quando as mulheres se afinam com a canção, elas a cantam em voz alta. Então retornam à tribo e ensinam a canção a todos os outros.

Quando a criança nasce, a comunidade se reúne e canta a canção pra ela. Mais tarde, na idade de ir pra escola, a vila se reúne para cantar a canção pra criança.

Quando da iniciação da fase adulta, novamente o povo se reúne e canta a canção. À época do casamento, a pessoa ouve sua canção. E, finalmente, quando a alma está pronta para sair deste mundo, a família e os amigos se reúnem em torno da cama da pessoa, como fizeram no seu nascimento, e cantam à pessoa para a próxima vida.

Para esta tribo africana há outra ocasião na qual o povo canta para a criança também. Se em algum momento de sua vida, a pessoa comete um crime ou um ato anti-social, o individuo é chamado ao centro da vila e as pessoas da comunidade formam um círculo ao redor dele. E, então, cantam sua canção para que a ouça.

A tribo reconhece que o corretivo para o comportamento anti-social não é a punição; é o amor e a lembrança da identidade. Quando você reconhece sua própria canção, não tem desejo ou necessidade de fazer nada que possa ferir a outrem e a si mesmo.

Um amigo é alguém que sabe sua canção e a canta quando você a esqueceu. Os que te amam não são enganados pelos erros que você tenha cometido, ou por imagens obscuras que tenha de si mesmo. Eles te lembram sua beleza quando você se sente feio; sua totalidade quando você está partido; sua inocência quando se sente culpado; seu propósito quando está confuso.

Você pode não ter nascido numa tribo africana que canta para você nas transições cruciais da vida, mas a vida está sempre te fazendo lembrar quando está afinado consigo mesmo e quando não está.

Quando você se sente bem, o que está fazendo se compara à sua canção, e quando se sente mal, tal não acontece. No fim, todos nós reconheceremos nossa própria canção e a cantaremos muito bem.

Você pode se sentir como que apenas murmurando, mas assim acontece com todos os grandes cantores. Apenas continue cantando e você vai encontrar seu caminho para Casa.

By Allen Cohen.

Quem balança vira criança…

Posted in Inspiração with tags , , , , , , , , , , on 26/08/2010 by Joe

“Quem balança vira criança de novo.
Razão por que eu acho um crime que, nas praças públicas, só haja balancinhos para crianças pequenas.
Há de haver balanços grandes para os grandes!
Já imaginaram o pai e a mãe, o avô e a avó, balançando?

Riram? Absurdo? Entendo. Vocês estão velhos. Têm medo do ridículo. Seu sonho fundamental está enterrado debaixo do cimento.

Eu já sou avô e me rejuvenesço balançando até tocar a ponta do pé na folha do caquizeiro onde meu balanço está amarrado!”

By Rubem Alves

A fé de uns e de outros

Posted in Atualidade with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on 27/07/2010 by Joe

Apoio que as pessoas se manifestem publicamente contra a violência urbana, contra os altos impostos que não são revertidos em benefícios sociais, contra a corrupção, contra a injustiça, contra o descaso com o meio ambiente, enfim, contra tudo o que prejudica o desenvolvimento da sociedade e o bem-estar pessoal de cada um.

No entanto, tenho dificuldade de entender a mobilização, geralmente furiosa, contra escolhas particulares que não afetam em nada a vida de ninguém, a não ser aos diretamente envolvidos, caso da legalização do casamento gay, que acaba de ser aprovado na Argentina.

Se dois homens ou duas mulheres desejam viver amparados por todos os direitos civis que um casal hétero dispõe, em que isso atrapalha a minha vida ou a sua? Estarão eles matando, roubando, praticando algum crime? No caso de poderem adotar crianças, seria mais saudável elas serem criadas em orfanatos do que num lar afetivo? Ou será que se está temendo que a legalização seja um estímulo para os indecisos? Ora, a homossexualidade faz parte da natureza humana, não é um passatempo, um modismo. É um fato: algumas pessoas se sentem atraídas – e se apaixonam – por parceiros do mesmo sexo. Acontece desde que o mundo é mundo. E se por acaso um filho ou neto nosso tiver essa mesma inclinação, é preferível que ele cresça numa sociedade que não o estigmatize. Ou é lenda que queremos o melhor para nossos filhos?

No entanto, o que a mim parece lógico, não passa de um pântano para grande parcela da sociedade, principalmente para os católicos praticantes. Entendo e respeito o incômodo que sentem com a situação, que é contrária às diretrizes do Senhor, mas na minha santa inocência, ainda acredito que religião deveria servir apenas para promover o amor e a paz de espírito. Se for para promover a culpa e decretar que quem é diferente deve arder no fogo do inferno, então que conforto é esse que a religião promete? Não quero a vida eterna ao custo de subjugar quem nunca me fez mal. Prefiro vida com prazo delimitado, porém vivida em harmonia.

Sei que sou uma desastrada em tocar num assunto que deixa meio mundo alterado. Daqui a cinco minutos minha caixa de e-mails estará lotada de agressões, mas me concedam o direito ao idealismo, que estou tentando transmitir com a maior doçura possível: não há nada que faça com que a homossexualidade desapareça como um passe de mágica, ela é inerente a diversos seres humanos e um dia será aceita sem tanto conflito. Só por cima do seu cadáver? Será por cima do cadáver de todos nós, tenha certeza. Claro que ninguém precisa ser conivente com o que lhe choca, mas é mais produtivo batalhar pela erradicação do que torna nossa vida ruim, do que se sentir ameaçado por um preconceito, que é algo tão abstrato.

Pode rir, mas às vezes acho que acredito mais em Deus do que muito cristão.

By Martha Medeiros.

Perdão para os padres pedófilos

Posted in Atualidade with tags , , , , , , , , , , , on 02/04/2010 by Joe

Leio nos jornais que a arquidiocese alemã de Munique está recebendo um tsunami de denúncias de abuso de menores praticados por membros da igreja.

A informação é de Elke Hümmeler, que cita 120 relatos de abusos feitos desde a confirmação, há duas semanas, de que um padre foi transferido em 1980 para trabalhar com crianças em Munique, mesmo sendo suspeito de ter cometido abusos na cidade de Essen.

A arquidiciose bávara foi presidida entre 1977 e 1982 pelo cardeal Joseph Ratzinger, hoje papa Bento XVI. O sacerdote, em vez de ser denunciado à polícia, foi submetido à sessões de terapia, endossadas pelo atual pontífice.

“É como um tsunami de denúncias”, disse Hümmeler. “Acredito que nunca ficamos tão chocados”. A denúncia da conivência do papa com um padre pedófilo surge logo após descoberta não menos grave. Os meninos-cantores da catedral de Regensburgo (Ratisbona) eram pasto dos padres que os educavam, entre 1958 e 1973. O coral foi dirigido, de 1964 a 1994, pelo padre Georg Ratzinger, irmão do Bento.

Em carta dirigida aos fiéis irlandeses e divulgada sábado passado pelo Vaticano, Sua Santidade se disse envergonhado pelos abusos cometidos no seio da Igreja Católica da Irlanda. Criticou ainda a postura das autoridades eclesiásticas dessa diocese e ordenou aos bispos que ajudem as autoridades civis.

“Expresso abertamente a vergonha e o remorso que todos provamos”, disse o Papa, esclarecendo às vítimas que este também é um ‘grande dano’ à Igreja e à pública percepção do sacerdócio e da vida religiosa. “A Justiça de Deus exige que assumamos nossas ações sem ocultar nada. Reconheçam abertamente a sua culpa, submetam-se às exigências da Justiça”, determinou aos envolvidos nas agressões. Dirigindo-se aos padres pedófilos, Bento XVI reiterou que estes devem responder por seus crimes, “perante ao Deus onipotente e também frente aos tribunais devidamente constituídos”.

Sobre os abusos no coral de Ratisbona, quando dirigido por seu irmão e sobre a proteção a um padre pedófilo durante seu cardinalato em Munique, Bento não disse absolutamente nada.

Após seu pronunciamento anódino sobre os padres pedófilos da Irlanda, Sua Santidade volta a proferir sandices. No Angelus deste domingo, proferido na praça São Pedro, pediu “perdão para o pecador, intransigência com o pecado”. Está se referindo aos abusos sexuais dos ministros da Igreja irlandesa.

Pelo jeito não entra no bestunto pontifício que pedofilia não é uma questão de pecado. Pedofilia é crime. Pecado se perdoa com um ato de contrição, três pai-nossos e dez ave-marias. Crime se pune com cadeia! Ao acobertar pedófilos, tanto João Paulo II como Bento XVI livraram seus sacerdotes da justiça penal.

Em sua primeira homilia após a pastoral em que manifestou suas desculpas esfarrapadas pelas vítimas do clero irlandês, Bento evocou aquela passagem dos evangelhos em que Cristo diz: “quem estiver livre de pecado, que atire a primeira pedra”. No que a mim diz respeito, se nutrisse algum ódio por adúlteras, levaria um saco de pedras.

Porque pecado é coisa de quem crê na noção de pecado. Como não creio, não tenho pecado algum. Sou um santo homem, pronto para a canonização. Pena que tampouco creio em santos. Por outro lado, Sua Santidade deixou de lado uma safadeza do Cristo. Ele centra seu perdão na adúltera. Culpada é a mulher. Sobre com quem ela pecou, nenhuma palavrinha. Para Cristo, em caso de adultério, só a mulher peca.

“Temos que aprender a ser intransigentes com o pecado, começando pelos nossos, e indulgentes com as pessoas” – acrescentou – convidando os fiéis a “aprender de Jesus e não julgar e condenar o próximo”.

Ora, neste “indulgentes com as pessoas” há um convite explícito a perdoar os padres pedófilos. Por outro lado, desde há muito venho desconfiando que Bento não leu com atenção a Bíblia.

Muito menos o Apocalipse: “Depois vi um grande trono branco e aquele que nele estava assentado… Vi também os mortos, grandes e pequenos, em pé diante do trono, e os mortos foram julgados de acordo com o que tinham feito, segundo o que estava registrado nos livros”. As pessoas cujos nomes não estiverem no Livro da Vida receberão o castigo eterno.

Está em Mateus: “E irão estes para o tormento eterno, mas os justos para a vida eterna”. O julgamento se repete no Apocalipse: “E aquele que não foi achado escrito no Livro da Vida foi lançado no lago de fogo.”

Mais ainda: “Quanto aos tímidos, e aos incrédulos, e aos abomináveis, e aos homicidas, e aos fornicários, e aos feiticeiros, e aos idólatras e a todos os mentirosos, a sua parte será no lago que arde com fogo e enxofre, o que é a segunda morte”. Se isto não é julgamento, que será então? Quem vem para julgar? O Cordeiro. Quem é o Cordeiro? É Cristo ressuscitado, é o Senhor dos Senhores, o Rei dos Reis.

Não há indulgência com pecador algum. Pecadores vão todos para o lago que arde com fogo e enxofre. O que só confirma minha antiga suspeita, que Bento não tem familiaridade alguma com os textos sagrados.

No que depender de Sua Santidade, ao arrepio do Livro, todo padre pedófilo será poupado do lago que arde com fogo e enxofre.

By Janer Cristaldo, para o site Baguete.

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