Arquivo para Couve

O leite só ferve quando você sai de perto

Posted in Inspiração with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on 16/10/2014 by Joe

O leite só ferve quando

Em meados dos anos 80, lá em Minas, o costume era comprar leite na porta de casa, trazido pela carroça do leiteiro, que vinha gritando:

– “Ó o lêeeeeite!!!”.

Minha mãe corria porta afora e o leite – fresquinho, gorduroso e integral – era despejado na leiteira para nosso consumo. Porém, era um leite impuro, não pasteurizado, e necessitava ser fervido antes de consumir.

No início, minha mãe tinha um ritual no mínimo interessante para esse evento: colocava o leite na fervura e saía de perto. Literalmente esquecia. Simplesmente i.g.n.o.r.a.v.a.!

É claro que o leite fervia, subia canecão acima e despencava fogão abaixo. Eu era criança e, quando via a conclusão do projeto, gritava:

– “Mãe!!! O leite ferveu!!! Tá secaaaannndo…”

E ela vinha correndo, apavorada, soltando frases do tipo:

– “Seja tudo pelo amor de Deus…” – e desandava a limpar o fogão, o canecão, e ver o que sobrou do leite… pra tudo se repetir no dia seguinte, tradicionalmente.

Até hoje não entendo o porquê dessa técnica. Parecia combinado, tamanha precisão com o que ocorria.

Mais tarde, ela mudou de estratégia. Eu já era maiorzinha e podia ficar perto do fogo. Assim, ficava ao lado do fogão, de olho no leite esquentando… pra desligar assim que a espuma subisse, impedindo que transbordasse. Foi assim que aprendi uma grande lição:

“O leite só ferve quando você sai de perto.”

Não adianta ficar sentada ao lado do fogão, fingir que não está ligando; até pegar um livro pra se distrair. É batata: ele não ferve. Parece existir um radar sinalizador capaz de dotar o leite de perspicácia e estratégia. Porque também não basta se afastar fingindo que não está nem aí. O leite percebe que é só uma estratégia. E só vai ferver (e transbordar) se você esquecer de fato.

A vida gosta de surpresas e obedece à “lei do leite que transborda”: aquilo que você espera acontecer não vai acontecer enquanto você continuar esperando.

Antigamente, o sofrimento era ficar em casa aguardando o telefone tocar. Não tocava. Então, pra disfarçar, a gente saía, fingia que não estava nem aí (no fundo estava), até deixava alguém de plantão. Também não tocava. Porém, quando realmente nos desligávamos, a coisa fluía, o leite fervia, a vida caminhava.

Hoje, ninguém fica em casa por um telefonema, mas piorou. Tem e-mail, WhatsApp, MSN, Facebook, SMS, e por aí vai. O celular com internet sempre à mão, a neurose andando com você pra todo canto. E o leite não ferve…

Acontece também de você se esmerar na aparência, com esperança de esbarrar no grande amor, na fulana que te desprezou, no canalha que te quer como amiga. Então, ajeita o cabelo, dá um jeito pra maquiagem parecer “linda e casual”, capricha no perfume… e com isso faz as chances de encontrá-lo(a) na esquina despencarem.

Esqueça, baby. O grande amor, a fulaninha ou o canalha podem cruzar seu caminho nos dias de cabelo ruim, roupa esquisita e couve no cantinho do sorriso.

Do mesmo modo, se quiser engravidar, pare de desejar. Não contabilize seu período fértil e desista de armar estratégias pro destino. Continue praticando esportes radicais, indo à balada, correndo maratonas. Na hora que ignorar de verdade, dará positivo.

A vida – como o leite – não está nem aí pra sua pressa, pro seu momento, pra sua decisão. Por isso você tem que aprender a confiar. A relaxar. A tolerar as demoras. A não criar expectativas. A fazer como minha mãe: i.g.n.o.r.a.r…

E lembre-se: tem gente que prefere ser lagarta do que borboleta. Sem paciência com os ciclos, destrói seu casulo antes do tempo e não aprende a voar.

By Fabíola Simões de Brito Lopes.

Bruschetta de provolone e bacon

Posted in Reflexão with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on 07/09/2013 by Joe

Bruschetta de provolone e bacon

A bruschetta (pronuncia-se brusqueta) é um antepasto italiano feito à base pão, que é tostado em grelha com azeite e depois esfregado com alho. Há diversas variações, sendo bastante conhecida a bruschetta de tomate, que leva, por cima da fatia de pão, tomates e manjericão.

O termo bruschetta é originário das regiões do Lazio e de Abruzzo, derivada da palavra “bruscato” que significa tostado ou torrado, quer seja no forno ou na grelha. Há também outros nomes para bruschetta, como “fetunta“, na região da Toscana, aí derivado das palavras “fetta unta“, isto é, fatia untada, no caso, com azeite de oliva.

A clássica bruschetta é feita com uma fatia de pão italiano rústico, de farinha escura e grossa, de casca dura, tostada na grelha, esfregada com alho, untada com abundante azeite e polvilhada com sal e eventualmente com pimenta-do-reino.

Há, porém, incontáveis variações para se preparar uma boa bruschetta. Na Toscana, o pão local, feito sem sal, é guarnecido com “fagioli al fiasco“, ou seja, feijão branco cozido com ervas e alho ou então, com “cavolo nero“, couve picada bem fininho e aferventada em água e sal.

Como os pães italianos são diversificados, variando de região para região, a bruschetta possui sabor e aparência com características distintamente regionais. Na Puglia e na Campania, por exemplo, é feita com um pão crocante, chamado “frisella” ou “frisedda“. Na Calábria, Sicília e Basilicata, a bruschetta é feita com um pão comprido de semolina e sementes de gergelim, guarnecido com tomates, azeite e orégano.

Embora certas guarnições sejam mais adequadas para determinados tipos de pães, pode-se garantir uma boa bruschetta somente com um bom pão e um azeite de oliva de boa qualidade. A pimenta-do-reino moída na hora também dá um sabor especial. Ainda, prefira tostar o pão na grelha, a torrá-lo no forno. Ele fica macio por dentro e com uma casca crocante externamente. Se usar queijo e quiser derretê-lo, coloque as bruschettas em forno alto por alguns minutos, o que impedirá que o pão endureça.

Variações regionais à parte, a bruschetta (assim como outras delícias de origem italiana como fogazza, caponata, crostini, fagottini, sardella, etc) vai se tornando cada vez mais presente no Brasil, principalmente nas regiões onde a colonização italiana foi mais intensa. Quem mora em São Paulo conhece as famosas festas italianas de rua como San Francesco di Paula, San Vito, Nossa Senhora de Casaluce, Nossa Senhora Achiropita e San Gennaro Mártir onde se pode saborear todas essas e muitas outras iguarias.

Variações dessa receita existem aos montes. Depois de ter publicado a receita básica da bruschetta (veja aqui), hoje optei por uma variação desse prato italiano, aproveitando que estamos comemorando a semana do bacon!

Bruschetta de provolone e bacon

Ingredientes

2 dentes de alho
4 fatias de pão italiano (use o filão, que é mais fino)
200 g de queijo provolone em lascas
100 g de bacon picado torradinho
azeite a gosto
pimenta do reino a gosto

Modo de preparo

Passe o alho pelo pão e leve ao forno pré-aquecido para dourar ligeiramente. Retire do forno e disponha o provolone e o bacon sobre o pão. Regue com azeite, polvilhe a pimenta do reino e leve ao forno só para aquecer ligeiramente e derreter um pouco o queijo. Sirva em seguida.

Um bom vinho tinto encorpado é a melhor companhia!

By Joemir Rosa.

Caldo verde

Posted in Receitas with tags , , , , , , , , on 04/06/2011 by Joe

Sempre que chega o inverno e começa esfriar, eu lembro das sopas quentinhas e substanciosas. Uma das receitas que eu mais aprecio é o famoso Caldo Verde, um prato rústico e típico dos camponeses do Norte de Portugal, do Minho, para ser mais exato. Uma sopa de batatas, couve picadinha e paio (ou chouriço, como na origem), regada com azeite de oliva português.

Em Portugal, é costume consumir caldo verde depois da meia-noite, e em plena madrugada nas festas de passagem de ano e nas festividades dos santos populares. Assim como a canja de galinha, o caldo verde é uma das sopas tipicamente portuguesas mais fáceis de preparar e das mais populares.

Para variar, receitas existem várias, onde temperos e ingredientes são os mais diversos: alguns acrescentam pimenta do reino em pó, salsinha e cheiro-verde, outros substituem o paio por linguiça calabresa, toscana ou pelo próprio chouriço.

Não importa quais ingredientes sejam utilizados. Como tudo na vida, vale a pena experimentar todas as variações e formas de preparo. Ainda mais com esse tempo frio de inverno. A receita a seguir é a minha favorita até este momento.

Caldo Verde

Ingredientes

250 g de couve-manteiga
1 1/2 litros de água
1/2 colher (sopa) de sal
1 kg de batatas descascadas e cortadas em quatro
1 cebola cortada em quatro
100 gr de bacon picados em cubinhos
4 dentes de alho picados
azeite de oliva
300 gr de paio

Modo de preparo

Lave e higienize bem as folhas de couve, retirando os talos, cortando em fatias finas ou grossas, dependendo do gosto de cada um.

Cozinhe, na água com sal, as batatas descascadas, a cebola, metade do alho, e duas colheres (sopa) de azeite. Uma vez cozidas, retire da panela (não jogue fora a água), deixe esfriar um pouco e passe tudo pelo liquidificador para formar um caldo grosso. Volte esse caldo à panela, misture bem e mantenha em fogo baixo.

Enquanto isso, em uma frigideira grande, frite o bacon em cubos não muito pequenos e depois o alho picadinho, acrescente o paio sem pele e cortado em rodelas para fritar um pouco. Acrescente a couve cortada, refogue até murchar um pouco (não deixe cozinhar demais) e junte tudo ao caldo. Aumente o fogo, corrija o sal, se necessário, e deixe engrossar por mais uns cinco minutos.

Sirva, preferencialmente, em tigelas de barro, regada com um fio de azeite.

Em Portugal toma-se a sopa acompanhada de uma boa broa de milho. Eu, particularmente, prefiro pão francês ou italiano. Outra opção é preparar um pão de alho: corte as fatias de pão e leve ao forno, como se fosse fazer torradinhas. Numa panela, coloque um fio de azeite e doure o alho. Retire o pão do forno e coloque o alho dourado por cima! Sirva quentinho com o caldo verde  acompanhado de um bom vinho Dão de castas brancas.

By Joemir Rosa.

Caldo Verde

Posted in Receitas with tags , , , , , , , , on 18/07/2009 by Joe

Caldo VerdeSempre que chega o inverno e começa esfriar, eu lembro das sopas quentinhas e substanciosas. Uma das receitas que eu mais aprecio é o famoso Caldo Verde, um prato rústico e típico dos camponeses do Norte de Portugal, do Minho, para ser mais exato. Uma sopa de batatas, com muito azeite de oliva, couve picadinha e paio (ou chouriço, como na origem).

Em Portugal, é costume consumir caldo verde depois da meia-noite, e em plena madrugada nas festas de passagem de ano e nas festividades dos santos populares. Assim como a canja de galinha, o caldo verde é uma das sopas tipicamente portuguesas mais fáceis de preparar e das mais populares.

Para variar, receitas existem aos montes, onde temperos e ingredientes são os mais diversos: alguns acrescentam pimenta do reino em pó, salsinha e cheiro-verde, outros substituem o paio por linguiça calabresa, toscana ou pelo próprio chouriço.

Não importa quais ingredientes sejam utilizados. Como tudo na vida, vale a pena experimentar todas as variações e formas de preparo. Ainda mais com esse tempo frio de inverno. A receita a seguir é a minha favorita até este momento.

Caldo Verde

Ingredientes

250 g de couve-manteiga
1 1/2 litros de água
1/2 colher (sopa) de sal
1 kg de batatas
1 cebola cortada em quatro
4 dentes de alho picados
azeite de oliva
300 gr de paio

Modo de preparo

Lave e higienize bem as folhas de couve, retirando os talos, e cortando o mais fino possível e reserve.

Cozinhe na água com sal as batatas descascadas, a cebola, metade do alho, e duas colheres (sopa) de azeite. Uma vez cozidas, deixe esfriar um pouco e passe tudo pelo liquidificador para formar um caldo grosso. Volte esse caldo à panela e mantenha em fogo baixo.

Enquanto isso, em uma frigideira grande, frite o alho picadinho em uma colher de azeite e acrescente o paio sem pele e cortado em rodelas para fritar um pouco. Acrescente a couve cortada, refogue até murchar um pouco (não deixe cozinhar demais) e junte tudo ao caldo. Aumente o fogo, corrija o sal, se necessário, e deixe engrossar por mais uns cinco minutos.

Sirva, preferencialmente, em tigelas de barro, regada com um fio de azeite.

Em Portugal toma-se a sopa acompanhada de uma boa broa de milho. Eu, particularmente, prefiro pão francês ou italiano. Outra opção é preparar um pão de alho: corte as fatias de pão e leve ao forno, como se fosse fazer torradinhas. Numa panela, coloque um fio de azeite e doure o alho. Retire o pão do forno e coloque o alho dourado por cima! Sirva quentinho com o caldo verde numa noite de frio acompanhado de um bom vinho Dão de castas brancas.

By Joe

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