Arquivo para Contratos

Relacionamentos são contratos

Posted in Reflexão with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on 14/09/2015 by Joe

Relacionamentos são contratos 2

Não existe uma forma certa de se relacionar. Não existe um único jeito de ser feliz acompanhada. Cada pessoa é diferente. Cada casal é diferente. E, exatamente por isso, o que é bom para um pode ser horrível para o outro. Você está em um relacionamento, mas sabe bem o que foi que assinou?

Cada pessoa é moldada por diversas experiências. Da infância aos dias de hoje. São várias coisas que se acumulam, certezas que se engessam e dores que são jogadas para baixo do tapete. E a gente acha que todo mundo sabe quais são essas coisas que marcaram e o que é importante para a gente. Mas ninguém está dentro da nossa cabeça.

Quando você entra em um relacionamento está assinando o contrato que outra pessoa te ofereceu. Você sabe o que essa pessoa pensa sobre coisas importantes para você como liberdade, sexo, fidelidade, grana, família, futuro? Será que antes de “fechar negócio” não é melhor conversar e alinhar as expectativas?

Quando eu fico frustrada espero que meu companheiro me dê carinho. Quero abraços, que ele passe a mão no meu rosto, fique de mão dada e faça carinho com o dedo enquanto as mão estão juntas. Quero que ele me diga que está tudo bem, que eu sou incrível e que merda acontece com todo mundo. Mas como ele vai saber de tudo isso se eu não contar com todas as palavras e detalhes?

Nós sabemos o que esperamos das pessoas. Nós temos uma lista imensa de coisas que queremos que façam e outra daquilo que desejamos com toda a força que nunca aconteçam. E todas essas coisas mudam de pessoa para pessoa.

Tem gente que acha relacionamentos abertos um absurdo. Outras que gostam de sinceridade. E tem aquelas que acham que trair não é tão ruim assim. Há os inseguros, os ciumentos, os controladores. Há quem goste de carinho e quem não suporte o toque. Há quem queira ficar grudado e quem precise de espaço para respirar. Há todo tipo de gente no mundo.

Não vivemos em uma comédia romântica em que uma pessoa sabe direitinho o que a outra precisa – mesmo antes dela saber que precisa daquilo. Vivemos no mundo real, lugar em que todas as pessoas são cheias de traumas, medos e histórias. Por aqui a gente precisa conversar, trocar, deixar claro e não esperar que leiam nossas mentes. Não vivemos em um conto de fadas – ele, na verdade, não existe.

Assinar um contrato requer atenção, cuidado e entendimento de todas as cláusulas. Um relacionamento nada mais é do que um contrato entre duas pessoas que resolveram ficar juntas. É bom ler as letras miúdas no final da página.

By Carol Patrocínio para o Yahoo.

Wi-Fi: fidelidade sem fio

Posted in Relacionamentos with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on 10/11/2014 by Joe

Wi-fi - fidelidade sem fio

Acho que foi em 1993. Numa entrevista histórica para a MTV, Renato Russo disse a Zeca Camargo que achava lealdade mais importante que fidelidade. Eu era menina, mas lembro que gravei a entrevista numa fita VHS e revi inúmeras vezes, me intrigando sempre nessa parte.

Eu entendia pouco acerca do amor, dos afetos, da durabilidade das relações. Mas Renato Russo me influenciava numa época em que meu pensamento ainda estava sendo moldado e eu tentava, imaturamente, entender aquela declaração.

Isso foi há vinte anos. De lá pra cá, relações se construíram e desconstruíram na minha frente. E, vivendo minha própria experiência, finalmente consigo entender, e de certa forma concordar, com Renato Russo.

A fidelidade é permeada por regras, obrigações, compromisso. É conexão com fio, em que te dou uma ponta e fico com a outra. Assim, ficamos ligados, mas temos que manter a vigília para o fio não escapar e nosso aparelho não desligar.

Já a lealdade permeada pelo vínculo, vontade e emoção é o pacto que se firma não por valores morais, e sim emocionais. É conexão “wi-fi: fidelidade sem fio”, que faz com que eu permaneça unida a você, independente da existência de condutores ou contratos. Permaneço em pleno funcionamento por convicções permanentes e duradouras, invisíveis aos olhos.

Amor nenhum se atualiza sozinho. O tempo passa, a gente muda, o amor modifica. E, nessa evolução toda, a única tecla capaz de atualizar e permitir a duração do amor, é a tecla da lealdade. É ela que conta ao outro que estou mudando, que não gosto mais daquele apelido, ou que aquela mania de encostar os pés gelados em mim embaixo do cobertor ficou chata. É ela que diz que eu gosto tanto do seu cabelo jogado na testa, por que é que não deixa sempre assim?

Ou que traduz que tenho medo de te perder, mas ainda assim preciso lhe contar que na época da faculdade usei drogas, pratiquei magia ou fiz um aborto. É ela que permite que coisas ruins ou não tão bonitas encontrem um refúgio, um lugar seguro onde possam descansar em paz. É ela que faz o amor se atualizar e durar!

Lealdade é não precisar solicitar conexão. É conectar-se sem demora, reservas ou desconfianças. É compartilhar a senha da própria vida, com tudo de bom e ruim que lhe coube até aqui.

Leal é quem conhece as fraquezas, revezes, tombos e dificuldades do outro e não usa isso como álibi na hora da desavença; ao contrário, suporta sua imperfeição e o ajuda a se levantar.

Leal é quem lhe defende na sua ausência. É quem prepara seu terreno, se preocupa com sua dor, antecipa a cura.

Leal é aquele que é fiel por opção, atento ao amor que possui, zeloso com o próprio coração; é quem não omite o próprio descontentamento, mas aponta o que pode ser feito pra não se perder.

Então, sim, eu concordo com Renato Russo e acho que deslealdade separa mais que infidelidade. Pois não adianta não trair por fora, se traio o amor por dentro; se tenho medo de arriscar e polpo meu afeto de se conhecer por inteiro; se não tolero meu caos e vivo uma mentira imaculada; se não absolvo minha história nem perdoo meu enredo, desejando fazer dele uma fábula fantasiosa aos olhos de quem amo; se contrario minha vontade e disposição e omito minhas intolerâncias pra não ferir, me afastando silenciosa e gradativamente até a ruptura; se me apresento por partes – as melhores ficam aparentes, as nem tanto eu omito e não permito ser conhecido.

Finalmente, se não confio a ponto de compartilhar a poltrona do carona ao meu lado reservando apenas o banco de trás (e olhe lá!) à minha companhia nessa viagem!

By Fabíola Simões, do blog “A Soma de Todos Afetos“.

%d blogueiros gostam disto: