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Coisas da nossa língua – 2

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Coisas da nossa língua 2

Dando continuidade à expressões que utilizamos em nosso dia-a-dia (veja aqui a primeira parte desta matéria), trazemos mais algumas explicações quanto à origem das mesmas.

1. Jurar de pés juntos:

“Mãe, eu juro de pés juntos que não fui eu”! A expressão surgiu através das torturas executadas pela Santa Inquisição, nas quais o acusado de heresia tinha as mãos e os pés amarrados (juntos) e era torturado para dizer nada além da verdade. Até hoje o termo é usado pra expressar a veracidade de algo que uma pessoa diz.

2. Motorista barbeiro:

“Nossa, que cara mais barbeiro”! No século XIX, os barbeiros faziam não somente os serviços de corte de cabelo e barba, mas também, tiravam dentes, cortavam calos etc., e por não serem profissionais, seus serviços mal feitos geravam marcas. A partir daí, todo serviço mal feito era atribuído ao barbeiro, pela expressão “coisa de barbeiro”. Esse termo veio de Portugal, contudo a associação de “motorista barbeiro”, ou seja, um mau motorista, é tipicamente brasileira.

3. Tirar o cavalo da chuva:

“Pode ir tirando seu cavalinho da chuva porque não vou deixar você sair hoje”! No século XIX, quando uma visita iria ser breve, ela deixava o cavalo ao relento em frente à casa do anfitrião e se fosse demorar, colocava o cavalo nos fundos da casa, em um lugar protegido da chuva e do sol. Contudo, o convidado só poderia pôr o animal protegido da chuva se o anfitrião percebesse que a visita estava boa e dissesse: “pode tirar o cavalo da chuva”. Depois disso, a expressão passou a significar a desistência de alguma coisa.

4. Dar com os burros n’água:

A expressão surgiu no período do Brasil colonial, onde tropeiros que escoavam a produção de ouro, cacau e café, precisavam ir da região Sul à Sudeste sobre burros e mulas. O fato era que muitas vezes esses burros, devido à falta de estradas adequadas, passavam por caminhos muito difíceis e regiões alagadas, onde os burros morriam afogados. Daí em diante o termo passou a ser usado pra se referir a alguém que faz um grande esforço para conseguir algum feito e não consegue ter sucesso naquilo.

5. Guardar a sete chaves:

No século XIII, os reis de Portugal adotavam um sistema de arquivamento de jóias e documentos importantes da corte através de um baú que possuía quatro fechaduras, sendo que cada chave era distribuída a um alto funcionário do reino. Portanto eram apenas quatro chaves. O número sete passou a ser utilizado devido ao valor místico atribuído a ele, desde a época das religiões primitivas. A partir daí começou-se a utilizar o termo “guardar a sete chaves” para designar algo muito bem guardado.

6. OK:

A expressão inglesa “OK” (okay), que é mundialmente conhecida para significar algo que está tudo bem, teve sua origem na Guerra da Secessão, no EUA. Durante a guerra, quando os soldados voltavam para as bases sem nenhuma morte entre a tropa, escreviam numa placa “0 killed” (nenhum morto), expressando sua grande satisfação, daí surgiu o termo “OK”.

7. Onde Judas perdeu as botas:

Existe uma história não comprovada, de que após trair Jesus, Judas enforcou-se em uma árvore sem nada nos pés, já que havia posto o dinheiro que ganhou por entregar Jesus dentro de suas botas. Quando os soldados viram que Judas estava sem as botas, saíram em busca delas e do dinheiro da traição. Nunca ninguém ficou sabendo se acharam as botas de Judas. A partir daí surgiu à expressão, usada para designar um lugar distante, desconhecido e inacessível.

8. Pensando na morte da bezerra:

A história mais aceitável para explicar a origem do termo é proveniente das tradições hebraicas, onde os bezerros eram sacrificados para Deus como forma de redenção de pecados. Um filho do rei Absalão tinha grande apego a uma bezerra que foi sacrificada. Assim, após o animal morrer, ele ficou se lamentando e pensando na morte da bezerra. Após alguns meses o garoto morreu.

9. O pior cego é o que não quer ver:

Em 1647, em Nimes, na França, na universidade local, o doutor Vicent de Paul D`Argent fez o primeiro transplante de córnea em um aldeão de nome Angel. Foi um sucesso da medicina da época, menos pra Angel, que assim que passou a enxergar ficou horrorizado com o mundo que via. Disse que o mundo que ele imaginava era muito melhor. Pediu ao cirurgião que arrancasse seus olhos. O caso foi acabar no tribunal de Paris e no Vaticano. Angel ganhou a causa e entrou para a história como o cego que não quis ver.

10. Andando à toa:

Toa é a corda com que uma embarcação reboca a outra. Um navio que está à toa é o que não tem leme nem rumo, indo pra onde o navio que o reboca determinar.

11. Nhen-nhen-nhem:

Nheë, em tupi, quer dizer falar. Quando os portugueses chegaram ao Brasil, os indígenas não entendiam aquela falação estranha e diziam que os portugueses ficavam a dizer “nhen-nhen-nhen”.

12. Vai tomar banho:

Em “Casa Grande & Senzala”, Gilberto Freyre analisa os hábitos de higiene dos índios versus os do colonizador português. Depois das Cruzadas, como corolário dos contatos comerciais, o europeu se contagiou de sífilis e de outras doenças transmissíveis e desenvolveu medo ao banho e horror à nudez, o que muito agradou à Igreja. Ora, o índio não conhecia a sífilis e se lavava da cabeça aos pés nos banhos de rio , além de usar folhas de árvore pra limpar os bebês e lavar no rio as redes nas quais dormiam. Ora, o cheiro exalado pelo corpo dos portugueses, abafado em roupas que não eram trocadas com frequência e raramente lavadas, aliado à falta de banho, causava repugnância aos índios. Então os índios, quando estavam fartos de receber ordens dos portugueses, mandavam que fossem “tomar banho”.

13. Eles que são brancos que se entendam:

Esta foi das primeiras punições impostas aos racistas, ainda no século XVIII. Um mulato, capitão de regimento, teve uma discussão com um de seus comandados e queixou-se a seu superior, um oficial português… O capitão reivindicava a punição do soldado que o desrespeitara. Como resposta, ouviu do português a seguinte frase: “Vocês que são pardos que se entendam “. O oficial ficou indignado e recorreu à instância superior, na pessoa de D. Luís de Vasconcelos (1742-1807), 12° vice-rei do Brasil. Ao tomar conhecimento dos fatos, D. Luís mandou prender o oficial português que estranhou a atitude do vice-rei. Mas, D. Luís se explicou: “Nós somos brancos, cá nos entendemos”.

14. Água mole em pedra dura, tanto bate até que fura:

Um de seus primeiros registros literário foi feito pelo escritor latino Ovídio (43 a.C. – 18 d.C), autor de célebres livros como “A arte de amar” e “Metamorfoses”, que foi exilado sem que soubesse o motivo. Escreveu o poeta: “A água mole cava a pedra dura”. É tradição das culturas dos países em que a escrita não é muito difundida formar rimas nesse tipo de frase para que sua memorização seja facilitada. Foi o que fizeram com o provérbio, portugueses e brasileiros.

By Joemir Rosa.

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Saindo do fundo do poço

Posted in Reflexão with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on 25/04/2014 by Joe

Saindo do fundo do poço

Um dia, o cavalo de um camponês caiu num poço. Não chegou a se ferir, mas não podia sair dali por conta própria. Por isso, o animal chorou fortemente durante horas enquanto o camponês pensava no que fazer.

Finalmente, o camponês tomou uma decisão cruel: concluiu que o cavalo já estava muito velho e não servia mais para nada, e também o poço já estava mesmo seco, precisaria ser tapado de alguma forma. Portanto, não valia a pena se esforçar para tirar o cavalo de dentro do poço. Ao contrário, chamou seus vizinhos para ajudá-lo a enterrar vivo o cavalo.

Cada um deles pegou uma pá e começou a jogar terra dentro do poço.

O cavalo não tardou a se dar conta do que estavam fazendo com ele e chorou desesperadamente. Porém, para surpresa de todos, o cavalo aquietou-se depois de umas quantas pás de terra que levou.

O camponês finalmente olhou para o fundo do poço e se surpreendeu com o que viu: a cada pá de terra que caía sobre suas costas, o cavalo a sacudia, dava um passo sobre esta mesma terra que caía ao chão. Assim, em pouco tempo, todos viram o cavalo chegar até a boca do poço, passar por cima da borda e sair dali trotando!

A vida vai lhe jogar muita terra, todo o tipo de terra. Principalmente se você já estiver dentro de um poço. O segredo para sair do poço é sacudir a terra que se leva nas costas e dar um passo sobre ela.

Cada um de nossos problemas é um degrau que nos conduz para cima! Podemos sair dos mais profundos buracos se não nos dermos por vencidos. Use a terra que te jogam para seguir adiante!

Recorde as 5 regras para ser feliz:

1. Liberte o seu coração do ódio.

2. Liberte a sua mente das preocupações.

3. Simplifique a sua vida.

4. Dê mais e espere menos.

5. Ame mais e aceite a terra que lhe jogam, pois ela pode ser a solução, não o problema.

Desconheço a autoria.

Ensinando o cavalo a voar

Posted in Reflexão with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on 05/08/2013 by Joe

Cavalo branco

Vamos dividir a palavra “preocupação” em duas partes: pré + ocupação. Ou seja, ocupar-se de algo antes que aconteça. Tentar resolver problemas que ainda não tiveram tempo de se manifestar. Imaginar que as coisas, quando chegam, sempre escolhem seu pior aspecto. Há, é claro, muitas exceções. Uma delas é o herói desta pequena estória:

“Um velho rei da Índia condenou um homem à forca. Assim que terminou o julgamento, o condenado lhe pediu:

– “Vossa Majestade é um homem sábio e curioso a respeito de tudo que seus súditos conseguem fazer. Respeita os gurus, os sábios, os encantadores de serpentes e os faquires. Pois bem. Quando eu era criança, meu avô me transmitiu a técnica de fazer um cavalo branco voar. Não existe mais ninguém neste reino que saiba isto, de modo que minha vida deve ser poupada”.

O rei imediatamente mandou trazer um cavalo branco.

– “Preciso ficar dois anos com este animal” – disse o condenado.

– “Você terá dois anos!” – respondeu o rei, a esta altura já meio desconfiado – “Mas se este cavalo não aprender a voar, você será enforcado!”

O homem saiu dali com o cavalo, feliz da vida. Ao chegar em casa, encontrou toda a família em prantos.

– “Você está louco?” – gritaram todos – “Desde quando alguém desta casa sabe fazer um cavalo voar?”

– “Não se preocupem – respondeu ele – Primeiro, nunca alguém tentou ensinar um cavalo a voar, e pode ser que ele aprenda. Segundo, o rei está muito velho e pode morrer nesses dois anos. Terceiro, o animal também pode morrer e eu conseguirei mais dois anos para treinar um novo animal. Isso sem contar a possibilidade de revoluções, golpes de Estado, anistias gerais. Finalmente, se tudo continuar como está, eu ganhei dois anos de vida, e neles poderei fazer tudo o que tiver vontade. Vocês acham pouco?”

Assim como o homem de nossa estória, devemos aprender a olhar a situação com otimismo. Para cada possibilidade adversa, muitas outras favoráveis poderão ser encontradas e, com muita fé e determinação, o que parecia impossível logo será realidade.

Não esmoreça nunca. Mesmo que tudo indique o contrário, creia: o seu cavalo pode voar!

By Paulo Coelho, no livro “Histórias para pais, filhos e netos”.

Arroz de carreteiro

Posted in Receitas with tags , , , , , , , , , , , , , , , , on 08/12/2012 by Joe

Arroz de carreteiro

Na semana passada eu apresentei o Feijão Tropeiro e contei a história dos tropeiros que cruzavam as estradas de Minas Gerais levando mercadorias a cavalo ou em lombo de burro.

Muito similar a essa história, os tropeiros exerceram um papel muito importante também na economia no sul do Brasil, transportando gado e, depois, mercadorias em carretas que eram puxadas por bois. Como as viagens eram muito longas, uma dessas carretas transportava os mantimentos que seriam preparados para os tropeiros, principalmente o arroz e o charque, que é a carne salgada que se conservava pelos longos períodos de viagens empreendidas por eles. Normalmente esse carreteiro era o responsável pelo preparo da comida dos tropeiros.

E foi aí que surgiu o arroz de carreteiro ou, simplesmente, carreteiro. Preparado originariamente à base de arroz e charque em panela de ferro, acabou por se tornar um prato típico da culinária gaúcha.

O charque era dessalgado (muitas vezes à beira de algum rio) e depois cozido com arroz, se transformando em um prato forte e consistente para recuperar as energias de todos os tropeiros.

Hoje o prato tem inúmeras variações em seu preparo, com a incorporação de outros ingredientes e temperos, podendo ser feito com carne moída (boi ralado, como é conhecida no sul) e até sobras de churrasco.

Em outras regiões do país, como no centro-oeste e nordeste do país, é conhecido também como Maria Isabel, preparado com carne de sol.

É um prato muito prático e fácil de preparar. E aqui eu deixo uma receita mais tradicional, como é preparada no Rio Grande do Sul.

Arroz de carreteiro

Ingredientes

1/2 kg de charque
1/2 de arroz
2 colheres (sopa) de banha (ou óleo)
01 cebola grande picada
06 dentes de alho amassados
1 tablete de caldo de carne
cheiro verde e salsinha

Modo de preparo

Em uma panela com água fervendo, coloque a carne e deixe assim por uns 15 minutos. Retire da panela, lave em água fria e deixe escorrer bem. Corte em cubos pequenos.

Em outra panela (de preferência, de ferro), derreta a banha (ou aqueça o óleo), e coloque a carne para fritar, mexendo de vez em quando. Quando estiver dourada, adicione o alho e a cebola, deixe fritar por mais alguns minutos e depois junte o arroz. Mexa bem por mais alguns minutos e, em seguida, coloque água fervendo, uns dois dedos acima do nível do arroz.

Adicione o caldo de carne dissolvido em um pouco de água quente, tampe a panela e deixe cozinhar em fogo brando, até o arroz ficar no ponto. Quando for servir, decore com cheiro verde e salsinha picados.

Sugestão:

Algumas variações podem ser feitas no preparo deste prato, como a adição de pimentões, cenuras, tomates, ovos cozidos e até queijo ralado. Fica ao gosto de cada um.

By Joemir Rosa.

A vida tem dois caminhos…

Posted in Inspiração with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on 17/10/2012 by Joe

Ou você segue o caminho da Tristeza, arma-se de medo, de ciúmes e de falsas alegrias; arma-se de angústia, fecha os olhos, se acomoda, e segue o rebanho dos que não sabem; obedece a regras injustas, não reage, não questiona, não se aprimora, não lê, não significa, nem percebe o absurdo em que se mete.

Vende a própria natureza por duas ou três moedas de aço, troca a inocência pela responsabilidade apressada, torna-se respeitável aos olhos da sociedade, cumpre horários, nunca tem tempo, preocupa-se com coisas banais.

Comerciante das próprias emoções – já não brinca, vive correndo, ama com pressa, esquece-se da lua, e se torna uma pessoa média, mediana, medíocre, pequena, cansada e normal…

Ou você escolhe o caminho da Ousadia, compreende, se aprofunda, vai mais longe, realiza, respeita o ser humano que existe em você mesmo, resgata a própria vida e o sorriso, rompe de vez com o passado agonizante, procura defender a verdade, a justiça e a poesia, acorda e assopra o fogo da alma que dormia, ultrapassa os limites que sufocam, cavalga o cavalo negro, cego e alado das paixões gostosas e sublimes, enche o peito de coragem, corações e relâmpagos, acende de novo esse vulcão que é o teu corpo, deixa a própria cabeça plena de agora, de ternura e de vertigem, e parte em busca de Aventura, de Amor e Liberdade.

É uma simples questão de escolha.

Qual é o teu caminho?

By Edson Marques.

Desapego e coragem

Posted in Inspiração with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on 03/10/2012 by Joe

São duas as coisas (indispensáveis) que precisamos para conseguir a própria Liberdade: chamam-se Desapego e Coragem. E não dá para se ter uma sem a outra.

Acontece que o verdadeiro desapego vai além das coisas materiais. Só ficamos realmente livres quando nos desapegamos até das coisas espirituais. Principalmente das coisas espirituais!

Não basta desapegar-se do vinho e do Camaro vermelho: é preciso desapegar-se de Zeus. De Zeus, de Apolo, e de Vênus. É preciso desapegar-se do pão e das flores. Das estrelas – e também dos amores…

Sem desapego, impossível ser livre. E sem liberdade, impossível ser feliz.

A felicidade é uma flor delicada que a gente pendura nos galhos do Agora. Desde que bem pendurada, jamais cairá. Vai durar para sempre. Nunca secará. A felicidade é um estado de espírito – e é um estado tão profundo que, uma vez atingido, viverá conosco para sempre. A felicidade, depois que a conhecemos de verdade, nunca mais a perdemos. É como uma iluminação budista ou zen. Talvez sejam até a mesma coisa.

Mas não imaginem que eu esteja negando a gostosura que é ter um Camaro vermelho ou um cavalo negro com sela de prata. A gostosura que é comer um pão sovado ou ganhar um buquê de rosas champagne. A gostosura que é ter orgasmos. Desapego não significa privação nem desprezo. É amor puro pela coisa em si.

By Edson Marques.

Céu e Inferno

Posted in Reflexão with tags , , , , , , , , , , , , , , on 26/06/2011 by Joe

Um homem, seu cavalo e seu cão caminhavam por uma estrada. Quando passavam perto de uma árvore gigantesca, um raio caiu, e todos morreram fulminados.

Mas o homem não percebeu que já havia deixado este mundo e continuou caminhando com seus dois animais; às vezes os mortos levam tempo para se dar conta de sua nova condição …

A caminhada era muito longa, morro acima, o sol era forte e eles ficaram suados e com muita sede. Precisavam desesperadamente de água. Numa curva do caminho, avistaram um portão magnífico, todo de mármore, que conduzia a uma praça calçada com blocos de ouro, no centro da qual havia uma fonte de onde jorrava água cristalina.

O caminhante dirigiu-se ao homem que guardava a entrada.

– Bom dia.

– Bom dia – respondeu o homem.

– Que lugar é este, tão lindo?

– Aqui é o Céu.

– Que bom que nós chegamos ao céu, estamos com muita sede.

– O senhor pode entrar e beber água à vontade.

E o guarda indicou a fonte.

– Meu cavalo e meu cachorro também estão com sede.

– Lamento muito, mas aqui não se permite a entrada de animais.

O homem ficou muito desapontado porque sua sede era grande, mas ele não beberia sozinho; agradeceu e continuou adiante. Depois de muito caminharem, já exaustos, chegaram a um sítio, cuja entrada era marcada por uma porteira velha, que se abria para um caminho de terra, ladeada de árvores.

À sombra de uma das árvores, um homem estava deitado, cabeça coberta com um chapéu, possivelmente dormindo.

– Bom dia – disse o caminhante.

O homem acenou com a cabeça.

– Estamos com muita sede, meu cavalo, meu cachorro e eu.

– Há uma fonte naquelas pedras – disse o homem e indicando o lugar. – Podem beber à vontade.

O homem, o cavalo e o cachorro foram até a fonte e mataram a sede. Em seguida voltaram para agradecer.

– Por sinal, como se chama este lugar?

– Céu.

– Céu? Mas o guarda do portão de mármore disse que lá era o céu!

– Aquilo não é o céu, aquilo é o inferno.

O caminhante ficou perplexo.

– Vocês deviam evitar isso! Essa informação falsa deve causar grandes confusões!

O homem sorriu:

– De forma alguma. Na verdade, eles nos fazem um grande favor. Porque lá ficam todos aqueles que são capazes de abandonar seus melhores amigos…

By Paulo Coelho, escritor brasileiro, nascido em 1947, na cidade do Rio de Janeiro. Antes de dedicar-se inteiramente à literatura, trabalhou como diretor e ator de teatro, compositor e jornalista. Foi parceiro de Raul Seixas em diversas composições.

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