Arquivo para Carne de Sol

Arroz de carreteiro

Posted in Receitas with tags , , , , , , , , , , , , , , , , on 08/12/2012 by Joe

Arroz de carreteiro

Na semana passada eu apresentei o Feijão Tropeiro e contei a história dos tropeiros que cruzavam as estradas de Minas Gerais levando mercadorias a cavalo ou em lombo de burro.

Muito similar a essa história, os tropeiros exerceram um papel muito importante também na economia no sul do Brasil, transportando gado e, depois, mercadorias em carretas que eram puxadas por bois. Como as viagens eram muito longas, uma dessas carretas transportava os mantimentos que seriam preparados para os tropeiros, principalmente o arroz e o charque, que é a carne salgada que se conservava pelos longos períodos de viagens empreendidas por eles. Normalmente esse carreteiro era o responsável pelo preparo da comida dos tropeiros.

E foi aí que surgiu o arroz de carreteiro ou, simplesmente, carreteiro. Preparado originariamente à base de arroz e charque em panela de ferro, acabou por se tornar um prato típico da culinária gaúcha.

O charque era dessalgado (muitas vezes à beira de algum rio) e depois cozido com arroz, se transformando em um prato forte e consistente para recuperar as energias de todos os tropeiros.

Hoje o prato tem inúmeras variações em seu preparo, com a incorporação de outros ingredientes e temperos, podendo ser feito com carne moída (boi ralado, como é conhecida no sul) e até sobras de churrasco.

Em outras regiões do país, como no centro-oeste e nordeste do país, é conhecido também como Maria Isabel, preparado com carne de sol.

É um prato muito prático e fácil de preparar. E aqui eu deixo uma receita mais tradicional, como é preparada no Rio Grande do Sul.

Arroz de carreteiro

Ingredientes

1/2 kg de charque
1/2 de arroz
2 colheres (sopa) de banha (ou óleo)
01 cebola grande picada
06 dentes de alho amassados
1 tablete de caldo de carne
cheiro verde e salsinha

Modo de preparo

Em uma panela com água fervendo, coloque a carne e deixe assim por uns 15 minutos. Retire da panela, lave em água fria e deixe escorrer bem. Corte em cubos pequenos.

Em outra panela (de preferência, de ferro), derreta a banha (ou aqueça o óleo), e coloque a carne para fritar, mexendo de vez em quando. Quando estiver dourada, adicione o alho e a cebola, deixe fritar por mais alguns minutos e depois junte o arroz. Mexa bem por mais alguns minutos e, em seguida, coloque água fervendo, uns dois dedos acima do nível do arroz.

Adicione o caldo de carne dissolvido em um pouco de água quente, tampe a panela e deixe cozinhar em fogo brando, até o arroz ficar no ponto. Quando for servir, decore com cheiro verde e salsinha picados.

Sugestão:

Algumas variações podem ser feitas no preparo deste prato, como a adição de pimentões, cenuras, tomates, ovos cozidos e até queijo ralado. Fica ao gosto de cada um.

By Joemir Rosa.

Baião de Dois

Posted in Receitas with tags , , , , , , , , , , , , , , , , on 07/05/2011 by Joe

Todo mundo sabe que o arroz e o feijão formam o par perfeito do Brasil, uma dupla imbatível na preferência dos brasileiros. E no Ceará aconteceu o casamento feliz, uma união mais que perfeita: o Baião de Dois.

Todo o sucesso dessa união vem do seu valor nutritivo. A união do arroz e feijão produz uma química que extrapola apenas o sabor para formarem uma perfeita e saudável combinação protéica.

Está aí o segredo dessa dupla permanecer como a protagonista na cozinha brasileira.

O arroz com o feijão se completam, o que falta em um, o outro fornece. Os grãos de arroz contêm metionina, um aminoácido deficiente no feijão, e os de feijão contém lisina, aminoácido deficiente no arroz.

Voltando à nossa dupla famosa, ela é a comida básica dos brasileiros, e ainda traz um sentido unificador, representando a união do branco com o preto.

O termo “baião”, que deu origem ao nome do prato, designa uma dança típica do nordeste, por sua vez derivada de uma forma de lundu, chamada “baiano”. A origem do termo ganhou popularidade com a música Baião de Dois, parceria do compositor cearense Humberto Teixeira com o “Rei do Baião”, o pernambucano Luís Gonzaga, na metade do século XX.

A história do baião de dois é do tempo das dificuldades das pessoas do sertão no período da seca, em que não podiam estragar nada; assim, uniram o arroz, o feijão, o queijo de coalho, a carne de sol, a manteiga de garrafa e criaram um prato só. E assim estava pronto o Baião de Dois, que sempre foi fundamental para dar sustento aos vaqueiros.

Por ser um prato saborosíssimo, em função da composição de seus ingredientes, ganhou projeção nacional e hoje pode ser saboreado em vários estados brasileiros, principalmente do nordeste do país.

A receita de hoje é a mais próxima possível da original, uma vez que houve muitas adaptações regionais. Seus ingredientes podem ser encontrados em alguns supermercados de todo o Brasil, bem como nas famosas “Casa do Norte”, espalhadas por várias cidades.

Eu, particularmente, sou fã desse prato especialíssimo!!

Baião de Dois

Ingredientes

1/4 xícara (chá) de azeite
1 colher (sopa) de manteiga de garrafa
2 xícaras (chá) de toucinho defumado em cubos
1/2kg de carne de sol dessalgada e cortada em cubinhos
1 cebola picada
6 dentes de alho picados
4 xícaras (chá) de feijão de corda (ou feijão verde) cozido
2 xícaras (chá) de arroz cozido
2 garrafinhas de leite de coco
sal a gosto
1 pimenta dedo-de-moça (sem sementes) picadinha
2 e 1/2 xícaras (chá) de queijo coalho ralado grosso
1 maço de cebolinha picada

Modo de preparo

Em uma panela grande, refogue o toucinho cortado em cubinhos no azeite e na manteiga, deixando-o bem dourado. Em seguida, coloque a carne de sol, fritando bem.

Acrescente a cebola e o alho, sem parar de mexer. Adicione o feijão (sem o caldo), misturando bem. Acrescente o arroz e o leite de coco, e mexa tudo muito bem.

Tampe e deixe cozinhar até o leite de coco reduzir bastante. Acerte o sal, e coloque a pimenta picadinha.

Espalhe o queijo de coalho (se não quiser ralar o queijo, pode cortá-lo em lascas largas) por cima, tampe a panela e deixe em fogo baixo até derreter o queijo. Na hora de servir, coloque a cebolinha por cima e regue com manteiga de garrafa* aquecida.

E bom apetite!!!

* A manteiga de garrafa é um tipo de manteiga regional produzida no Nordeste brasileiro que, dependendo da região específica de produção, recebe outras denominações tais como manteiga de gado, manteiga da terra ou manteiga de cozinha.
A manteiga de garrafa se mantém fluida em temperatura ambiente ou quando aquecida, mas que endurece na geladeira. É mais durável do que a manteiga comum.

By Joe.

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