Arquivo para Açafrão

Passeio socrático

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Imbecilização

Ao viajar pelo Oriente mantive contatos com monges do Tibete, da Mongólia, do Japão e da China. Eram homens serenos, comedidos, recolhidos em paz em seus mantos cor de açafrão.

Um dia destes, eu observava o movimento no aeroporto: a sala de espera cheia de executivos com telefones celulares, preocupados, ansiosos, geralmente comendo mais do que deviam. Com certeza, já haviam tomado café da manhã em casa, mas como a companhia aérea oferecia um outro café, todos comiam vorazmente. Aquilo me fez refletir:

– “Qual dos dois modelos produz felicidade?”

Num outro dia, encontrei Daniela, 10 anos, no elevador, às nove da manhã, e perguntei:

– “Não foi à aula?”

E ela respondeu:

– “Não… só tenho aulas à tarde”.

Comemorei:

– “Que bom! Então, de manhã você pode brincar ou dormir até mais tarde!”

– “Não”, retrucou ela, “tenho tanta coisa de manhã…”

– “Que tanta coisa?”, perguntei.

– “Aulas de inglês, de balé, de pintura, natação…”, e começou a elencar seu programa de garota robotizada. Fiquei pensando:

– “Que pena… a Daniela não disse ‘tenho aula de meditação’!”

Estamos construindo super-homens e super-mulheres, totalmente equipados, mas emocionalmente infantilizados. Por isso as empresas consideram agora que, mais importante que o QI, é a IE, a Inteligência Emocional. Não adianta ser um super-executivo se não consegue se relacionar com as pessoas. Ora, como seria importante os currículos escolares incluírem aulas de meditação!

Uma progressista cidade do interior de São Paulo tinha, em 1960, seis livrarias e uma academia de ginástica; hoje, tem sessenta academias de ginástica e três livrarias! Não tenho nada contra malhar o corpo, mas me preocupo com a desproporção em relação à malhação do espírito. Acho ótimo, vamos todos morrer esbeltos:

– “Como estava o defunto?”.

– “Olha, uma maravilha, não tinha uma celulite!”

Mas como fica a questão da subjetividade? Da espiritualidade? Da ociosidade amorosa?

Outrora falava-se em realidade: análise da realidade, inserir-se na realidade, conhecer a realidade. Hoje a palavra é virtualidade. Tudo é virtual. Pode-se fazer sexo virtual pela internet: não se pega AIDS , não há envolvimento emocional, controla-se no mouse.

Trancado em seu quarto, em Brasília, um homem pode ter uma amiga íntima em Tóquio, sem nenhuma preocupação de conhecer o seu vizinho de prédio ou de quadra! Tudo é virtual, entramos na virtualidade de todos os valores, não há compromisso com o real! É muito grave esse processo de abstração da linguagem, de sentimentos: somos místicos virtuais, religiosos virtuais, cidadãos virtuais. Enquanto isso, a realidade vai por outro lado, pois somos também eticamente virtuais.

A cultura começa onde a natureza termina. Cultura é o refinamento do espírito. Televisão, no Brasil – com raras e honrosas exceções – é um problema: a cada semana que passa, temos a sensação de que ficamos um pouco menos cultos.

A palavra hoje é ‘entretenimento’! Domingo, então, é o dia nacional da imbecilização coletiva. Imbecil o apresentador, imbecil quem vai lá e se apresenta no palco, imbecil quem perde a tarde diante da tela. Como a publicidade não consegue vender felicidade, passa a ilusão de que felicidade é o resultado da soma de prazeres:

– “Se tomar este refrigerante, vestir este tênis, usar esta camisa, comprar este carro, você chega lá!”

O problema é que, em geral, não se chega! Quem cede, desenvolve de tal maneira o desejo, que acaba precisando de um analista. Ou de remédios. Quem resiste, aumenta a neurose.

Os psicanalistas tentam descobrir o que fazer com o desejo dos seus pacientes. Colocá-los onde? Eu, que não sou da área, posso me dar o direito de apresentar uma sugestão. Acho que só há uma saída: virar o desejo para dentro. Porque para fora ele não tem aonde ir! O grande desafio é virar o desejo para dentro, gostar de si mesmo, começar a ver o quanto é bom ser livre de todo esse condicionamento globalizante, neoliberal, consumista. Assim, pode-se viver melhor. Aliás, para uma boa saúde mental três requisitos são indispensáveis: amizades, autoestima e ausência de estresse.

Há uma lógica religiosa no consumismo pós-moderno. Se alguém vai à Europa e visita uma pequena cidade onde há uma catedral, deve procurar saber a história daquela cidade – a catedral é o sinal de que ela tem história. Na Idade Média, as cidades adquiriam status construindo uma catedral; hoje, no Brasil, constrói-se um shopping center.

É curioso: a maioria dos shopping centers têm linhas arquitetônicas de catedrais estilizadas; neles não se pode ir de qualquer maneira, é preciso vestir roupa de missa de domingos. E ali dentro sente-se uma sensação paradisíaca: não há mendigos, crianças de rua, sujeira pelas calçadas…

Entra-se naqueles claustros ao som do gregoriano pós-moderno, aquela musiquinha de esperar dentista. Observam-se os vários nichos, todas aquelas capelas com os veneráveis objetos de consumo, acolitados por belas sacerdotisas. Quem pode comprar à vista sente-se no reino dos céus. Se deve passar cheque pré-datado, pagar a crédito, entrar no cheque especial, sente-se no purgatório. Mas, se não pode comprar, certamente vai se sentir no inferno!

Felizmente terminam todos na eucaristia pós-moderna, irmanados na mesma mesa, com o mesmo suco e o mesmo hambúrguer do McDonald’s…

Costumo advertir os balconistas que me cercam à porta das lojas:

– “Estou apenas fazendo um passeio socrático.”

Diante de seus olhares espantados, explico:

– “Sócrates, filósofo grego, também gostava de descansar a cabeça percorrendo o centro comercial de Atenas. Quando vendedores como vocês o assediavam, ele respondia:

– “Estou apenas observando quanta coisa existe de que não preciso para ser feliz.”

By Frei Betto.

Minestrone

Posted in Receitas with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on 29/09/2012 by Joe

A sopa, junto com o pão, foi a primeira refeição completa da história da humanidade.

Caldos, consommés, veloutés … palavras tão complicadas para algo tão simples e nutritivo como um belo prato de sopa!

O antigo vocábulo “sop”, em latim arcaico, significava o pão sobre o qual se despejava o caldo quente. Sua história vem de muito tempo atrás, sendo a mesma consumida pelo homem desde a Idade da Pedra.

Sabe-se que há milhares de anos, a sopa era o principal alimento dos camponeses em todos os cantos do planeta. Até mesmo na arte, o prato era celebrado nas telas de grandes pintores – onde os personagens satisfaziam sua fome bebendo uma tigela deste alimento.

Na Grécia, há milhares de anos, ficou famoso um “caldo negro” da cidade de Esparta, onde era preparado com sangue de alguns animais, misturado a vinagre e especiarias. Era também costume colorir as sopas com açafrão, para ficarem
amareladas, ou amêndoas, para deixá-las brancas.

Daquela época até a atualidade muita coisa mudou, a sopa adaptou-se às diversas culturas e gerou inúmeras variações como, por exemplo, o Minestrone (italiana); Won Ton (chinesa); o Caldo Verde (portuguesa); Gaspacho (espanhol), Consommés (francês); o Oxtail (inglês), entre tantas outras.

O prato deste sábado é o Minestrone, de origem italiana, cujo nome vem da palavra minestra (sopa) acrescida do sufixo one, significando sopão, ou seja, uma sopa com vários ingredientes, muito espessa, composta por uma grande variedade de legumes cortados e, quase sempre, arroz ou macarrão. Os ingredientes mais usados são: tomates, feijões, cebolas, cenouras, aipo, toucinho, caldo de galinha, de carne, etc.

Não existe uma receita específica para o minestrone, justamente por ele ser feito com quaisquer legumes da época. O minestrone pode ser vegetariano, conter carne, ou conter algum caldo à base de carne.

Embora o inverno já tenha terminado, os últimos dias têm sido frios e as noites geladas. Então, aproveitando esta oportunidade, vamos à receita de um minestrone típico que, além de ser uma refeição deliciosa, ainda ajuda a esquentar e dar aquela sensação de bem-estar e prazer!

Minestrone

Ingredientes

4 colheres (sopa) de azeite de oliva
50 g de bacon cortado em cubinhos
1 cebola média picada
200 g de carne de primeira cortada em tirinhas
1 alho-poró bem picado
1 talo de salsão bem picado
1 cenoura cortada em cubinhos
1 batata média picada em cubos
2 tomates picados, sem pele e sem sementes
1/2 repolho pequeno cortado em tirinhas
1,5 litros de caldo de carne (2 cubinhos dissolvidos)
200 g de feijão cozido em água e sal
200 g de macarrão conchinha

Modo de preparo

Em uma panela, coloque o azeite, aqueça e frite o bacon e a cebola. Adicione a carne e frite bem. Coloque o alho-poró, o salsão, a cenoura e a batata e refogue bem. Em seguida, acrescente o purê de tomate, vá despejando o caldo de carne, misture bem e deixe ferver em fogo baixo até que os legumes fiquem macios.

Acrescente o feijão e o repolho, misture tudo muito bem e, por fim, o macarrão. Deixe cozinhar até que o macarrão esteja no ponto, de preferência “al dente”. Acerte o sal, se precisar. Caso seja necessário, adicione mais um pouco de água quente, não esquecendo que o Minestrone é uma sopa mais grossa, encorpada.

Sirva bem quente, com um fio de azeite e, se gostar, queijo parmesão ralado.

By Joemir Rosa.

Risotto alla Milanese

Posted in Receitas with tags , , , , , , , on 22/10/2011 by Joe

A história do Risotto alla Milanese se confunde com a história do próprio risotto. Sua característica principal é a cor amarelada, obtida pela adição de açafrão à receita. A versão mais aceita da origem do prato é de que foi criado em 1574 por um jovem aprendiz de pintor que auxiliava na coloração dos vitrais da  magnífica Duomo di Milano (catedral de Milão, em estilo gótico).

Conta a lenda que Valério de Flanders era chamado, debochadamente, de açafrão. Esse apelido surgiu porque Valério era conhecido por adicionar açafrão em praticamente todas as misturas de tintas. O argumento era que o açafrão gerava uma cor de pigmento mais brilhoso. Pois bem, tanto ele usava a tal planta que, um dia, um de seus colegas comentou que ele acabaria colocando o açafrão até na comida.

Cansado de tanto deboche, Valério resolveu se vingar. No casamento de seu mestre, o aprendiz de pintor foi sorrateiramente na cozinha e, seguindo o conselho de seu colega, colocou o açafrão na panela do arroz. O tiro saiu pela culatra. Dizem que o arroz cor de ouro foi um sucesso e que, a partir desse momento, tornou-se um prato bastante popular na região.

A técnica de preparo do risotto é semelhante à técnica de preparo de mingau. Existe até um prato veneziano de arroz, que era feito com leite e açúcar, que pode ter dado origem ao método, chamado de “rixo in bona manera”. Essa receita aparece em um “Libro di cucina del seculo XIV”. Esse livro, de autor veneziano desconhecido, apresenta diversas receitas interessantes da época, incluindo a “boa maneira” do preparo do arroz. Diz o livro que esse seria o processo ideal para cozer arroz para 12 pessoas.

Vamos conhecer um pouco mais sobre o açafrão (zafferano em italiano e saffron em inglês). Primeiro esqueça aquele pó amarelado vendido nos nossos supermercados. Aquilo não é o açafrão verdadeiro (zafferano vero), mas o que alguns chamam de açafrão-da-terra ou cúrcuma. O verdadeiro açafrão é constituído de fiapos que são os estigmas das flores de uma planta chamada Crocus sativus L. Essa flor é comum na região do Mediterrâneo. É uma das especiarias mais caras do mundo, pois são necessárias cerca de 20.000 flores para obter apenas 1 kilo de açafrão. Em alguns freeshops é possível comprar 1 grama de açafrão por cerca de 10 dólares, quantia que dá para preparar diversos risotos.

Outro ponto importante para o sucesso desta receita é o caldo de carne. Não vale a pena arriscar tudo e usar os famosos tabletes prontos. Veja, mais abaixo, a receita do verdadeiro caldo de carne.

Mas, chega de história e vamos à receita. O mais difícil neste prato é achar o ponto final do mesmo. Ele fica com aparência cremosa, como na foto e cozido al dente.

Risotto alla Milanese

Ingredientes

60 gramas manteiga
1 cebola grande picada
2 xícaras arroz Carnaroli ou Arbóreo
1 copo vinho branco seco
6 xícaras caldo de carne
½ colher de chá açafrão
50 gramas queijo tipo parmesão
1 colher de sopa azeite
sal à gosto
pimenta do reino à gosto

Modo de preparo

Em uma panela de risoto (cerca de 30 cm de diâmetro, mais larga do que alta) coloque o azeite e cerca de 10 gramas da manteiga. Quando derreter, refogue a cebola até murchar. Em seguida, junte o arroz e refogue bem. Acrescente o vinho branco e vá mexendo até ele ser completamente absorvido pelo arroz.

Aos poucos, vá acrescentando o caldo de carne. É importante manter o caldo sempre quente e ir adicionando devagar: coloque uma ou duas conchas de caldo, espere secar e repita a operação, mexendo seguidamente. Cerca de 10 minutos após o início do cozimento adicione os fiapos de açafrão. Continue colocando o caldo até que acabe.

Quando o arroz ficar cozido (al dente), acerte o sal, acrescente a pimenta do reino, o restante da manteiga e o queijo. Misture para derreter a manteiga e sirva imediatamente. Como acompanhamento pode servir com uma boa picanha no forno, por exemplo.

Caldo de carne

Ingredientes

500 g de músculo ou acém
150 g de alho-poró
150 g de cebola
150 g de cenoura
150 g de aipo
10 g de alho
5 g de pimenta-do-reino em grãos
salsinha, cebolinha e manjericão a gosto
3 litros de água

Modo de preparo

Coloque todos os ingredientes numa panela e leve ao fogo lento para cozinhar. Retire, sempre que se formar, a espuma da superfície durante o cozimento. Coe o caldo. Use a carne e os legumes para outras receitas. Se necessário, congele o caldo em recipiente fechado.

By Joemir Rosa.

Bife acebolado com molho espanhol

Posted in Receitas with tags , , , , , on 08/01/2011 by Joe

Nada mais prático e saboroso do que um bife acebolado! Receita infalível para o dia-a-dia ou quando o tempo é curto para se preparar algo mais elaborado.

Porém, é possível preparar o mesmo bife acebolado, dando um toque um pouco mais sofisticado ao prato, sem comprometer o tempo.

Com ingredientes que sempre temos em casa, a receita de hoje pode ser preparada em poucos minutos e, com certeza, vai agradar toda a família!

Bife acebolado com molho espanhol

Ingredientes

500 g de alcatra cortada em bifes
1 colher (chá) de sal
2 colheres (sopa) de óleo
1 cebola grande cortada em tiras finas
1/2 xícara (chá) de água
1/2 xícara (chá) de maionese
1 colher (chá) de açafrão-da-terra (cúrcuma)
1 pimentão vermelho pequeno cortado em tiras finas
salsinha picada

Modo de preparo

Tempere os bifes com o sal. Em uma frigideira grande, aqueça o óleo e coloque os bifes para fritar até dourar dos dois lados. Retire da frigideira e mantenha-os aquecidos.

Na mesma frigideira em que fritou os bifes, coloque a cebola e o pimentão, em fogo baixo. Mexa até murchar um pouco (se preciso, coloque algumas gotas de óleo para que não queimem).

Coloque metade da água na frigideira e mexa até soltar todo o fundo da frigideira. Coloque a maionese e a água restante. Misture até ficar bem homogêneo. Acrescente o açafrão-da-terra e a salsinha e misture. Em seguida, coloque o molho sobre os bifes.

Sirva com arroz branco e salada.

By Joe.

Galinhada

Posted in Receitas with tags , , , , , , , , on 21/08/2010 by Joe

A galinhada tradicional tem origem em Goiás e seu preparo envolve, além do frango (ou galinha) cortado em pedaços, um temperos típico da região, preparado com açafrão, guariroba (um tipo de palmito) e pequi (fruta da região). Normalmente a galinhada é servida com vinagrete e tutu de feijão.

Como não é muito fácil encontrar alguns ingredientes típicos regionais em outras partes do Brasil (e do mundo), podemos fazer pequenas adaptações na receita e saborear uma galinhada não menos deliciosa!

Espero que curtam e comentem!

Bom apetite!!!

Galinhada

Ingredientes

Galinhada

1/2 xícara (chá) de óleo
1 galinha (ou frango) cortada em pedaços
5 dentes de alho amassados
1 cebola picada
1 pimenta dedo de moça
pimenta do reino a gosto
1 tomate picado
2 cubos de caldo de galinha
1 xícara (chá) de salsinha picada
2 xícaras (chá) de arroz
1 colher (sobremesa) de açafrão
1 1/2 litro de água quente (mais ou menos)
suco de 1/2 limão
1 cenoura ralada
1 xícara (chá) de cebolinha picada (para finalizar o prato)

Creme de feijão

5 conchas de feijão cozido (temperado a gosto)
3 dentes de alho amassado
1/2 pimenta dedo de moça
pimenta do reino a gosto
cebolinha picada para decorar

Modo de preparo

Galinhada: numa panela grande, coloque o óleo, deixe esquentar e doure bem os pedaços de galinha até ficarem na cor caramelo. Faça um refogado com alho, cebola, as pimentas, o tomate picado, o caldo de galinha, o açafrão e a salsinha. Incorpore o arroz ao molho, coloque a água quente e o suco de limão e deixe cozinhar.

Quando a água estiver secando, junte a cenoura ralada, a cebolinha e mexa devagar. Tampe a panela e desligue o fogo.

Creme de feijão: bata no liquidificador o feijão temperado, os dentes de alho e as pimentas, até formar um creme. Decore com cebolinha e sirva com a galinhada.

Se preferir, decore a galinhada com tomate, ovos cozidos em rodelas e salsinha.

Fica muito saborosa!

By Joe.

Risotto alla Milanese

Posted in Receitas with tags , , , , , , , on 26/12/2009 by Joe

A história do Risotto alla Milanese se confunde com a história do próprio risotto. Sua característica principal é a cor amarelada, obtida pela adição de açafrão à receita. A versão mais aceita da origem do prato é de que foi criado em 1574 por um jovem aprendiz de pintor que auxiliava na coloração dos vitrais da  magnífica Duomo di Milano (catedral de Milão em estilo gótico).

Conta a lenda que  Valério de Flanders era chamado debochadamente de açafrão. Esse apelido surgiu porque Valério era conhecido por adicionar açafrão em praticamente todas as misturas de tintas. O argumento era de que o açafrão gerava uma cor de pigmento mais brilhoso.  Pois bem, tanto ele usava a tal planta que um dia um de seus colegas comentou que ele acabaria colocando o açafrão até na comida.

Cansado de tanto deboche, Valério resolveu se vingar. No casamento de seu mestre, o aprendiz de pintor foi sorrateiramente na cozinha e, seguindo o conselho de seu colega, colocou o açafrão na panela do arroz. O tiro saiu pela culatra. Dizem que o arroz cor de ouro foi um sucesso e que a partir desse momento tornou-se um prato bastante popular na região.

A técnica de preparo do risotto é semelhante à técnica de preparo de mingau. Existe até um prato veneziano de arroz que era feito com leite e açúcar que pode ter dado origem ao método, chamado de “rixo in bona manera”. Essa receita aparece em um “Libro di cucina del seculo XIV”. Esse livro, de autor veneziano desconhecido, apresenta diversas receitas interessantes da época, incluindo a “boa maneira” do preparo do arroz. Diz o livro que esse seria o processo ideal para cozer arroz para 12 pessoas.

Vamos falar um pouco do açafrão (zafferano em italiano e saffron em inglês). Primeiro esqueça aquele pó amarelado que tem para vender nos nossos supermercados. Aquilo não é o açafrão  verdadeiro (zafferano vero), mas o que alguns chamam de açafrão-da-terra ou curcuma. O verdadeiro açafrão é constituído de fiapos que são os estigmas das flores de uma planta chamada Crocus sativus. Essa flor é comum na região do Mediterrâneo. É uma das especiarias mais caras do mundo, pois são necessárias cerca de 20.000 flores para obter apenas 1 kilo de açafrão. Em alguns freeshops é possível comprar 1 grama de açafrão por cerca de 10 dólares, quantia que dá para preparar diversos risotos.

Outro ponto importante para o sucesso desta receita é o caldo de carne. Não vale a pena arriscar tudo e usar os famosos tabletes prontos. Veja, mais abaixo, a receita do verdadeiro caldo de carne.

Mas, chega de história e vamos à receita. O mais difícil neste prato é achar o ponto final do mesmo. Ele fica com aparência cremosa, como na foto e cozido al dente.

Risotto alla Milanese

Ingredientes

60 gramas manteiga
1 cebola, grande picada
2 xícaras arroz Carnaroli ou Arbório
1 copo vinho branco seco
6 xícaras caldo de carne
½ colher de chá açafrão
50 gramas queijo tipo parmesão
1 colher de sopa azeite
quanto basta sal
quanto basta pimenta do reino

Modo de preparo

Em uma panela de risoto (cerca de 30 cm de diâmetro, mais larga do que alta) coloque o azeite e cerca de 10 gramas da manteiga. Quando derreter, refogue a cebola até murchar. Em seguida, dê uma fritada no arroz. Acrescente o vinho branco e vá mexendo até ele ser completamente absorvido pelo arroz.

Aos poucos vá acrescentando o caldo de carne. É importante manter o caldo sempre quente e ir adicionando devagar: coloque uma ou duas conchas de caldo, espere secar e repita a operação, mexendo seguidamente. Cerca de 10 minutos após o início do cozimento adicione os fiapos de açafrão. Continue colocando o caldo até que acabe.

Quando o arroz ficar cozido (al dente), acerte o sal, acrescente a pimenta do reino, o restante da manteiga e o queijo. Misture para derreter a manteiga e sirva imediatamente.

Caldo de carne

Ingredientes

500 g de músculo ou acém
150 g de alho-poró
150 g de cebola
150 g de cenoura
150 g de aipo
10 g de alho
5 g de pimenta-do-reino em grãos
salsinha, cebolinha e manjericão a gosto
3 litros de água

Modo de preparo

Coloque todos os ingredientes numa panela e leve ao fogo lento para cozinhar. Retire, sempre que se formar, a espuma da superfície durante o cozimento. Coe o caldo. Use carne e legumes para outras receitas. Se necessário, congele em recipiente fechado.

By Joe.

Paella Valenciana

Posted in Receitas with tags , , , , , , , , on 24/10/2009 by Joe

PaellaA paella (em castelhano e catalão) é um prato à base de arroz, típico da gastronomia espanhola e que tem as suas raízes na comunidade de Valencia  – daí que em Portugal seja comummente conhecido como Arroz à Valenciana.

Surgiu na Espanha, entre os séculos XV e XVI, na região de Valencia, mais especificamente na região de Albufera, região de grandes arrozais e de grande produção de verduras frescas. Originalmente um prato popular, foi criada pelos camponeses que partiam para o campo levando arroz, azeite e sal e agregavam ingredientes da caça, legumes da estação e as sobras que possuíam. O tomate só foi acrescentado posteriormente, trazido da América por Cristóvão Colombo, e o frango, que era muito caro para os padrões da época. E não demorou para que o prato chegasse ao litoral e ganhasse frutos do mar em sua receita. O tradicional prato espanhol é ideal para os amantes de camarões, lulas e mexilhões.

O prato é chamado paella devido à paellera ou paella valenciana, uma espécie de frigideira rasa com duas alças, de ferro ou aço, com diâmetro mínimo de 30 centímetros, onde são preparados vários pratos da culinária valenciana, como o arroz negro e o fideuá. O formato da paella favorece o cozimento do arroz por igual.

Há diversas receitas onde a paella é a união de vários alimentos característicos da região onde é preparada. Aqui no Brasil é normalmente preparada com frutos do mar, linguiça, lombo e frango. Além, claro, do arroz, azeite, tomate e o açafrão, que dá a cor amarela característica do prato.

Mas vamos à receita deste que é um dos prato mais saborosos da gastronomia internacional!

Paella Valenciana

Ingredientes

1 kg de frango inteiro em pedaços médios
300 gr de pescada branca em filés
250 gr de lula
250 gr de camarão sete barbas
250 gr de mariscos limpos
100 gr de lombo de porco
150 gr de linguiça portuguesa em fatias
6 unidades de camarão pistola
300 gr de arroz
1 lata de ervilha
1 cebola picada
2 dentes de alho picados
2 pimentões vermelho cortados em triângulos
2 tomates picados sem pele
1 colher (sopa) de manteiga
1/2 xícara (chá) de azeite
quanto baste de açafrão

Modo de preparo

Salgue todas as carnes separadamente e reserve. Em uma panela coloque a manteiga e o azeite e frite primeiro o frango até dourar. Retire e reserve. Depois frite, na mesma gordura, e reservando num recipiente a parte, os pedaços de peixe, lula, lombo e os camarões sete barbas.

Refogue, ainda nesta gordura, a cebola picada, o alho picado, os tomates sem pele e os pimentões cortados em triângulos. Coloque todas as carnes fritas reservadas de volta ao fogo, com uma xícara (chá) de água quente. Deixe no fogo por cerca de 15 minutos. Acrescente o arroz, o açafrão, os mariscos, a linguiça e 3 xícaras (chá) de água quente mexendo apenas uma vez.

Junte os 6 camarões que serão usados para enfeitar o prato e deixe no fogo baixo por cerca de 20 minutos. Cerca de 5 minutos antes de estar pronto, retire os camarões grandes, coloque as ervilhas e mexa. Reserve um pouco de água quente e acrescente se achar necessário. Depois de pronto deixe a panela tampada por 5 minutos antes de servir. Enfeite com os camarões grandes.

Sirva este tradicional prato espanhol com um vinho rosê gelado, não muito seco, de sua preferência.

By Joe.

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