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Desapego

Posted in Inspiração with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on 09/02/2012 by Joe

O maior exemplo de desapego vem das abelhas. Após construírem a colmeia, abandonam-na. E não a deixam morta, em ruínas, mas viva e repleta de alimento. Todo mel que fabricaram além do que necessitavam é deixado sem preocupação com o destino que terá.

Batem asas para a próxima morada sem olhar para trás.

A abelhas nos ensinam uma grande lição. Em geral o homem constrói para si, pensa no valor da propriedade, tem ambição de conseguir mais bens, sofre e briga quando na iminência de perder o que “lutou” para adquirir.

“Onde estiver nosso coração, ali estarão nossos tesouros”. Assim não pode haver paz, uma vez que pensamentos e sentimentos formam uma teia prendendo o ser ao que ele julga ser sua propriedade. Essa teia não o deixa alçar vôo para novas moradas. E tal  impedimento ocorre em vida, ou mesmo após a morte, quando um simples pensamento como “Para quem vai ficar a minha casa?” é capaz de retê-lo em uma etapa que já podia estar superada. Ele fica aprisionado a um plano denso e perde oportunidades de experiências superiores.

Para o homem, tirar a vida de animais e usá-los como alimento é normal. Derrubar árvores para fazer conservas de seu miolo, também. Costuma comprar o que está pronto e adquirir mais do que necessita. Já as abelhas fabricam o próprio alimento sem nada destruir e ainda doam a maior parte dele.

A lição das abelhas vem do seu espírito de doação. Num ato incomum de desapego, abandonam tudo o que levaram uma vida para construir. Simplesmente abandonam tudo, sem preocupação se vai para um ou para outro. Deixam o melhor que têm, seja para quem for – o que é muito diferente de doar o que não tem valor ou de dirigir a doação para alguém da nossa preferência.

Se queremos ser livres, se queremos parar de sofrer pelo que temos e pelo que não temos, devemos abrigar em nós um único desejo: o de nos transformar. O exercício é ter sempre em mente que nada nem ninguém nos pertence, que não viemos ao mundo para possuir coisas ou pessoas, e que devemos soltá-las. Assim, quando alguém ou algo tem de sair de nossa vida, não alimentamos a ilusão da perda. Adquirimos uma visão mais ampla.

O sofrimento vem quando nos fixamos a algo ou a alguém. O apego embaça o que deveria estar claro: por trás de uma pretensa perda está o ensinamento de que algo melhor para nosso crescimento precisa entrar. E se não abrimos mão do velho, como pode haver espaço para o novo?

Desconheço a autoria.

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