Arquivo para outubro, 2011

Dar certo ou dar errado

Posted in Reflexão with tags , , , , , , , , , , , , , on 31/10/2011 by Joe

Com seus cabelos brancos e muitos milhões de reais no banco, um velho empreendedor gosta de contar a história de dois garotos que estudavam numa pequena cidade do interior e que se separaram no final do ginásio.

Foram se reencontrar numa esquina de São Paulo, trinta anos depois. Um era funcionário subalterno de um pequeno escritório. O outro, o principal sócio de uma importante indústria. Depois de algum tempo de conversa, o mais pobre não aguentou e perguntou:

– Como é que você se deu assim tão bem na vida?

– Eu pulei na hora certa.

Inconformado com a resposta, o pobre retrucou:

– Mas como você sabia a hora certa de pular?

Eis a resposta:

– Não sabia … fiquei pulando o tempo todo!

Essa historinha saltitante esconde uma verdade ululante. Para ter sucesso no próprio negócio é preciso ser muito, mas muito teimoso – por muitas razões, sobretudo para aguentar por um bom tempo a conta bancária no vermelho, sem luz visível no final do túnel. É, não raro, um teste infernal de resistência, pontilhado por obstáculos de mercado, armadilhas da concorrência, rejeição da clientela – isso sem falar da alucinante montanha russa emocional na qual o empreendedor sacoleja diariamente, com picos de euforia pela manhã, descidas vertiginosas à tarde e vales de depressão à noite.

Está enganado quem acredita que os empreendedores de sucesso chegaram aonde chegaram por causa de inteligência privilegiada. Até porque os empreendedores que se julgam muito inteligentes normalmente são os que desistem mais rápido diante de resultados pouco animadores. São traídos pela própria inteligência, achando que ela está sendo sub-utilizada num negócio que não parece ter futuro certo.

Por outro lado, os empreendedores que persistem, colocando o sonho acima da vaidade intelectual, continuam a tocar o seu negócio. Passam por anos de sacrifício, até que em algum momento desembocam na hora e no lugar certos, com as pessoas certas. E o negócio finalmente deslancha.

De cada 10 empresas que prosperam, nove têm algo em comum: o dono gosta do que faz, acredita no que faz e tem paciência para esperar o mercado reconhecer seu valor. Se não gosta, deixa de acreditar. Se não acredita, a paciência não tem sentido. E, sem sentido, nada existe. Ou a mesma coisa de outro jeito: se gosta, o trabalho se assemelha ao prazer, não a aquele fardo que se suporta apenas para pagar as contas. Se acredita, talvez nem pense em desistir, afinal o tempo não importa tanto assim quando se tem fé. E, se não desiste, dar certo é uma questão de tempo.

A matemática ajuda a explicar o sucesso dos persistentes. Se um empreendedor entregar os pontos depois de prospectar 50 clientes em um ano de trabalho e outro empreendedor continuar no negócio por mais cinco anos com a mesma taxa de prospecção, o persistente terá cinco vezes mais chance de fazer a empresa prosperar.

Parece lógico? Note que a taxa de sucesso, nesse caso, não tem nada a ver com inteligência privilegiada – apenas com paciência e persistência. O mundo está cheio de pessoas pelas quais ninguém dava um tostão e que hoje são acionistas de empresas milionárias.

Da mesma forma, há uma multidão de primeiros alunos da classe que abriram sua empresa e não tiveram a paciência necessária para continuar remando contra a maré. Fecharam as portas e hoje, na mesa do bar, sempre que têm oportunidade, comentam com os amigos que não conseguem entender como tanta “gente burra” dá certo e ele, “inteligente e cheio de idéias novas” quebrou a cara.

Também é preciso lembrar que paciência é fundamental, sim, mas não é tudo. Existe uma linha nem sempre nítida que separa a persistência virtuosa da insistência inútil. Jamais gaste vela boa com defunto ruim – melhor assumir o prejuízo e fechar as portas do que perder mais dinheiro e aumentar o desgaste e o estresse. Se a situação está muito mal, a hora de fechar fica evidente. A grande questão é quando a empresa está patinando sem sair do lugar, naquele vai-não-vai, fecha-não-fecha. O que fazer nesse caso? Bem, o amigo pobre desistiria. Já o amigo rico continuaria pulando.

By Pedro Mello.

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Ameaça à Natureza?

Posted in Meio ambiente with tags , , , , , , , , , , , , , , on 30/10/2011 by Joe

O petróleo move o mundo: fez o Bush atacar o Iraque, criou o Osama, armou o Chávez. O petróleo é energia e morte para a vida, ao mesmo tempo berço e túmulo. Nos dá conforto e nos envenena.

Achávamos que o mundo acabaria em guerra nuclear. Agora, pode acabar sufocado e derretido. E diante dessa tragédia, como reagimos?

Muitos pensam:

– “É exagero desses ecologistas chatos! Não acredito: a ciência vai achar uma solução”!

Ou então, o contrário:

– “Esses cientistas são uns idiotas, é tudo mentira!”

Ou ainda:

– “Temos de cuidar do presente, o futuro a Deus pertence! Não podemos parar a produção e causar desemprego!”

Ou ainda:

– “Ah, eu não quero nem saber. Sabe o que mais? Dane-se. Até lá, eu já morri”.

É isso. E o tragicômico é que nos referimos aos problemas ambientais como sendo uma “ameaça à Natureza”. Que nada! A Natureza não esta nem aí. Já morreu dinossauro, já houve idade do gelo, chuva de asteróides e a Natureza continua numa boa.

Quem vai acabar é a raça humana. A Natureza está pouco se lixando para nós.

By Arnaldo Jabor.

Nhoque de espinafre ao molho de ricota

Posted in Receitas with tags , , , , , , , , , on 29/10/2011 by Joe

Não sei se por superstição ou tradição, os paulistanos costumam procurar restaurantes italianos todo dia 29 para saborear um bom prato de nhoque! Diz a superstição que ao saborear esse prato terá sorte pelos próximos 30 dias!

Esse costume já está se espalhando por outros estados e cidades brasileiras. Alguns restaurantes ainda reforçam a sorte dos clientes, colocando uma nota de um real sob o prato na hora de serví-lo!

A origem dessa tradição (com inúmeras variações) parece ter sido que um frade andarilho chegou a uma pequena vila italiana, bateu à porta de uma casa e foi atendido por um casal de velhinhos. Pediu um prato de comida e foi-lhe servido nhoque, único alimento que havia. Algum tempo depois, ele retornou à vila, procurou a mesma casa e contou aos velhinhos que, após aquele dia, sua vida tinha mudado pra muito melhor!

Tradições e supertições à parte, a história do nhoque (gnocchi, em italiano) se perde no tempo. Alguns dizem que foi o primeiro tipo de massa caseira surgida; já outros contam que o nhoque já existia desde os tempos de gregos e romanos.

A verdade é que o nhoque é um prato saborosíssimo e conta com inúmeras variações em seu preparo, bem como na composição de seus ingredientes! A preparação mais tradicional é aquela feita com batatas cozidas, farinha de trigo, ovos e servido com molho de tomates. Mas existem outras receitas onde o prato é preparado com mandioca, mandioquinha, milho verde e até batata-doce!

Como é costume aqui no Demodelando (e até para manter a proposta de quebrar moldes, demodelar), vou apresentar uma receita um pouco diferente, entre as inúmeras que conhecemos, mas não menos saborosa! Espero que curtam e deixem seus comentários!!

Nhoque de espinafre ao molho de ricota

Ingredientes

Para o nhoque

1,5 kg de batatas
2 maços de espinafre
3 ovos
200 g de queijo parmesão ralado
50 g de semolina
30 g de amido de milho
300 g de farinha de trigo
30 g de manteiga
sal e pimenta a gosto

Para o molho

400 g de ricota fresca
1 cebola
3 dentes de alho
100 g de queijo parmesão ralado
salsa picada a gosto
1 litro de creme de leite fresco
1 pitada de noz-moscada
sal e pimenta a gosto

Modo de preparo

Cozinhe as batatas em água e sal. Esprema-as e adicione a manteiga, misturando muito bem. Reserve. Cozinhe o espinafre, escorra bem a água e bata rapidamente com os ovos no liquidificador. Adicione na batata e junte os ingredientes secos, incluindo o sal e a pimenta. Misture tudo muito bem e depois faça bolas de, mais ou menos, 2 cm e cozinhe em água salgada. Quando boiarem, retire e sirva com o molho.

Para o molho, comece passando a ricota na peneira. Depois refogue o alho e a cebola, e adicione metade do creme de leite fresco. Bata a ricota com a outra metade do creme de leite fresco no liquidificador. Adicione à panela com a 1ª metade do creme de leite. Tempere com sal, pimenta, noz-moscada, salsinha e parmesão. Sirva em seguida sobre o nhoque.

By Joemir Rosa.

Revendo conceitos

Posted in Reflexão with tags , , , , , , , , on 28/10/2011 by Joe

Já tem muitos anos que ingressei na Volvo, empresa sueca bem conhecida. Trabalhar com eles é uma convivência muito interessante. Qualquer projeto aqui demora dois anos para se concretizar, mesmo que a idéia seja brilhante e simples. É uma regra.

Os processos globalizados causam a nós (brasileiros, portugueses, argentinos, colombianos, peruanos, venezuelanos, mexicanos, asiáticos, australianos, etc…) uma ansiedade generalizada na busca de resultados imediatos. Consequentemente, o nosso sentido de urgência não surte efeito dentro dos prazos lentos dos suecos.

Os suecos debatem, debatem, realizam “n” reuniões, ponderações, etc. E trabalham! Com um esquema bem mais “slowdown” (desacelerado). O melhor é constatar que, no fim, isto acaba por sempre dar resultados no tempo deles (suecos) já que, conjugando a necessidade amadurecida com a tecnologia apropriada, é muito pouco o que se perde aqui na Suécia.

Devo referir que não conheço nenhum outro povo com uma cultura geral superior à dos suecos.

Vou contar uma pequena história, para terem uma ideia.

A primeira vez que fui para a Suécia, em 1990, um dos meus colegas suecos me apanhava no hotel todas as manhãs. Já era Setembro, com algum frio e neve.

Chegávamos cedo à Volvo e ele estacionava o carro longe da porta de entrada (eram 2.000 empregados que iam de carro para a empresa). No primeiro dia não fiz qualquer comentário, nem tampouco no segundo ou no terceiro.

Num dos dias seguintes, já com um pouco mais de confiança, perguntei:

– “Vocês têm lugar fixo para estacionar? Chegamos sempre cedo e, com o estacionamento quase vazio, você sempre estaciona o carro no seu extremo?

E ele me respondeu, com simplicidade:

– “É que, como chegamos cedo, temos tempo para andar, e quem chega mais tarde já vai entrar atrasado, portanto é melhor para ele encontrar um lugar mais perto da porta. Entendeu?”

Imaginem a minha cara! Esta atitude foi o bastante para que eu revisse todos os meus conceitos anteriores.

E você? Que tal rever os seus também?

Desconheço o autor.

Descoberta da felicidade

Posted in Reflexão with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on 27/10/2011 by Joe

Quando olho o estilo de vida das pessoas no mundo de hoje, percebo que o final do filme é triste. A maioria luta para realizar metas que as afastam cada vez mais da sua realização pessoal. Conhecemos muito sobre culinária, telecomunicações, engenharia, mas quase nada sobre vida. Lutamos muito para conseguir o abacaxi, gastamos muita energia para descascá-lo e, na hora de saboreá-lo, estamos tão exaustos que não o aproveitamos.

Muitas pessoas se matam para ter uma casa de campo que só visita para pagar o caseiro. Outros querem garantir o futuro dos seus filhos, mas nunca brincaram com eles. As pessoas estão cada vez mais pressionadas, a palavra cooperação é substituída pela palavra competição.

É impressionante o aumento do número de famílias desagregadas, do consumo de drogas e de pessoas destruindo seus corpos. Empresas onde 40% dos seus gerentes com mais de dez anos de casa são enfartados. As pessoas estão desperdiçando suas vidas correndo atrás de miragens.

Todo mundo sabe que a felicidade não pode ser sedimentada em bens materiais, mas a maioria se ilude construindo castelos de areia.

Por que isso acontece?

As pessoas aprenderam a valorizar quantidade ao invés de qualidade. Colecionam mulheres, viagens, festas, sem conseguirem escutar a voz do seu coração. Procuram a felicidade onde ela não se encontra, buscam a segurança no outro. Tentam achar o amor, a tranquilidade e a paz fora de si. Parece mais fácil, mas é impossível pois o único lugar onde alguém pode encontrar a felicidade é dentro de si próprio. As pessoas procuram a sua felicidade nos olhos dos outros. Bens materiais, carros importados, casas, roupas, enfim, tudo o que pode levar à admiração da sociedade.

As pessoas hoje vivem comparando quem tem mais dinheiro, status, reconhecimento ou sucesso. A comparação tem, como consequência, o sentimento de inferioridade. Sempre tem alguém com mais dinheiro, prestígio ou poder, que consegue mais admiração. É inevitável acabar se sentindo por baixo … então vem uma avalanche de sentimentos ruins.

Para não se sentirem inferiores, as pessoas se sacrificam cada vez mais por algo que muitas vezes, lhes destrói a alma. Valorizam o que todo mundo valoriza, sem saber se essas coisas as realizam. Vivem correndo como cachorro atrás do rabo, sem nunca alcançar a sua meta e, nas vezes em que conseguem realizá-las, se machucam muito.

Mas, afinal, o que é a felicidade?

Quando era criança eu me sentia muito limitado, existiam tantas coisas que queria fazer e não podia. Quando me sentia frustrado pensava que, no dia em que entrasse na escola, seria muito feliz. Tudo daria certo, passaria a ser mais respeitado e não teria mais problemas. Quando entrei no primário, percebi que os problemas continuavam e eu não tinha me tornado feliz.

Comecei a achar que, ao entrar no ginásio, seria totalmente feliz e constatei também que não era assim. Mais uma vez adiei, joguei para a frente a minha expectativa de felicidade total. Imaginei que, quando entrasse no colegial, então finalmente seria feliz.

No colegial os problemas continuaram. Ah! Mas quando eu entrasse na faculdade de medicina a felicidade seria inevitável! Triste frustração! Os problemas continuavam e a angústia aumentou. Idealizei então que, quando me tornasse médico, seria totalmente feliz. Teria poder, as pessoas me respeitariam e tudo daria sempre certo para mim.

Acabei percebendo que não era desse jeito que a vida funcionava. Não tinha um momento definitivo de felicidade. Imaginei que a felicidade não existia. Descobri que as pessoas diziam que não existe a felicidade, só os momentos de felicidade, e nós temos que aproveitá-los para poder curtir da vida o melhor possível.

Então pense: é isso mesmo! Nos momentos em que vivia o amor com alguém, ou conseguia uma vitória no trabalho, eu me sentia bem. Felicidade devia ser algo por aí. Esses momentos me davam a sensação de ser uma pessoa feliz, mas depois de algum tempo percebia que faltava alguma coisa, não era possível que fosse só isso – tanta luta para tão pouco prazer.

Em 1986 minha vida funcionava muito bem. Tinha conquistado tudo o que havia imaginado que me tornaria feliz, mas vivia frustrado. Ficava me perguntando se a vida era só isso. Uma coletânea de filmes, de momentos … Como sempre fui muito religioso, não podia acreditar que o Criador houvesse me mandado para essa viagem por tão pouco. Deveria haver algo mais e, assim, decidi ir para o Oriente, conversar com os mestres e saber o que eles pensavam a respeito da felicidade.

Fui para o Nepal, mais exatamente para Katmandu, a um mosteiro budista, para descobrir o segredo da felicidade. Chegar em Katmandu é uma epopéia. Um avião até Londres, outro de Londres para Nova Deli e mais um até Katmandu. Sabia, através de um amigo, da existência de um mestre naquele lugar. Encontrei um hotel e fui procurar o mosteiro. A pessoa da portaria que me atendeu disse que o mestre iria me receber na manhã seguinte às nove da manhã.

Naquela noite praticamente não dormi, fiquei excitado com a possibilidade de ver revelado o segredo da felicidade. Saí de madrugada do hotel, na esperança de o mestre estar disponível e poder conversar comigo mais cedo. Fiquei lá esperando até que, ao redor das nove horas, uma mulher falando inglês com sotaque de francesa entrou na sala.

Exultei imaginando que ela me levaria até o mestre. Ela me acompanhou até uma sala, estendeu uma almofada para eu me sentar e sentou-se à minha frente. A francesa era uma jovem morena, muito bonita e eu lhe disse:

– “Quero falar com o mestre!”

Ela me respondeu:

– “Eu sou o mestre.”

Naquele momento, certamente, não consegui esconder minha frustração e pensei:

– “Puxa vida, viajei tanto tempo para chegar aqui e conversar com um mestre de verdade e me mandam uma mestra francesa. Sacanagem! Todo mundo tem um mestre homem, velhinho, oriental, de barba. Não uma mulher jovem, bonita e, ainda por cima, francesa!”

Eu falei para ela:

– “Você não entendeu direito: quero falar com o mestre.”

Ela me respondeu:

– “Eu sou o mestre.”

Aí pensei:

– “Vou fazer uma pergunta muito difícil para que ela não saiba a resposta e tenha que me levar até o mestre de verdade”.

Fiz uma pergunta, a mais difícil que pude pensar naquela hora:

– “O que é budismo?”

E ela me respondeu, tranquilamente:

– “A base do budismo é que todo ser humano sofre.”

Pensei comigo mesmo:

– “Não é possível! Eu saio da nossa cultura ocidental que diz que o sofrimento é a base da purificação e da sabedoria, e venho para cá para escutar que a base do budismo é o sofrimento!”

Não satisfeito pensei:

– “Vou fazer uma pergunta mais difícil para que ela não saiba a resposta e me leve até o verdadeiro mestre”.

– “E por que os seres humanos sofrem?”

– “Porque são ignorantes.”

Bem … se somos ignorantes, deve haver alguma coisa que não sabemos e que, talvez, seja a resposta que estou procurando.

– “E qual é o conhecimento que nos falta?”

– “O conhecimento que nos falta é a compreensão de que as coisas na nossa vida são dinâmicas e fluidas. Quando o ser humano está feliz, ele bloqueia a felicidade, pois quer a eternidade para aquele momento. Então ele fica rígido, com medo do fim do prazer. Quando está infeliz pensa que o sofrimento não vai terminar nunca, mergulha na sombra e assim amplia a sua dor.

A vida é tão dinâmica quanto as ondas do mar. É tão certa a subida quanto a descida. Cada momento tem sua beleza. No prazer nos expandimos e na dor evoluímos. Um movimento é complementar ao outro. Saber apreciar a alegria e a dor na sua vida é a base da felicidade. Você não pode ser feliz somente quando tem prazer, pois perderá o maior aprendizado da existência. Você deve descobrir um jeito de ser feliz na experiência dolorosa porque essa experiência carrega dentro dela a oportunidade de muito aprendizado. Não curta somente o sol, aproveite também a lua. Não curta somente a calmaria, aproveite a tempestade. Tudo isso enriquece a vida. Ela não pode ser vivida somente dentro de uma casa; a vida tem que ser experimentada dentro do universo.

A felicidade é um jeito de viver, é uma postura de vida, é uma maneira de estar agradecido a tudo, não somente ao sol, mas também à lua, não somente a quem lhe estende a mão, mas também a quem o abandona, pois certamente nesse abandono existe a possibilidade de descobrir a força que existe dentro de você.

A felicidade não é o que você tem, mas o que você faz com isso. Por isso existem pessoas que têm muitos bens materiais, um grande amor, filhos lindos e, apesar disso, se sentem angustiadas e depressivas.”

Apaixonado por aquela mulher à minha frente, somente consegui balbuciar antes de sair:

– “Obrigado mestra!”… (por pouco meu preconceito a respeito do sexo e do mestre me afasta dessa lição de vida).

A felicidade não é o que acontece em sua vida, mas como você elabora esse episódio. A diferença entre a sabedoria e o desespero, o sábio e o desesperado, é que o sábio sabe aproveitar as suas dificuldades para evoluir e o desesperado sente-se vítima dos seus problemas.

A felicidade é uma experiência que está diretamente ligada à sabedoria e, certamente, para criarmos um planeta mais feliz precisamos muito mais de sábios do que de gênios.

As pessoas procuram sucessos em bens materiais, mas, na verdade, o único sucesso que vale a pena é ser feliz!

By Roberto Shinyashiki.

Evidências

Posted in Relacionamentos with tags , , , , , , , , , , , , , , , on 26/10/2011 by Joe

Você já reparou que quando a gente gosta muito de uma pessoa costuma usar um modo estranho de expressar os sentimentos? Parece que, de repente, a gente começa a falar a “língua do contrário”.

Creio que esta mania vem de uma crença alimentada há muito tempo: a de que devemos parecer ambíguos no amor a fim de que o outro nunca se sinta seguro. A regra é mais ou menos assim: não mostre o quanto gosta do outro senão ele vai abusar de seus sentimentos e brincar com seu coração.

Assim, morrendo de medo de nos machucarmos, vamos agindo e, especialmente, verbalizando o que desejamos e o que esperamos do outro através de colocações muitas vezes contraditórias. Supomos ainda que o outro deva saber ler nosso coração e satisfazer nossas expectativas sem que precisemos ser claros, transparentes.

Insistimos em acreditar que o jogo precisa ser mantido e, assim, de equívoco em equívoco, vamos minando nossa relação sem nunca dizermos exatamente o que estamos sentindo – sem ruídos, sem estratégias.

Mas será mesmo que é melhor fingir e economizar afeto? Será mesmo que não demonstrar mais amor é garantia de ser mais amado? Será que quanto menos o outro se sentir correspondido mais vai gostar da gente? Isso tudo não lhe parece coisa de gente maluca? Não lhe parece demandar muito mais energia e causar muito mais desgastes?

É verdade que, ao se expressar com fidelidade, falando sobre o que sente, do jeito que sente e na intensidade que sente, significa se expor e correr o risco de não ser correspondido ou – pior! – de se ferir. Mas somente assim pode valer a pena, porque somente assim terá sido verdadeiro.

De que adianta fazer como na música “Evidências”, de Roberta Miranda: “Quando digo que deixei de te amar, é porque eu te amo. Quando digo que não quero mais você, é porque eu te quero (…)”? Na música ainda há a confissão, mas em geral, o que vemos são pessoas usando expressões mais para agressivas do que para amorosas, só para não evidenciarem o quanto estão apaixonadas e o quão intensamente desejam viver a relação.

Entregam-se pelo ego, como se disputassem quem vai conseguir esconder por mais tempo o que sente, como se esta fosse a grande vantagem do amor.

Talvez, como na música, justifiquem: “Eu tenho medo de te dar meu coração e confessar que eu estou em tuas mãos, mas não posso imaginar o que vai ser de mim se eu te perder um dia (…)”.

E fica a questão: será que não entregar o seu coração ao outro já não significa perder de fato? Ou melhor, já não significa nunca tê-lo tido de verdade? Afinal, o ganho no amor só acontece na troca, na reciprocidade.

Quando a entrega acontece pelo coração, a verdade prevalece: “Mas pra que viver fingindo se eu não posso enganar meu coração. Eu sei que te amo. Chega de mentiras, de negar o meu desejo, eu te quero mais que tudo, eu preciso do seu beijo (…)

Esta é minha sugestão: pare de complicar e usar a “língua do contrário”! Saiba que, se por acaso, ela funcionar é porque a relação não está madura, não há espaço para a confiança, o respeito e a liberdade de expressão sem que haja o risco de ser ferido deliberadamente.

Seja claro. Seja transparente. Seja todo coração para que o amor possa ser, enfim, não um jogo, mas uma feliz e gostosa evidência!

By Rosana Braga.

Vontade, pra que te quero?

Posted in Reflexão with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on 25/10/2011 by Joe

Durante aquela longa noite brasileira da ditadura militar, os caras, incomodados com os artigos escritos por um famoso jornalista, entraram na redação de seu jornal e quebraram tudo, inclusive esmagaram as suas mãos para que ele não pudesse mais escrever.

No dia seguinte, o jornalista voltou a publicar seus artigos, onde comentou algo como “eles acham que os jornalistas escrevem com as mãos”.

A gente sabe que não são apenas jornalistas que prescindem das mãos para escrever. Um dos maiores gênios da humanidade não escreve com as mãos. Nem poderia. Elas não têm movimentos. Nem suas mãos, nem seus pés. Nem o seu corpo. Stephen Hawkins, autor de várias obras científicas, é tetraplégico.

Mas não é só escrever que a gente faz sem precisar das mãos. A gente pode andar sem pés, enxergar sem olhos, ouvir sem ouvidos. A gente pode até voar sem asas. O ser humano pode tudo. E a prova disso é que uma das mais famosas obras que a humanidade já leu, e que descreve uma região onde tudo é beleza e harmonia, e onde são descritas paisagens belíssimas, pasmem, foi escrita por um deficiente visual.

Milton, autor de “O Paraíso Perdido”, não surpreende apenas por sua narrativa criativa, mas pela capacidade de ver uma beleza que nós, videntes, não enxergaríamos sem sua ajuda. Bobagem falar que Beethoven não escutava a música que fazia. Quer dizer, não escutava com os ouvidos materiais, mas os ouvidos de sua alma – benza-os Deus! – como distinguiam sons talvez inaudíveis para nós, ouvintes!

Mas, pensando bem, se deficiência física não é limitação para se fazer o que se quer, o que nos pode limitar? Seria a deficiência cerebral? Vejamos. Você já ouviu falar em “idiot-savants”? São pessoas como aquele personagem de “Rain Man”, filme baseado em uma história real. O personagem do filme possuía uma limitação cerebral que o impedia de muita coisa, mas que era um gênio do cálculo, fazendo operações complicadíssimas de raiz-quadrada e equações mais rapidamente, e tão corretamente, como as realizadas por calculadoras científicas.

Tem um desses “savants” na Inglaterra que é capaz de reproduzir, com exatidão, desenhando, qualquer coisa. Colocado durante alguns instantes diante de um castelo, pode reproduzí-lo, sem mais voltar a olhar para ele, com detalhes impressionantes e com uma qualidade fotográfica, exatamente na escala, toda a sua complicada arquitetura, inclusive detalhes como quais janelas estavam abertas ou fechadas e o seu número exato. Entretanto, perguntado sobre quantas janelas havia no castelo, ele não soube responder. Não sabia e não podia contar, dada a sua deficiência cerebral (ele não possui uma grande porção do cérebro). Mas as janelas desenhadas eram exatamente as 144 visíveis.

Um outro desses “savants” não consegue manter uma conversação coerente, mas tem ouvido absoluto: ouve qualquer peça musical, por mais complicada que seja, apenas uma vez, e a reproduz sem faltar uma nota sequer, ao piano.

E agora? Se deficiências físicas e cerebrais não constituem limites ao livre vôo para o sucesso, se as barreiras encontradas em um setor podem ser superadas de outra forma, o que impede uma pessoa – deficiente ou não – de atingir os seus objetivos de felicidade? É a falta de flexibilidade para encontrar outros caminhos. Só é infeliz quem não encontra opções para fazer de outro jeito, o que não pode fazer como os outros fazem. E o que os torna infelizes é teimar em fazer o que não podem.

É comum confundir teimosia com persistência. Se eu tenho mais de sessenta anos e não chego a 1,70 de altura, por que vou teimar em querer entrar para a seleção brasileira de basquete? Mas serei persistente se procurar descobrir outras escolhas esportivas que a vida me oferece para que eu possa fazer algo bem feito. Observe que todas as pessoas citadas aqui encontraram alternativas para fazer as coisas.

A felicidade é isso: é encontrar o jeito pessoal de fazer uma coisa do nosso jeito, dentro das limitações que a vida nos impõe. E gostar dessas alternativas. Descobrir o mundo criativamente, vendo opções onde antes só se viam impedimentos. E gostar dessas descobertas. Amar o seu jeito pessoal de ser, a sua criatividade e os seus sonhos.

Ou seja: a felicidade está na flexibilidade, com amor, deixando de lado aquele comportamento de criança que acha que o mundo acabou porque um brinquedo se quebrou, deixando de ver o quão divertido é consertar brinquedos quebrados e transformá-los em outros brinquedos até mais criativos e melhores.

Com flexibilidade, amor e, sobretudo, com vontade, se descobre porquê a vida nos fez especiais. E é com essa descoberta que podemos transmitir o recado que viemos dar aqui neste planeta. Porque só existe um deficiente realmente limitado: é o deficiente da vontade.

By Renato Mello.

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