Arquivo de fevereiro, 2011

Paixão e amor

Posted in Relacionamentos with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on 28/02/2011 by Joe

Paixão e amor não são a mesma coisa, apesar do parentesco. Alguns acreditam que todo amor inicia com uma paixão, outros que as paixões são efêmeras e que os amores são pra sempre.

Enfim, há verdades ao gosto do freguês. A minha verdade, que não é lá muito original, é a seguinte: a maior diferença entre a paixão e o amor é que a paixão escraviza e o amor liberta, o que parece contraditório, pois geralmente nos apaixonamos quando estamos livres e começamos a amar depois de comprometidos.

A paixão escraviza porque te torna refém do telefone, do correio eletrônico e demais sinais sonoros e visuais de reciprocidade.

O amor liberta porque tem certeza do sentimento do outro, e se não tem, ao menos tem certeza do próprio sentimento, e isso faz com que a gente gaste o nosso precioso tempo pensando em outras coisas igualmente importantes, como trabalho, viagens, leituras e amigos.

A paixão escraviza porque te faz planejar cada frase dita e cada decote escolhido.

O amor liberta porque está dominado. Não precisa forjar as provas da sua existência. Não corre risco de terminar apenas porque ela está acima do peso e ele está com a camiseta furada. O amor acontece por dentro.

A paixão escraviza porque corre contra o relógio: a qualquer momento, o outro pode descobrir que não somos tão bacanas assim e tirar o time.

O amor liberta porque ultrapassou o tempo do “qual é o seu ascendente?” e tem o tempo inteiro do mundo para gastar com parceria, trocas profundas de idéias e carinhos, e muito silêncio compartilhado sem cobrança.

A paixão escraviza porque a concorrência é acirrada, toda a torcida do Flamengo quer se apaixonar e o prazo esgota no sábado.

O amor liberta porque é raro, exige intimidades maiores do que ficar juntos apenas numa festa, exige cumplicidade e dedicação, e como nem todos estão a fim deste esforço, passam batido por aquele ou aquela que poderia ser o amor eterno deles, mas que é todo seu.

By Martha Medeiros.

A nação do futuro

Posted in Reflexão with tags , , , , , on 27/02/2011 by Joe

“Quando a Terra é vista da Lua, não são visíveis nela as divisões em nações ou Estados.

Isso pode ser o símbolo da mitologia futura.

Essa é a nação que iremos celebrar, essas são as pessoas às quais nos uniremos”.

By Joseph Campbell

Bolinhos de bacalhau

Posted in Receitas with tags , , , , , , , , , , , , , , on 26/02/2011 by Joe

Mundialmente apreciado, a história do bacalhau é milenar. Existem registros de processamento do bacalhau na Islândia e na Noruega no Século IX. Os Vikings são considerados os pioneiros na descoberta do cod gadus morhua, espécie que era farta nos mares que navegavam. Como não tinham sal, apenas secavam o peixe ao ar livre, até que perdesse quase a quinta parte de seu peso e endurecesse como uma tábua de madeira, para ser consumido aos pedaços nas longas viagens que faziam pelos oceanos.

Mas deve-se aos bascos, povo que habitava as duas vertentes dos Pirineus Ocidentais, do lado da Espanha e da França, o comércio do bacalhau. Os bascos conheciam o sal e existem registros de que, já no ano 1000, realizavam o comércio do bacalhau curado, salgado e seco. Foi na costa da Espanha, portanto, que o bacalhau começou a ser salgado e depois seco nas rochas, ao ar livre, para que o peixe fosse melhor conservado.

Quanto ao bolinho de bacalhau, um dos mais antigos e deliciosos petiscos que a humanidade já conheceu, ninguém sabe ao certo contar como surgiu. Sabe-se que surgiu em Portugal, criado pelas mãos talentosas das competentes e criativas cozinheiras portuguesas, para serem saboreados inicialmente como entrada dos pratos principais. Depois passou a ser grande companheiro dos apreciadores dos melhores vinhos do Porto nos bares luzitanos, e mais tarde a receita espalhou-se pela Europa e, felizmente, por todo o mundo.

Aqui no Brasil é um petisco dos mais apreciados. É saboreado acompanhando qualquer tipo de bebida, mas principalmente,  a cerveja.

A receita abaixo é considerada a original, existindo outras variações com hortelã e Vinho do Porto, por exemplo.

Espero que apreciem e comentem os resultados e possíveis variações no preparo!

Bolinhos de bacalhau

Ingredientes

600 gr de bacalhau demolhado
400 gr de batatas cozidas e espremidas
2 dentes de alho amassados
1 gema de ovo
quanto baste de sal
quanto baste de salsinha picada
2 colheres de azeite de ótima qualidade
quanto baste de farinha de trigo (caso necessário)
óleo de soja para fritar
1 pimentão vermelho pequeno
1 clara de ovo batida

Modo de preparo

Para demolhar o bacalhau, primeiro lave-o bem água corrente (gelada de preferência). Depois, deixe-o por 2 horas, aproximadamente, em água gelada. Escorra e repita o procedimento por mais 2 horas. Em seguida coloque o bacalhau em água fervente e deixe levantar fervura. Escorra e espere esfriar. Em seguida desfie o bacalhau.

Cozinhe as batatas na água que ferveu o bacalhau, escorra e esprema. Misture as batatas espremidas, o bacalhau desfiado, a gema de ovo, a clara batida, o alho, o azeite e a salsinha picada. Misture bem e corrija o sal. Caso a massa não esteja dando liga, coloque um pouco de farinha de trigo (mas só em caso de necessidade mesmo). Modele os bolinhos e reserve.

Em uma panela coloque o óleo e deixe aquecer bem. Depois coloque o pimentão e deixe dourar. Retire o pimentão e frite os bolinhos de bacalhau nesse mesmo óleo. Isso dará um sabor todo especial aos bolinhos!!!

Sirva como aperitivo acompanhado por cerveja ou um ótimo vinho verde!!

By Joe.

Madre Tereza

Posted in Inspiração with tags , , on 25/02/2011 by Joe

Um jornalista perguntou para Madre Teresa:

“Quando você reza, o que você diz a Deus?”

E ela respondeu:

” Não falo. Eu escuto.”

O jornalista então perguntou:

“E o que Deus diz a você?”

Madre Teresa respondeu:

“Ele não fala. Ele escuta. E se você não pode compreender isso, não posso lhe explicar.”

By Madre Tereza.

Se você ama, diga que ama!

Posted in Inspiração with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on 24/02/2011 by Joe

Se você ama, diga que ama. Não tem essa de não precisar dizer porque o outro já sabe. Se sabe, maravilha … mas esse é um conhecimento que nunca está concluído. Pede inúmeras e ternas atualizações.

Economizar amor é avareza. Coisa de quem funciona na frequência da escassez. De quem tem medo de gastar sentimento e lhe faltar depois. É terrível viver contando moedinhas de afeto. Há amor suficiente no universo. Pra todo mundo. Não perdemos quando damos: ganhamos junto. Quanto mais a gente faz o amor circular, mais amor a gente tem. Não é lorota. Basta sentir, nas interações do dia-a-dia, esse nosso caderno de exercícios.

Se você ama, diga que ama. A gente pode sentir que é amado, mas sempre gosta de ouvir e ouvir e ouvir. É música de qualidade. Tão melodiosa que muitas vezes, mesmo sem conseguir externar, sentimos uma vontade imensa de pedir: diz de novo? Dizer não dói, não arranca pedaço, requer poucas palavras e pode caber no intervalo entre uma inspiração e outra, sem brecha para se encontrar esconderijo na justificativa de falta de tempo. Sim, dizer, em alguns casos, pode exigir entendimentos prévios com o orgulho, com a bobagem do só-digo-se-o-outro-disser, com a coragem de dissolver uma camada e outra dessas defesas que a gente cria ao longo do caminho e, quando percebe, mais parecem uma muralha. Essas coisas que, no fim das contas, só servem para nos afastar da vida. De nós mesmos. Do amor.

Se você ama, diga que ama. Diga o seu conforto por saber que aquela vida e a sua vida se olham amorosamente e têm um lugar de encontro. Diga a sua gratidão. O seu contentamento. A festa que acontece em você toda vez que lembra que o outro existe. E se for muito difícil dizer com palavras, diga de outras maneiras que também possam ser ouvidas. Prepare surpresas. Borde delicadezas no tecido às vezes áspero das horas. Reinaugure gestos de companheirismo. Mas não deixe para depois. Depois é um tempo sempre duvidoso. Depois é distante daqui. Depois é sei lá…

By Ana Jácomo.

A arte da inquietação

Posted in Informática with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on 23/02/2011 by Joe

Lupicínio Rodrigues, um compositor que não é da nossa geração, mas que todos reconhecem a importância, certa vez disse: “As mulheres que me fizeram bem eu esqueci. Só as que me fizeram mal viraram música”.

Esta declaração comprova o que muita gente já sabe: o sofrimento não é um inimigo, mas um mestre. Ele ajuda a gente a se conhecer melhor, a não repetir os mesmos erros, a amadurecer, principalmente quando o que sentimos é dor de amor. Mesmo quando a dor não é romântica, ainda assim ela tem essa serventia: pode virar quadros, filmes, livros, música. O sofrimento, que sempre queremos tão longe, tem ao menos a qualidade de nos tornar criativos.

O jazz nasceu do sofrimento dos escravos, o rock nasceu da rebeldia, o rap nasceu da necessidade dos negros reivindicarem liberdade, o samba é a alegria que ameniza o drama dos morros, o tropicalismo foi uma forma de protesto. Nenhum desses estilos musicais foram gerados por um mundo sem problemas, por pessoas com seus direitos plenamente atendidos.

A censura, uma pedra no caminho da geração que viveu a ditadura militar de Médici, fez com que muita gente precisasse dar asas à imaginação para driblá-la, como Millôr Fernandes e Paulo Francis, que escreviam em O Pasquim, Glauber Rocha, que inventou o Cinema Novo, e Leila Diniz, que ajudou as mulheres a saírem da casca.

A censura é responsável por versos memoráveis de Chico Buarque e pela irreverência de Os Mutantes.

Foram tantos os caminhos que a cultura brasileira encontrou para sobreviver aos anos de chumbo que Arnaldo Jabor chegou a declarar que a liberdade, de certo modo, acabou com o cinema nacional. É uma frase polêmica, mas compreende-se.

A Guerra Civil na Espanha gerou Guernica, um dos quadros mais espetaculares de Picasso, e a musa inspiradora de Van Gogh foi sua própria angústia.

O existencialismo de Sartre foi parido pela náusea de viver, não pelo êxtase, e a maioria dos poemas escritos no mundo são filhos da dor-de-cotovelo, da ausência do ser amado, de sonhos não atingidos, e não de uma ida espetacular ao supermercado ou de uma festa à beira de uma piscina.

Todos devem buscar uma vida plena de realizações. Mas vale lembrar que as inevitáveis dores do coração, insatisfações políticas, carências sociais e a solidão, nosso eterna companheira, podem ser recicladas em versos, roteiros e passos de dança.

Ninguém é 100% feliz. A percentagem que falta, em vez de ser transformada em rancor, inveja e rugas, será mais bem aproveitada se virar arte.

By Martha Medeiros.

Colo

Posted in Inspiração with tags , , , , , , , , , , , , , , , , on 22/02/2011 by Joe

Para dar colo é preciso pegar no colo? Nem sempre.

Há pessoas que dão colo com as palavras, com o que elas carregam e transmitem. Elas reconfortam sem presença física, estando, apesar disso, presentes.

É possível se dar a alguém, ser importante, fazer importante, às vezes mesmo com um gesto aparentemente banal.

Estamos atravessando uma era em que as pessoas se encontram muito mais profundamente que antes. Elas se acarinham, se amam, se sustentam, amenizam a solidão e ajudam a curar feridas e secar lágrimas.

Distância? Não existe! Não é bem assim, ela existe, mas não percebemos.

Eu estou aqui e estou aí ao mesmo tempo, da mesma maneira como meus amigos estão em toda parte e dentro de mim.

A gente só alcança o que está perto, não? Jesus atravessou séculos e ainda hoje nos pega no colo, ainda hoje falamos com Ele, choramos o calvário e a crucificação. Ainda hoje nos sentimos amados e podemos seguir seu exemplo.

Quando você quiser abraçar alguém, dar colo, reconfortar e seus braços não alcançarem essa pessoa … dê um telefonema, escreva uma carta, envie um e-mail! Seu carinho vai chegar da mesma forma, com o mesmo calor.

Nunca duvide disso!

By Letícia Thompson.

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