Arquivo para julho, 2010

Brigadeiro de leite em pó

Posted in Receitas with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , on 24/07/2010 by Joe

O brigadeiro é um docinho de festa muito apreciado em todo o Brasil, particularmente nas áreas mais urbanas. Em algumas regiões do país ainda é chamado de “negrinho”, como nos tempos em que foi inventado, devido à sua cor.

Ele é conhecido em muitos países como “trufas brasileiras”, pois a textura macia e delicada do chocolate faz lembrar as trufas francesas, embora o brigadeiro seja bem mais doce que elas.

Até algum tempo, os brigadeiros eram sempre servidos nas festas infantis, logo depois de se cantar “Parabéns” e cortar o bolo. Hoje em dia o protocolo foi quebrado e as crianças (de todas as idades) liquidam os brigadeiros que enfeitam a mesa do bolo bem antes da hora programada.

A história desse doce, porém, é, no mínimo, diferente. Dizem que ele surgiu de uma campanha eleitoral, logo depois da Segunda Guerra Mundial.

Conta-se que naquela época havia uma certa dificuldade de se conseguir leite fresco e açúcar para a produção de doces. Então, alguém descobriu que a mistura de leite condensado e chocolate resultava em um docinho bem gostoso. Mas ainda faltava batizar esse doce.

Na mesma época aconteciam as eleições para presidente do Brasil e um dos candidatos era o Brigadeiro Eduardo Gomes. Na campanha, ele utilizava um bordão engraçado, que ficou na boca do povo:

“Vote no Brigadeiro, que é bonito e é solteiro”.

Então suas eleitoras batizaram o doce em homenagem ao candidato. E as mulheres que trabalhavam na campanha, em vez do ‘santinho’ tradicional do candidato, distribuíam o docinho para ganhar votos.

Com o tempo, o brigadeiro foi ficando cada vez melhor. Para enfeitá-lo e deixá-lo mais saboroso, começaram a utilizar o chocolate granulado. Depois, outras variações de receitas foram criadas a partir da original.

A receita de hoje é, como eu sempre prefiro, uma dessas variações. Pra começar, não leva leite condensado. E pra deixar com um sabor ainda melhor, leva leite em pó! Garanto que o sabor é inesquecível, principalmente para aqueles que na infância adoravam misturar meio copo de leite em pó com um pouco de água e fazer um delicioso creme pra comer de colher!

Espero que curtam! Além de saboroso, tem bem menos calorias!

Ah, sim … o resultado das eleições? O Brigadeiro Eduardo Gomes perdeu a eleição para o Marechal Eurico Gaspar Dutra, que infelizmente, não teve nenhum doce com o seu nome.

Brigadeiro de leite em pó

Ingredientes

1 ½ xícara de água
1 ½ xícara de leite em pó
7 colheres (sopa) de chocolate em pó
½ xícara de açúcar
1 colher (sopa) de manteiga
chocolate granulado (ou leite em pó)

Modo de preparo

No liquidificador, bata a água com o leite em pó, o chocolate em pó e o açúcar. Transfira para uma panela e acrescente a colher de manteiga. Mexa em fogo médio até o doce se soltar da panela. Transfira o doce para um prato untado com manteiga. Faça bolinhas e passe no chocolate granulado.

Eu inovei e passei novamente no leite em pó. E fica também uma terceira sugestão: coco ralado fino!

By Joe.

A pedra da felicidade

Posted in Inspiração with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on 23/07/2010 by Joe

Nos tempos das fadas e bruxas, um moço achou em seu caminho uma pedra que emitia um brilho diferente de todas as que ele já conhecera. Impressionado, decidiu levá-la para casa. Era uma pedra do tamanho de um limão e pertencia a uma fada, que a perdera por aqueles caminhos, em seu passeio matinal. Era a Pedra da Felicidade. Possuía o poder de transformar desejos em realidade.

A fada, ao se dar conta de que havia perdido a pedra, consultou sua fonte de adivinhação e viu o que havia ocorrido. Avaliou o poder mágico da pedra e, como a pessoa que a havia encontrado era um jovem de família pobre e sofredora, concluiu que a pedra poderia ficar em seu poder, despreocupando-se quanto à sua recuperação. Decidiu ajudá-lo.

Apareceu ao moço em sonho e disse-lhe que a pedra tinha poderes para atender a três pedidos: um bem material, uma alegria e uma caridade. Mas que esses benefícios somente poderiam ser utilizados em favor de outras pessoas. Para atingir o intento, cabia-lhe pensar no pedido e apertar a pedra entre as mãos.

O moço acordou desapontado. Não gostou de saber que os poderes da pedra somente poderiam ser revertidos em proveito dos outros. Queria que fossem para ele. Tentou pedir alguma coisa para si, apertando a pedra entre as mãos, sem êxito. Assim, resolveu guardá-la, sem muito interesse em seu uso.

Os anos se passaram e este moço tornou-se bem velhinho. Certo dia, rememorando seu passado, concluíu que havia levado uma vida infeliz, com muitas dificuldades, privações e dissabores. Tivera poucos amigos, porém, reconhecia ter sido muito egoísta. Jamais quisera o bem para os outros.

Antes, desejava que todos sofressem tanto quanto ele. Reviu a pedra que guardara consigo durante quase toda sua existência. Lembrou-se do sonho e dos prováveis poderes da pedra. Decidiu usá-la, mesmo sendo em proveito dos outros.

Assim, realizou o desejo de uma jovem, disponibilizando-lhe um bem material. Proporcionou uma grande alegria a uma mãe revelando o paradeiro de uma filha há anos desaparecida e, por último, diante de um doente, condoeu-se de suas feridas, ofertando-lhe a cura.

Ao realizar o terceiro benefício, aconteceu o inesperado: a pedra transformou-se numa nuvem de fumaça e, em meio a esta nuvem, a fada, vista no sonho que tivera logo ao achar a pedra, surgiu dizendo:

“Usaste a Pedra da Felicidade. O que me pedires, para ti, eu farei. Antes, devias fazer o bem aos outros, para mereceres o atendimento de teu desejo. Por que demoraste tanto tempo para usá-la?”

O homem ficou muito triste ao entender o que se passara. Tivera em suas mãos, desde sua juventude, a oportunidade de construir uma vida plena de felicidade, mas, fechado em seu desamor, jamais pensara que fazendo o bem aos outros colheria o bem para si mesmo.

Lamentando o seu passado de dor e seu erro em desprezar os outros, pediu comovido e arrependido:

“Dá-me, tão somente, a felicidade de esquecer o meu passado egoísta.”

Autoria desconhecida.

Mudanças

Posted in Reflexão with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on 22/07/2010 by Joe

A única coisa que não muda é que tudo muda o tempo todo. E diante deste cenário, quais têm sido nossas atitudes frente às mudanças?

Em nosso dia-a-dia é comum nos depararmos com pessoas que agem como se vivessem sob uma redoma que lhes impede de ver as coisas de um jeito que não seja apenas o “seu jeito”. Pessoas que querem mudar tudo e todos, mas nunca a si mesmas. Mais do que praticidade, é preciso ter bom senso.

Segundo os especialistas, nos últimos 50 anos tivemos mais mudanças que em toda a história da humanidade. Desde os tempos das cavernas o homem tem inventado e descoberto o fogo, a roda, a máquina a vapor, o computador, o celular, a internet, e tantas outras coisas, mas o que devemos considerar é que não foram estas descobertas em si que fizeram a grande diferença, mas a nossa capacidade de adaptarmo-nos à elas.

Olhe ao seu redor e perceberá que uma das principais causas do fracasso de muitas pessoas, seja na vida pessoal ou no profissional, é resultado de sua incapacidade de aceitar e assimilar mudanças. Por isso, se quisermos estar realmente preparados para as mudanças que certamente virão, precisamos retirar os “filtros” que cobrem nossos olhos, e continuarmos abertos para aprender o tempo todo.

E se mesmo assim não conseguirmos resistir à tentação de praticarmos os modismos que cercam o mundo corporativo, basta adotarmos as seguintes práticas: melhoria contínua do homem, reengenharia dos valores pessoais, benchmark de pessoas, downsizing de preconceitos e crenças irracionais, marketing das qualidades humanas, qualidade total do ser humano, e aumento da produtividade de emoções sinceras e verdadeiras.

Que tal?

Texto adaptado do livro “Coração de Líder – A Essência do Líder-Coach” by Marco Fabossi. Veja site: www.coracaodelider.com.br .

Fardos inúteis

Posted in Reflexão with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , on 21/07/2010 by Joe

Conta uma lenda que dois monges que atravessavam uma área deserta quando diante de um rio violento, avistaram uma linda jovem que tentava atravessá-lo sem sucesso.

Um dos monges, não sem dificuldades, atravessou o rio e, colocando a mulher em suas costas, conseguiu atravessar o rio em segurança.

A jovem abraçou-o agradecida, comovida com o seu gesto e seguiu seu caminho…

Retomando a jornada, o outro monge que assistira a tudo calado, repreendeu o amigo, falando do contato carnal que houvera com aquela jovem, da tentação de ter aquele contato mais direto com o corpo da mulher, o que era proibido pelas suas leis. E durante um bom trecho do caminho, esse monge falou sobre a mulher e sobre o pecado cometido, até que, aquele que ajudou a jovem na travessia falou:

– “Querido amigo, eu atravessei o rio com a jovem e lá eu a deixei, mas você ainda continua carregando-a em seus pensamentos…”

Assim, todos sabem que não carregamos fardos maiores que aqueles que podemos suportar e muitos dos nossos fardos já poderiam estar abandonados em outras curvas da vida, mas nós insistimos em carregá-los. Levamos nossas dores e frustrações ao extremo.

Dramatizamos demais, elevamos ao cubo cada dor, cada ofensa, cada contrariedade e, por isso, não conseguimos relaxar, perdoar ou mesmo ser felizes, pois o peso que vamos acumulando em nossas costas são demais para qualquer ser humano.

Então, convido-o a algumas reflexões:

– “Quais são os fardos que você continua carregando e que já não estão mais com você?”

– “Qual é a dor que você anda revivendo e fazendo com que velhas feridas voltem a sangrar?”

– “Por que você não consegue perdoar quem lhe magoou?”

– “Quantas oportunidades você anda deixando para trás por estar amarrado ao passado?”

Desarme-se dos velhos pensamentos, do espírito de revolta, da tristeza.

Hoje é dia de desmontar o velho acampamento do comodismo e seguir adiante na longa jornada que a vida apresenta.

Quanto mais leve a sua mochila, mais fácil a subida rumo à felicidade…

By Paulo Roberto Gaefke.

Taiguara

Posted in Música with tags , , , , , , , , , , on 18/07/2010 by Joe

A intenção do post de hoje é, através da história de um grande artista, compositor e poeta, Taiguara, dar uma rápida visão de como as coisas aconteciam no período da ditadura militar no Brasil, um triste período de nossa história que temos a obrigação de jamais deixar que aconteça novamente em nosso país.

Taiguara Chalar da Silva (Montevidéu, 9 de outubro de 1945 – São Paulo, 14 de fevereiro de 1996) foi um cantor e compositor brasileiro, embora nascido no Uruguai durante uma temporada de shows de seu pai, o bandoneonista e maestro Ubirajara Silva.

Mudou-se para o Rio de Janeiro em 1949 e para São Paulo, posteriormente, em 1960. Largou a faculdade de Direito para se dedicar à música. Participou de vários festivais e programas da TV, e fez muito sucesso nas décadas de 60 e 70. Autor de vários clássicos da MPB, como “Hoje”, “Universo do teu corpo”, “Piano e viola”, “Amanda”, “Tributo a Jacob do Bandolim”, “Viagem”, “Berço de Marcela”, “Teu sonho não acabou”, “Geração 70” e “Que as crianças cantem livres”, entre outros.

Considerado um dos símbolos da resistência à censura durante a ditadura militar brasileira, Taiguara foi um dos compositores mais censurados na historia da MPB, tendo cerca de 100 canções vetadas. Os problemas com a censura eventualmente levaram Taiguara a se auto-exilar na Inglaterra em meados de 1973. Em Londres, estudou no Guildhall School of Music and Drama e gravou “Let the children hear the music”, que nunca chegou ao mercado, tornando-se o primeiro disco estrangeiro de um brasileiro censurado no Brasil.

Em 1975, voltou ao Brasil e gravou “Imyra, Tayra, Ipy – Taiguara” com Hermeto Paschoal, participação de músicos como Wagner Tiso, Toninho Horta, Nivaldo Ornelas, Jacques Morelenbaum, Novelli, Zé Eduardo Nazário, Ubirajara Silva e uma orquestra sinfônica de 80 músicos. O espetáculo de lançamento do disco foi proibido e todas as cópias foram recolhidas pela ditadura militar em poucos dias.

Taiguara, decepcionado com a situação do seu país, se auto-exilou por uma segunda vez. Desta vez o silêncio durou muitos anos. E o disco nunca mais foi editado em nossa terra, apesar dos apelos e dos protestos do próprio Taiguara, de toda a classe artística e dos fãs.

Os anos passaram e a censura perdurou. Boatos e comentários de que a gravadora teria anunciado que a matriz do disco tinha se perdido em sua trajetória para Londres, foram desmentidos por gravações de coletâneas, que incluíam “Aquarela de um país na lua” e “Situação”, duas faixas da obra censurada. Um colunista brasileiro chegou a denunciar o fato, sem muita repercussão. A censura continuou.

Em 2002 … a surpresa! O disco “Imyra, Tayra, Ipy – Taiguara” foi remasterizado e editado em CD e colocado à venda no Japão. O boato da perda da matriz se desfez e aumentou ainda mais a indignação. O disco continuou a ser, de certo modo, censurado, pois permaneceu, após quase três décadas, fora do alcance do povo brasileiro.

Entre 2004 e 2005, o Brasil ganhou uma briga na OMC – Organização Mundial do Comércio, pela ‘patente’ do “cupuaçu”, uma fruta tipicamente do nosso país, herança de nossos irmãos indígenas brasileiros, pretendida pelo mesmo país asiático.

E a obra-prima feita pela alma de um artista para o seu povo, brasileiro e latino americano, continuou sendo censurada. Mas o caminho da censura fascista ficou claro: primeiro por uma ditadura militar, depois por uma multinacional e, no século 21, por uma corporação transnacional. É a própria transformação e mudança de forma da propriedade privada.

Taiguara faleceu em 1996 devido a um persistente câncer na bexiga.

Neste video, Taiguara, no show “Treze Outubros”, conta uma passagem sobre seu contato com uma das censoras nos tristes tempos de ditadura. O relato se refere à canção “Nova York”, coisa que não fica muito clara no video. O problema com a censura foi a palava “polícia”, entres as outras “pó” e “poluição”.

Citando a necessidade de preservar o recurso poético utilizado, a aliteração, Taiguara sugere cantá-la, então, em inglês, desde que a letra da canção, de fato, se refere à cidade de Nova York. A censora permite, assim, que a canção seja liberada, embora foneticamente o trecho, mesmo com a palavra registrada em inglês, possui o mesmo som que o original – “o pó, a policia (*police) e a poluição” – proporcionando assim, o mesmo óbvio resultado.

Após o relato, Taiguara, ao piano, canta a bela “Que as criancas cantem livres”. Vale a pena ver e ouvir!

Veja aqui outros videos com os maiores sucessos de Taiguara.

By Joe.

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