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Consciência ou morte!

Posted in Atualidade with tags , , , , , , , , , on 07/09/2009 by Joe

BrasilMais um 7 de Setembro e comemorações pipocam por todo território nacional. Demonstrações de civismo e patriotismo por parte de uma pequena parte da população que comparece aos desfiles militares para aplaudir aqueles que nos impuseram os anos mais negros de nossa história.

Interessante é a constatação que essa pequena parte da população é justamente aquela que mais sofre com as consequências dessa ditadura militar e os efeitos econômicos que ela provocou ao país com o seu “milagre” brasileiro!

Mas, para não ser totalmente injusto com o militares, vamos voltar alguns anos no tempo, rever como tudo isso começou e entender melhor essa farsa da independência comemorada no 7 de Setembro e porque o nosso Brasil nunca se tornou independente.

Em 1799 Napoleão chegou ao poder na França, após um golpe militar, e acabou arrastando grande parte da Europa à guerra com suas invasões e desejos de conquistas. Sua intenção era tornar a França a maior potência mundial. Em 1810 ele já havia conquistado toda a Europa Ocidental e parte da Oriental, exceto a Inglaterra, que resistia bravamente.

Portugal era um grande país naquela época, mas com um povo fraco e inculto. Seu rei, D. João VI, ante a ameaça que Napoleão estava prestes a lhe impor, resolveu fugir para o Brasil. Transformou o  nosso país em Reino Unido a Portugal, devido ao nepotismo que o levou a agradar a Grã-Bretanha, em decorrência do Bloqueio Continental imposto por Napoleão. Assim, Portugal e Inglaterra fizeram um acordo na calada da noite: D. João, para salvar a dinastia de Bragança, chegaria com toda sua corte ao Brasil, sob a proteção inglesa, mas teria que abrir os portos brasileiros, que serviriam de ancoradouro aos interesses da Inglaterra. E o Brasil tornou-se, assim, uma laranja dividida ao meio.

Desta forma, a abertura dos nossos portos às “nações amigas” (leia-se Inglaterra) propiciou aos ingleses todo tipo de negociações e negociatas. D. João VI fundou o Banco do Brasil para guardar todas as riquezas que adviram dessas negociações; o nosso país foi explorado e muitas riquezas naturais foram vendidas ou “subtraídas” em nome da proteção que a corte portugesa recebia da Inglaterra.

Enquanto isso, lá na Europa, Napoleão e seu exército cometiam atrocidades absurdas contra o povo português, matando, pilhando, violando e roubando bens particulares, arte sacra e tudo que era de valor.

Com a ajuda dos ingleses, porém, o povo e os militares portugueses começaram a reagir e venceram os exércitos franceses. Em 1810, finalmente, estes foram definitivamente expulsos e D. João VI pode voltar à Portugal, levando tudo que havia nos cofres do Banco do Brasil. Por aqui ficou seu filho, como garantia do seu domínio e já com a intenção de recolonizar o Reino Unido.

Sem dinheiro e sem nada, D. Pedro resolveu que era hora de declarar a independência do Brasil, independência essa que saiu no grito, literalmente falando, sem a participação do povo brasileiro (aliás, característica marcante na nossa história). Desta forma, “independentes” e sem dinheiro, inauguramos aquilo que até hoje conhecemos como dívida externa, através de empréstimos estrangeiros, autorizados pelo Visconde e Marquês de Maricá.

Ahh … e ainda tivemos que pagar dois milhões de libras esterlinas, como indenização ao governo português, para que ele reconhecesse a nossa independência. Depois de todas as negociatas e fraudes que realizaram por aqui, acredito que eles é que deveriam ter nos indenizado! Declarada a independência política, passamos a dependentes econômicos!

E de lá para cá pouca coisa mudou. Cada vez mais fomos nos tornando dependentes de capitais estrangeiros, nossa dívida externa se tornou uma dívida eterna e o que vemos no nosso país hoje é o predomínio da miséria, da violência, da bandalheira e da falta de vontade política dos nossos “políticos” em resolver os problemas de um povo sem cultura, sem acesso a um sistema de saúde decente, e com um alto índice de desemprego.

Continuamos sendo um “gigante pela própria natureza”, pelas riquezas naturais, pela sua extensão territorial, com recursos de grande valor econômico. Porém, o gigante é mantido anestesidado em “berço esplêndido” pela má vontade, pela má intenção e pela ganância.

Enquanto o país continuar sendo devedor, continuará sendo dependente, escravo. Enquanto o nosso povo continuar dormindo junto com o gigante, votando errado, mantendo no poder os mesmos mal-intencionados de sempre, o nosso país continuará sendo “iluminado ao sol do terceiro mundo”.

Frente a esse quadro, a pergunta que não quer calar é: do “brado retumbante às margens plácidas do Ipiranga”, o que sobrou? Independência ou a morte? O certo é que hoje somos dependentes da nossa própria ignorância, da nossa própria passividade e das nossas raízes colonialistas que nos tornaram um povo inculto, sem tradições e acomodado.

Quando o povo entrará para a história como parte ativa de uma revolução, de uma mudança, mesmo que não haja necessidade de pegar em armas? Um rápido olhar ao quadro de Pedro Américo, “Independência ou Morte”, e Pedro Américo - Independência ou Morteveremos que não há a participação do povo. Apenas um bando de cavalos alvoroçados e um homem com sua espada erguida. Aonde está o povo?

Só nos resta uma condição para mudarmos, mesmo que lentamente, através de algumas gerações, esse quadro triste e sem perspectivas: a consciência da nossa força como povo, como cidadãos, como gente. Ou é a consciência … ou é a morte!

By Joe.

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