Cartão vermelho

Cartão vermelhoOntem (25/08/09) Eduardo Suplicy, Senador do PT pelo Estado de São Paulo, protagonizou na tribuna do Circo Senado Federal, do qual faz parte, mais um espetáculo deste teatro dos horrores em que se transformou o Brasil. Utilizando-se do recurso que é usado com muita freqüência por Lula, deu cartão vermelho ao Presidente da Casa, José Sarney e bateu boca com Demóstenes Torres, que questionou por que Suplicy não dava cartão vermelho também ao presidente Lula.

À noite, no Jornal da Globo, Arnaldo Jabor nos presentou com uma crônica (vide abaixo) muito feliz, questionando onde andam os intelectuais e a “sociedade civil organizada” que não faz nada. A impressão que se tem é que a “sociedade civil organizada” está tão apática quanto a “sociedade civil desorganizada” (leia-se: povo).

O movimento estudantil, que sempre levantou sua voz contra a ditadura militar, parece estar vendida, calada, fazendo até passeata a favor de Lula.

Os movimentos sindicais parecem estar seguindo a mesma direção, caminhando e cantando e seguindo o governo petista (aliás, cadê aquele Lula que conhecemos nos movimentos sindicais, tão radical quanto a própria ditadura da época?).

E os artistas, os cabeças pensantes que, naquela época, se mostravam tão fortes e corajosos, enfrentando toda a ira das forças armadas, a ponto de correrem risco de desaparecerem de um dia para o outro, como aconteceu a tantos professores, amigos e parentes?

Cadê Chico, Caetano, Gil, Vandré, e outros tantos que lutaram com o poder de seus versos e canções? Cadê os caras-pintadas, como o próprio Jabor lembrou em sua crônica? Cadê você, trabalhador sofrido, assaltado em cinco meses de seu mísero salário por ano para sustentar esse circo?

Será que todos só tem olhos para os reality-shows, as novelas e os jogos de futebol que só servem para anestesiar ainda mais o nosso já tão combalido ânimo?

Confesso que estou assustado com o rumo que as coisas estão tomando. Começamos a ouvir falar em censura à imprensa, à ações contra blogs, escândalos que terminam em pizza, seja na política, seja no futebol ….

Mais uma vez fica a minha pergunta, indignado: até quando? Será que não é hora de nós, brasileiros, darmos um cartão vermelho a todos esses corruptos que fazem parte desses times de quinta-divisão que jogam esse jogo de cartas marcadas?

Nota do Blog:

Tendo em vista a Globo ter retirado o código para publicação do video com a crônica de Arnaldo Jabor, publico o texto referente à mesma:

“Como comentar isso tudo? A indignação ficou insuficiente, o escândalo está desmoralizado, a vergonha está cansada. Não há mais filme de horror, não há filme pornô igual a isso que vemos.

Estamos nos viciando neste espetáculo de sordidez. E isso é ruim, porque a indignação é muda, é paralítica. Porque não se trata mais de netinhos nomeados, nem mensalinhos roubados, nem envelopinhos de empreiteiras, nem de gorgetinhas de macarrão.

Não se trata mais de um problema moral. As instituições estão sendo implodidas por dentro, pelos próprios donos do poder.

Em nome da governabilidade o governo está impedindo a governabilidade. E pior: este circo de anomalias serve para acalmar nossas consciências…

A gente fala: “que horror” e se sente santificado, mas não faz nada. A imprensa está sozinha ameaçada de censura pelos roedores da República…

Quando houve a crise do Collor, a indignação ainda valia. Intelectuais e figuras importantes do país, como Barbosa Lima Sobrinho e outros se manifestaram em bloco.

E hoje? Por que este silêncio dos intelectuais? Onde estão os carapintadas? Onde os manifestos de artistas famosos, das tais celebridades? Onde estão eles, além de exibir sua vida sexual nas revistas e rebolar nas pistas de dança?

Cartão vermelho para a elite pensante do Brasil!”

By Joe.

Uma resposta to “Cartão vermelho”

  1. Estou com Arnaldo Jabor e não abro! Seu texto está dentro do que todos pensam e não tem coragem de expressar… está na hora de todos se levantarem e darem um basta!
    Podemos começar conscientizando os familiares e amigos a não votarem na próxima eleição e em segundo, pararmos de termos medo de expressar a verdade que estamos vivendo…
    O pior de tudo isso, é o nosso jovem votante não se inteirar do que está acontecendo no mundo. E os nossos novos atores e cantores… esses nem precisamos comentar…
    Beijos

    Curtir

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